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Hospitais públicos na Tijuca são referências em meio a caos na saúde

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Conheça os tratamentos diferenciados e de excelência oferecidos por hospitais públicos.

RIO – Em meio a uma saúde pública em crise e sucateada, alguns hospitais públicos da região da Grande Tijuca resistem e oferecem pesquisas, tratamentos e atendimentos diferenciados e de excelência. São eles: os hospitais universitários Gaffrée e Guinle e Pedro Ernesto e o Hospital Municipal Jesus.

O Gaffrée e Guinle, no Maracanã, além de pesquisas avançadas em doenças como zika, Aids e hepatites virais, vem oferecendo, desde fevereiro, mutirões de cirurgias plásticas. Entre os casos atendidos estão os de tumores de pele e lesões dermatológicas de uma maneira geral e outros casos mais específicos, como a lipoatrofia facial (comum em pacientes com Aids), e reconstruções de orelhas, como a que foi feita em uma paciente de 11 anos que nasceu sem o órgão.

— Juntando tudo isso, fizemos, até agora, mais de quatro mil procedimentos. Oferecemos cerca de 400 vagas por mês pelo Sisreg (Sistema de Regulação do Município). Havia pessoas com tumor de pele esperando há cinco anos atendimento. Isso é muito perigoso — diz Carlos Chagas Ricardo Cavalcanti Ribeiro, chefe do setor de Cirurgia Plástica do hospital desde o começo do ano. — Ao mesmo tempo em que atendemos a população, também formamos cirurgiões plásticos qualificados.

Em agosto foi iniciado na unidade um mutirão específico de cirurgia de reconstrução mamária em decorrência de câncer de mama. Nesse caso, há situações em que as mulheres já recuperadas do câncer estão na fila há 20 anos esperando pelo procedimento. Até agora foram realizadas 15 cirurgias reparadoras. A paciente Rosemare Nunes foi a primeira a fazer a cirurgia de reconstrução mamária. Depois de vencer três tumores, ela acabou perdendo a mama esquerda.

— Não saía de casa, minha autoestima estava muito baixa — conta ela.

Toda a excelência oferecida pelo Gaffrée e Guinle se dá também pela boa administração e pela gestão local.

— Conseguimos verba do Programa Nacional de Restruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), de R$ 6 milhões por ano. Há ajuda da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal que faz a gestão de 39 hospitais universitários no país inteiro junto ao MEC. Com isso conseguimos médicos, enfermeiros, engenheiros, arquitetos, advogados e restauradores, para cuidar da parte administrativa e estrutural do hospital. Até o fim de 2018 conseguiremos 850 novos funcionários. O repasse do SUS para o hospital vai passar de R$ 12 milhões para R$ 21 milhões por ano, a partir de 2018. Atualmente temos um norte, com uma gestão que põe o hospital no eixo — diz o diretor Fernando Ferry.

As médicas do Gaffrée e Guinle examinam criança com dermatite atópica – Brenno Carvalho / Agência O Globo

Outro hospital universitário que oferece à população diversos serviços de excelência é o Pedro Ernesto. Com 52 residências médicas, há diversos destaques. Entre eles, o fato de ser o único hospital público do Rio que oferece cirurgia de mudança de sexo; e um centro de cirurgia plástica em tratamento de anomalias crânio faciais. Entre as novidades estão as aberturas de enfermarias de reumatologia, sendo uma com foco no tratamento de cálculo renal.

— Percebemos, junto com a Secretaria Estadual de Saúde, que as questões da reumatologia e de litíase urinária têm alta demanda nas filas dos hospitais. Então decidimos abrir novas enfermarias para tentar suprir essa demanda — diz o diretor Edmar Santos.

Outras novidades são a chegada de novos equipamentos nas áreas de oftalmologia e neurologia, que auxiliam no diagnóstico e tratamento de doenças. Na neurologia, a menina dos olhos é o equipamento de estimulação elétrica do sistema nervoso.

— Com ele, temos como mapear o cérebro e ao mesmo tempo tratar doenças sem precisar fazer uma cirurgia invasiva, como no tratamento de pacientes que tiveram AVC, dor crônica e fibromialgia — diz Flávio Nigri, chefe do departamento de neurocirurgia.

A oftalmologia conta com aparelhos que medem a tomografia da córnea (curvatura e espessura) para antes da cirurgia de catarata, além de medidores de glaucoma e novos campímetros (exame que estuda a percepção visual central e periférica).

Já no Hospital Municipal Jesus, referência em especialidades pediátricas, há no ambulatório de dermatologia a Escola de Atopia, um projeto social desenvolvido em parceria com a empresa La Roche-Posay, que oferece desde o ano passado tratamento ambulatorial para crianças com dermatite atópica, uma espécie de alergia crônica na pele.

Trata-se de uma doença inflamatória e, se descoberta logo no início e tratada adequadamente, a quantidade de crises provocadas por ela diminui, graças à prevenção. Os pacientes dependem de cuidados multidisciplinares, além do uso permanente de hidratantes e cremes específicos, para amenizar e controlar os sintomas.

— Temos o objetivo de conscientizar e dar suporte às crianças e a suas famílias. Aqui eles recebem orientações sobre a importância e a forma correta de usar hidratante e cremes indicados, garantindo melhor qualidade de vida aos pacientes. Há também um apoio psicológico para as crianças, com brincadeiras e atividades lúdicas. Essa é uma doença que afeta muito a parte mental dos pequenos e da família, pois não há cura imediata e incomoda bastante no cotidiano — explica a dermatopediatra Ana Mósca.

As médicas do Gaffrée e Guinle examinam criança com dermatite atópica

Fonte: O Globo Online

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