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Vírus da zika pode ter ciclo silvestre no Brasil

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Ainda que a propagação da doença esteja sob controle nas cidades, sua resistência nas florestas deve mudar a maneira de proteger a população, dizem cientistas; para eles, aumenta a necessidade de uma vacina eficaz

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto sugerem que o vírus da zika que circula no Brasil pode ter um ciclo silvestre — ou estar prestes a estabelecer um. Num artigo publicado ontem na “Scientific Reports”, revista do grupo Nature, a equipe liderada pelo professor Maurício Nogueira (e que envolveu cientistas de diversas universidades brasileiras e da Universidade do Texas) afirma ter detectado a presença do vírus em macacos que viviam em regiões próximas a centros urbanos. Ou seja, mesmo que sua propagação pareça estar sob controle nas cidades, o zika pode resistir nas matas, tal qual o vírus da febre amarela.

—Se o ciclo silvestre for confirmado, precisaremos mudar aforma como encaramos o problema. Porque ele passa a ter um reservatório nas florestas, de onde não pode ser erradicado — diz Nogueira, que também preside a Sociedade Brasileira de Virologia.

Preocupação Antiga

A suspeita de que o zika possa ter um ciclo silvestre nas Américas assombra os pesquisadores desde que o vírus foi detectado no continente. O zika foi isolado pela primeira vez em 1947 nas florestas de Uganda, na África. Chegaria ao Brasil em 2013, por onde se propagou até atingir níveis epidêmicos em meados de 2015. Por aqui, a infecção pelo vírus provocou consequências até então desconhecidas, como os casos de microcefalia.

Originalmente, o zika era um vírus silvestre que, vez ou outra, escapava às florestas para infectar humanos. Mas não se sabia se ele repetiria esse comportamento em outros continentes. Até hoje, explica Nogueira, não foi detectado um ciclo silvestre do zika na Ásia, por exemplo.

A existência de um ciclo silvestre deve mudar a forma como protegemos a população contra o zika. Segundo Nogueira, se essa hipótese se confirmar, o zika repetirá a história trilhada pela febre amarela. Mesmo nas regiões onde a urbana foi eliminada (caso do Brasil), o vírus ainda é uma ameaça, com chances de reurbanização:

—Da mesma maneira que a febre amarela, aumenta a necessidade de uma vacina eficaz contra o zika.

Fonte: O Globo

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