fbpx

Prazo curto traz preparo antecipado do investidor para IPOs

151

Prazo curto traz preparo antecipado do investidor para IPOs de dezembro Risco eleitoral e expectativas quanto a reforma da Previdência no cenário doméstico já estão nas contas do mercado para este mês; já estrangeiros devem esperar até o segundo semestre de 2018A BR Distribuidora é uma das empresas adiantadas no processo e deve abrir capital ainda neste mês
Foto: Estadão Conteúdo/ Werther Santana

São Paulo – Os investidores já se preparam para participar de Ofertas Públicas de Ações (IPOs) no mês de dezembro. A janela para o processo, porém, deve se fechar em fevereiro e a vinda consistente de estrangeiros fica só para o final de 2018.

Com apenas alguns dias para o fim do ano e apesar dos riscos tanto no ambiente doméstico – envolvendo tanto a aprovação da reforma da Previdência e o ano eleitoral – como no internacional, os investidores do País já estão na expectativa para os IPOs (do inglês, Initial Public Offering) da BR Distribuidora e Neoenergia, as empresas mais adiantadas no processo.

“A grande maioria do mercado já adiantou o preço das ações de todas as empresas que estão no pipeline de acordo com toda a expectativa de risco e estão na expectativa para a compra dos papéis ainda neste mês”, diz o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Distrito Federal (Ibmec-DF) Marcos Melo.

Além das duas empresas já citadas, Algar Telecom, BK Brasil, Grupo SBF e Blau Farmacêutica também estão no processo de abertura de capital, mas tendem a finalizar o processo apenas em janeiro.

Segundo o sócio-fundador do Grupo L&S, Leandro Ruschel, o “otimismo velado” dos investidores deve durar até o começo do próximo ano e, mesmo já preparados, a dúvida em relação às eleições ainda traz certa cautela.

“Esse ambiente deve durar até fevereiro, ainda que não haja a reforma da Previdência neste ano que é, inclusive, um fator que o mercado já está precificando”, explica o executivo. “Mas a partir de março ou abril, quando o calendário eleitoral entrar em pauta, a colocação e tomada de risco dos investidores ficam bem mais complicada e dificulta bastante a janela de oportunidade das empresas”, acrescenta.

A incerteza sobre o ano vindouro, inclusive, atinge as empresas que se preparam para a oferta. Mesmo com um espaço de tempo relativamente curto para a finalização do processo, apenas a BR e a Neoenergia apresentaram o prospecto preliminar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os valores das ofertas são de R$ 4,951 bilhões e R$ 2,856 bilhões, respectivamente. Algar, Blau, BK e o Grupo SBF, por sua vez, publicaram apenas a minuta do prospecto e ainda não têm um valor definido.

“Não tem muito espaço pra precificar neste ano e a probabilidade é que a maioria fique apenas para o ano que vem. O problema é que todas tentarão antecipar o máximo possível, muito focadas principalmente no primeiro trimestre. Se não for logo, o segundo semestre será complicado e a depender do andar da carruagem, a janela ainda pode se fechar completamente”, complementa o analista da Magliano Corretora Pedro Galdi.

Estrangeiros

Da outra ponta, porém, os investidores estrangeiros não parecem tão otimistas e, mesmo com o Brasil ainda sendo bastante atrativo, as incertezas do País também tendem a postergar a vinda desses alocadores.

“Se o ambiente dos Estados Unidos traçar um efeito de alta de juros mais gradual com o pacote de medidas de Trump [atual presidente dos EUA], os investidores ainda recorrem aos países emergentes em busca de rendimento e, nessa fronte, o Brasil continua sendo o preferido”, afirma Galdi.

Ao mesmo tempo, porém, o desenrolar de variáveis importantes no curto prazo podem impactar a tomada de decisão.

“Já existe um fluxo positivo por conta das taxas de juros do País, mas conforme o tempo vai passando e o cenário fica mais volátil, refletindo o ambiente político e macroeconômico do País, o apetite do investidor internacional se limita”, analisa Ruschel, mas completa que, caso os candidatos se “cristalizem” logo o movimento já começa a ser positivo no segundo semestre do ano que vem. “O mercado já se antecipa e, se os candidatos forem pró-mercado, o apetite já muda e o investidor estrangeiro passa a vir com mais força para o Brasil”, conclui.

Viés Positivo

Considerando as sinalizações, porém, os especialistas pontuam questões de viés positivo para o mercado em 2018.

Um estudo da Deloitte, por exemplo, aponta que pelo menos 10 empresas pretendem abrir o capital da bolsa em 2018 e, segundo um comunicado do Ministério de Minas e Energia, a privatização da Eletrobras virá por meio de operação de aumento de capital, com a possibilidade de ser somada a uma oferta secundária.

Além disso, a menor da presença do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) no crédito também favorecerá a entrada de empresas na bolsa.

“Se a questão da eleição caminhar de forma positiva, a chance de repetirmos um ciclo positivo no mercado aumenta e veremos um maior número de IPOs no País”, constata o coordenador de graduação da Fundação Instituto de Administração (FIA) Rodolfo Olivo.

Fonte: DCI

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar

Política de privacidade e cookies