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Portugueses criam vacina para salvar meio milhão de pessoas

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Miguel Prudêncio, investigador do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa: “queremos uma vacina contra a malária com uma eficácia de pelo menos 80% durante mais de um ano na pessoa que é vacinada”

FOTO MARCOS BORGA

O Instituto de Medicina Molecular lidera um projeto internacional de desenvolvimento de uma vacina inovadora contra a malária com 80% ou mais de eficácia. Os primeiros testes em voluntários humanos saudáveis vão começar na Holanda e Miguel Prudêncio, coordenador do projeto, afirma que “a vacina baseia-se numa ideia revolucionária, porque usa um parasita animal mascarado de parasita humano pela manipulação genética”

Quantas vidas poderá esta vacina salvar, logo que chegue ao mercado?
O nosso objetivo é produzir uma vacina contra a malária com uma eficácia de pelo menos 80% durante mais de um ano na pessoa que é vacinada, para conseguir eliminar e eventualmente erradicar esta doença, que matou cerca de 429 mil pessoas em 2015, na sua maioria crianças africanas.

Já existe alguma vacina contra a malária?
Oficialmente não existe nenhuma e a comunidade científica ainda está a tentar desenvolver uma vacina contra a malária que tenha níveis de eficácia superiores para ser usada em campanhas de erradicação. Há vários grupos internacionais de investigadores a desenvolver vacinas com este objetivo.

Sendo assim, porque diz que a ideia que está na base da vacina desenvolvida pela sua equipa é revolucionária?
Porque fizemos uma nova abordagem ao problema usando engenharia genética. Assim, manipulámos geneticamente um parasita animal seguro, que não causa danos em seres humanos, mascarando-o de parasita humano. E isso nunca foi feito antes. A ideia de que uma vacina animal pode imunizar humanos é revolucionária.

O biólogo António Mendes, que desenvolveu a maior parte do trabalho experimental do Instituto de Medicina Molecular, e o bioquímico Miguel Prudêncio, líder do projeto, com mosquitos usados na investigação de uma nova vacina contra a malária

O biólogo António Mendes, que desenvolveu a maior parte do trabalho experimental do Instituto de Medicina Molecular, e o bioquímico Miguel Prudêncio, líder do projeto, com mosquitos usados na investigação de uma nova vacina contra a malária

FOTO MARCOS BORGA

Quem são os parceiros deste projeto?
Além do Instituto de Medicina Molecular (iMM) da Universidade de Lisboa, são a Malaria Vaccine Iniciative (MVI) dos EUA e o Centro Médico da Universidade de Radboud, na Holanda. A MVI financia o ensaio clínico em humanos e os parceiros científicos e a coordenação clínica do ensaio cabe aos holandeses. Mas a ideia inicial de todo o projeto é portuguesa.

A partir do dia 6 de junho será feito o primeiro ensaio clínico na Holanda. Como vai decorrer este processo?
O ensaio clínico a realizar na Holanda foi baseado em dados previamente obtidos pela equipa do iMM em estudos animais feitos em ratinhos, coelhos e macacos. Mas não existe nenhum modelo animal completamente adequado e por isso precisamos de fazer ensaios em seres humanos. O ensaio terá duas fases. Na primeira, um grupo de 18 voluntários adultos saudáveis será exposto a várias picadas de mosquitos infetados com a versão geneticamente modificada do parasita de roedores. Se tudo correr bem os voluntários passarão para uma segunda fase onde será testado o efeito protetor da vacina.

E se tudo continuar a correr bem?
Há ainda várias etapas a percorrer até a vacina chegar ao mercado, o que pode demorar dez anos ou mais. Agora estamos a usar dezenas de voluntários, mas nas três fases seguintes do processo vamos precisar de centenas e mesmo de milhares de pessoas para testar a vacina, sendo necessário fazer ensaios em populações específicas, como mulheres grávidas e crianças. Há, por isso, um longo caminho a percorrer.

 

Fonte: Expresso

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