Cigarro eletrônico da Philip Morris recebe parecer contrário nos EUA

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Philip Morris, fabricante da Malboro, não deveria afirmar que cigarros eletrônicos apresentam risco menor à saúde que cigarros regulares, afirmou, nesta quinta-feira (25), um comitê consultivo do FDA (agência reguladora norte-americana equivalente à Anvisa, no Brasil).

O parecer é uma resposta ao pedido da empresa, protocolado em março de 2017, para comercializar seu produto de tabaco aquecido –uma versão eletrônica em que o tabaco não é queimado e sim aquecido, no qual investiu bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

O julgamento não é definitivo: a agência não é obrigada a seguir a opinião do comitê, e dirigentes do FDA recentemente sinalizaram sua intenção de reduzir o nível de nicotina de cigarros e ampliar as alternativas de menor risco.

Para a comissão, os cigarros aquecidos de fato expõem o usuário a níveis mais baixos de substâncias tóxicas, mas não haveria provas suficientes de que isso se traduziria em uma redução de doenças ou mortes de fumantes.

Além disso, segundo eles, nem todos os elementos danosos à saúde tiveram diminuições significativas no produto da companhia. A redução à exposição, segundo dados da Philip Morris, é de cerca de 95%.

O parecer derrubou as ações da Philip Morris –a queda chegou a 6,8% na tarde desta quinta, mas fechou em 2,8%.

Os cigarros aquecidos são comercializados em cerca de 30 mercados pelo mundo. No início deste ano, a empresa chegou a publicar anúncios em diversos jornais britânicos anunciando sua intenção de interromper totalmente sua venda de cigarros tradicionais.

NO BRASIL

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil desde 2009 pela Anvisa. Desde então, a Philip Morris Brasil tem tentado reverter a decisão.

No ano passado, pediu que o tabaco aquecido fosse incluído na revisão do marco regulatório para produtos fumígenos –processo que teve uma consulta pública encerrada em abril.

Segundo a agência reguladora, o resultado dessa consulta pública deverá sair neste semestre, mas o tabaco aquecido não deverá estar no novo texto. Para uma eventual aprovação, seria preciso uma nova consulta pública específica sobre o tema.

Em entrevista à Folha realizada na última semana, o presidente da companhia no Brasil, Wagner Erne, afirmou que esperava uma aprovação “em breve” do produto nos Estados Unidos e destacou que o fato de países norte-americanos e europeus autorizarem a venda seria uma forma de comprovação do embasamento científico por trás do produto.

Procurada, a Philip Morris Brasil afirmou que aguarda o posicionamento oficial da empresa global sobre o parecer americano.

Fonte: Folha de S. Paulo Online

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