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Clonazepam, remédio psiquiátrico: Brasil consome duas toneladas por ano

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A maioria das pessoas conhece alguém que faz uso de medicamentos psiquiátricos, ou até mesmo já fez uso de algum antidepressivo, ansiolítico ou benzodiazepínico (calmantes). O uso abusivo desses medicamentos vêm criando um novo tipo de dependência química, tão perigosa e danosa quanto a de drogas ilícitas, a farmacodependência.

De acordo com estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), o problema pode ser ilustrado pelo número de farmácias per capita no país, existe no Brasil uma farmácia para cada 3 mil habitantes, muito mais do que o dobro recomendado pela OMS, ou seja vende-se mais remédios do que pão – existem 50 mil padarias contra 54 mil farmácias
A estimativa é que mais de 100 mil pessoas tenham sofrido de intoxicação por medicamentos, sejam eles antidepressivos, analgésicos, entre outros, porém pouco se houve falar no uso abusivo de drogas lícitas, parece haver uma cortina de silêncio patrocinada pela industria farmacêutica.

Cada vez mais pesquisas são feitas na área médica para descobrir sobre o uso de novas substâncias, em especial dos remédios psiquiátricos que estão cada vez mais em uso
De acordo com o pesquisador Peter Gotzsche, professor de Concepção e Análise de Testes Clínicos da Universidade de Copenhague, que defende a redução no consumo e prescrição de medicamentos psiquiátricos, “não há desequilíbrio químico, nunca se pôde demonstrar que haja nada nos pacientes psicóticos ou depressivos que seja diferente das pessoas sãs. O desequilíbrio químico é uma mentira.”

O Brasil é campeão no uso de clonazepam, o famoso “rivotril”. É o segundo remédio mais vendido no País. São mais de duas toneladas do medicamento por ano, perdendo apenas para um anticoncepcional que é distribuído pelo SUS.

De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, o uso de remédios psiquiátricos cresceu 52% de 2009 para 2014, um salto que mostra como o uso de medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos tornou-se uma muleta, pessoas buscam soluções rápidas e pílulas que tirem a angústia ou a tristeza do dia dia, a baixa tolerância à frustrações e aos próprios afetos tem levado cada vez mais pessoas a encontrarem no medicamento uma saída de emergência, mas que além de encobrir o real problema trarão outros prejuízos.

Remédios psiquiátricos como esses tarjas pretas somente podem ser comprados com receita médica, o que nos leva ao questionamento sobre a prescrição deliberada de medicamentos psiquiátricos por profissionais médicos de diversas especialidades, ginecologistas, endocrinologistas, cardiologistas, todos eles fornecem esse tipo de receita sem um cuidado diagnóstico, diagnóstico esse que precisa ser feito com tempo e cuidado, não é possível diagnosticar um transtorno mental em apenas uma consulta, porém existe todo um sistema de rapidez de atendimentos que clama por uma consulta “rápida e prática”, assim como o desejo de resolver qualquer questão psicológica de forma rápida e mágica.

O que passa despercebido é que nem toda angústia é um problema psiquiátrico e não existe uma pílula que traga alegria instantânea, é preciso se conhecer, é preciso psicoterapia para enfrentar as situações diversas que passamos durante a vida, é através da psicoterapia que poderemos aprender a lidar com sentimentos, afetos, desejos e angústias que sem esse suporte psicológico poderão transformar-se em um real problema psiquiátrico.

Fonte: JC Net

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