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Brasil registra mais um caso de morte causada por febre amarela

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Fechado em outubro de 2017 por conta do surto de febre amarela, o Parque Horto Florestal, na Zona Norte de São Paulo, foi reaberto ontem para o público

Mais uma morte em decorrência da febre amarela foi confirmada. Desta vez, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. A vítima é um pintor de 46 anos, residente em São Paulo, que estava no município mineiro para passar as festas de fim de ano com a família. Ele foi internado com os sintomas da doença no dia 2 e morreu na sexta-feira passada. Outros “dois novos casos de suspeitos” em bairros da região estão em investigação, segundo a prefeitura. Segundo o governo de Minas, desde julho de 2017 até o início desta semana, seis mortes por conta da doença ocorreram no estado.

Ontem, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que não há risco de desabastecimento da vacinacontra a febre amarela no país. Segundo Barros, todos os anos, o governo distribui 13 milhões de doses em áreas específicas. Apesar disso, de acordo com o Ministério da Saúde, todo o planejamento de vacinação é estratégico e, portanto, não é possível divulgar o estoque do órgão. Desde terça-feira, a pasta usa doses fracionadas da vacina em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, em uma tentativa de conter o surto.

Com a medida, a ideia é combater a expansão do vírus para áreas próximas. A fracionada tem apenas 0,1ml e pode proteger por, pelo menos oito anos, enquanto a original tem 0,5ml e imuniza pela vida inteira. Barros garantiu que a dose menor tem a mesma eficácia da integral. No ano passado, foram registrados 777 casos da doença no país, e 261 mortes. A região mais afetada é a Sudeste, com 764 casos, seguida por Norte, com 10 casos, e Centro-Oeste, três.

Na opinião do médico infectologista Julival Ribeiro, o Brasil não tem capacidade de produzir vacina em caráter emergencial, e, por isso, seria necessário que o governo tivesse feito um planejamento estratégico antes do surto. Segundo ele, apesar de a vacina fracionada funcionar, é preciso planejar a longo prazo. “Desde 2016 estão dizendo que esse problema aumenta. Então, deveria haver um plano. Por que não se entrega vacina rotineiramente? Será que eles não analisaram isso antes?”, questionou.
Segundo Ribeiro, é necessário que a vacinação comece pelos moradores de áreas de alto risco, como, por exemplo, os de zona rural. “Não adianta chamá-los para vir tomar vacina aqui, porque eles não vão vir. Tem que montar equipes e ir até lá para vacinar”, comentou. “A febre amarela não está controlada porque o governo já deveria ter desenvolvido um programa. Mesmo porque a gente sabe que a doença é endêmica em algumas regiões do Brasil. Sabendo disso, por que não fizeram um planejamento para as pessoas de áreas rurais?”, comentou.

Fonte: Correio Braziliense Online

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