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Uso indiscriminado de medicamentos ameaça segurança de pacientes

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Para pesquisadora, uso inadequado de medicamentos e problemas de comunicação entre médicos e pacientes são as principais causas de eventos adversos – Foto: Hayley Marcar via Pixabay – CC

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Artigo publicado na Revista de Saúde Pública discute a questão da “polifarmácia”, termo que traduz o uso de mais de cinco medicamentos, e traz um estudo que é parte da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Uso Racional de Medicamentos (PNAUM) – Serviços 2015. O objetivo é “caracterizar a organização dos serviços de assistência farmacêutica na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), visando à divulgação do uso racional de medicamentos”, afirma Renata Nascimento. Caracterizar a polifarmácia no universo dos usuários de medicamentos que passam pelos cuidados da chamada atenção primária do SUS e identificar fatores a ela associados é a proposta dessa pesquisa. Para a autora, o uso exacerbado de medicamentos da população atendida pelo SUS torna-se um desafio para a segurança dos pacientes.

A prestação de cuidados em saúde visa proporcionar ao indivíduo bem-estar, minimizando os riscos desnecessários do excesso de remédios. Há necessidade de uma harmônica relação entre o diagnóstico e o tratamento prescrito, tendo em vista que “o uso inadequado de medicamentos e problemas de comunicação entre médicos e pacientes são as principais causas de eventos adversos”.

Segundo a pesquisa, a polifarmácia está associada à faixa etária de pacientes com 65 anos ou mais, em sua maioria mulheres, com “baixa autopercepção de saúde” e presença de doenças crônicas, dentre as quais se destacam alterações no sistema cardiovascular, hipertensão, reumatismo, ansiedade e depressão, diabete, colesterol, gastrite e dores em geral.

A polifarmácia é comum na prática clínica e os principais fatores para isso são aumento da expectativa de vida, o livre alcance aos remédios, devido à disponibilidade do mercado, e o aumento das doenças crônicas. “A prescrição simultânea, por vários médicos, sem que ocorra a necessária conciliação terapêutica para o paciente” , pode levar ao uso inadequado de medicamentos, ocasionando graves efeitos colaterais, acentuados pelas desastrosas interações medicamentosas.
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Segundo estudo, pacientes que dispõem de plano de saúde privado apresentaram maior ocorrência da chamada “polifarmácia” – Foto: Aloisio Costa Latge via Pixabay – CC

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É interessante observar, segundo o artigo, que pacientes que contam com plano de saúde particular “apresentaram maior chance de polifarmácia”, considerando que têm mais acesso a consultas com especialistas, “ampliando a variedade de prescrições”; por isso, é importante o controle sobre a ocorrência de interações medicamentosas no intuito de minimizar seus danos, além de ser necessário alertar a população sobre as consequências da automedicação, tais como internação e óbito.

A autora admite haver algumas limitações na pesquisa, tanto em relação aos métodos quanto ao conceito de polifarmácia adotado – o uso de cinco ou mais medicamentos -, e pela impossibilidade de conhecer-se o porquê da prescrição de cada medicamento. Destaca, porém, que este é “o primeiro estudo de abrangência nacional sobre polifarmácia em usuários de serviços de saúde”, indicando que a polifarmácia é uma realidade na “atenção primária” da população atendida pelo SUS. Em vista disso, o principal desafio é garantir a prescrição adequada de medicamentos, a capacitação multidisciplinar de profissionais e educação da população, visto serem “estratégias necessárias para qualificar o uso dos medicamentos e fortalecer a Política Nacional de Segurança do Paciente”, defende ela.

Renata Cristina Rezende Macedo do Nascimento é pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Farmácia. Programa de Pós-Graduação em Medicamentos e Assistência Farmacêutica.

NASCIMENTO, Renata Cristina Rezende Macedo do et al. Polifarmácia: uma realidade na atenção primária do Sistema Único de Saúde. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 51, p. 19s, set. 2017. ISSN: 1518-8787. DOI: http://dx.doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007136. Disponível em: . Acesso em: 06 dez. 2017.

Fonte: USP

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