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Pesquisa com enzima de sapo busca desenvolver medicamento para o coração

Estudo de pesquisadores da Universidade de Brasília e do Piauí, em parceria com a USP de São Carlos, está em fase de testes, mas anda a passos lentos devido ao corte de recursos.

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Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Piauí (UFPI), em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), pretende desenvolver um medicamento com melhor efeito e menos custo para doenças do coração dos que os existentes.

O estudo teve como ponto inicial a descoberta, em 2002, do BPP-BrachyNH², uma substância presente na secreção cutânea do anfíbio Brachycephalus ephippium, conhecido popularmente como sapinho-pingo-de-ouro, encontrado na região de Mata Atlântica de São Paulo.

O BPP apresenta uma sequência de aminoácidos ricos em Prolina (PROs) que tem potencial para agir como um vasorelaxante e controlar a pressão arterial.

Pesquisa

A partir de 2012, testes in vitro com artérias de ratos, realizados pesquisador Daniel Dias Rufino Arcanjo, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), sob a coordenação do pesquisador Dr. José Roberto Leite, da Faculdade de Medicina da UnB, e em colaboração na Aarhus University, da Dinamarca comprovaram o potencial vasorelaxante do BPP, que reduziu a resistência dos vasos sanguíneos periféricos e, consequentemente, regulou a pressão arterial, se mostrando uma importante ferramenta para o tratamento da hipertensão arterial.

Estes dados foram publicados recentemente em periódicos científicos como a EuropeanJournal Medicinal Chemistry e a “InternationalJournalPeptideResearchTherapeuthics”, ambas em 2017.

’’Nossas expectativas são que o BPP apresente uma melhor relação custo-benefício nas possíveis aplicações terapêuticas [para o controle de doenças cardiovasculares]’’ diz José Roberto

Iniciado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o projeto agregou a USP de São Carlos e outras instituições do país e do exterior ao longo de seus avanços.

Atualmente, a pesquisa está em fase de novos testes em animais em colaboração com centros de pesquisas da Dinamarca e de Portugal (Instituto Superior de Engenharia do Porto e Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, ambos localizados na cidade de Porto). Além disso, outros subprojetos devem buscar substâncias semelhantes ao BPP em outros animais, como cobras, por exemplo.

Entretanto, de acordo com o Dr. José Roberto, ela poderia estar bem mais adiantada, se não fosse o corte de financiamento à pesquisa e diante da falta de recursos atual, o trabalho sobrevive graças às parcerias com universidades estrangeiras.

“As parcerias internacionais são importantes mas infelizmente não são suficientes para projetos prioritários nacionais como os biotecnológicos que podem trazer além de benefícios a população, formação de recursos humanos e riquezas”, afirmou.

Recentemente, o pesquisador submeteu o projeto a uma fundação privada brasileira e aguarda resposta de um possível financiamento.

Próximos passos

Recentemente o Prof. Daniel Arcanjo passou um período como professor visitante na Aarhus University, na Dinamarca, conseguindo avanços no entendimento do modo de operação do BPP.

De acordo com o pesquisador, os dados obtidos são fundamentais para determinar o potencial terapêutico da substância em diversas doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, diabetes e aterosclerose. A partir disso, o grupo vislumbra obter resultados de ensaios clínicos em humanos envolvendo parcerias com outras universidades escandinavas.

Falta de apoio e de recursos

Até recentemente, o projeto recebia recursos da Rede Nanobiotec que, em 2009, selecionou 38 projetos científicos que tinham como propósito o apoio às pesquisas e à formação de recursos humanos na área de nanobiotecnologia.

Dentre as propostas selecionadas estava um de Yvonne Mascarenhas e Valtencir Zucolotto, ambas docentes e pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). Os recursos financeiros a elas destinados foram divididos entre 13 grupos de pesquisadores da USP e de outras universidades, dos quais participava a pesquisa sobre o BPP.

Com o corte de recursos ocorrido a partir de 2016, porém, a Dra. Yvonne se mostra preocupada e teme pelos avanços conquistados, pela continuidade da pesquisa e de outras que virão.

‘’Os especialistas continuam trabalhando com dificuldade, heroicamente, aproveitando ainda o que resta de equipamento, mas se a falta de verba durar por muito tempo vai prejudicar muito a formação de quem faz pós-graduação e vai faltar verba para manter o laboratório‘’, disse.

Segundo o coordenador da pesquisa do BPP, a falta de recursos financeiros dificulta a continuidade da pesquisa no Brasil.

‘’A pesquisa poderia estar bem mais adiantada, por que não existe financiamento atual e nem perspectivas pelo cenário atual criado pelo governo federal. Ela sobrevive pelas parcerias criadas pelas Universidades da Dinamarca e em Portugal’’ , afirmou Leite.

Fonte: G1

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