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Agilidade contra o câncer infantojuvenil

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Roberta Costa Marques E Teresa Fonseca

Roberta Costa Marques é diretora do Instituto Desiderata, e Teresa Fonseca é presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica

Graças ao avanço das pesquisas clínicas, as chances de cura do câncer infantojuvenil podem chegar a 90% em países desenvolvidos. Esse cenário só é possível porque, nessas nações, o diagnóstico e o acesso ao tratamento são rápidos e de qualidade.

É consenso que o lugar onde uma criança ou adolescente com câncer vive é determinante no seu prognóstico. Todos os anos, 200 mil nessa faixa etária são diagnosticados com a doença no mundo — 80% moram em países com recursos limitados, onde ocorrem 90% das mortes.

Se observamos o cenário nacional, os dados não são muito diferentes: o câncer é a doença que mais mata crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. Por isso, é urgente desenhar estratégias e implementar ações que possam levar às mesmas taxas de cura de países desenvolvidos.

Mas quais seriam os pontos de partida se trouxéssemos esse desafio global para a realidade do Rio de Janeiro? É preciso implementar o plano de atenção oncológica estadual para fundamentar ações efetivas de combate ao câncer e comprometer todos em torno de uma causa comum. Para assegurar sua implementação, é necessário:

ampliar a capacidade de monitoramento e avaliação por meio do registro de câncer de base populacional e da qualificação dos registros hospitalares, que podem ainda orientar prioridades de investimentos e permitir o monitoramento da sociedade civil, incluindo pais e pacientes;

promover o diagnóstico precoce em todo o estado, com formação dos profissionais e fluxos de referência organizados;

desenvolver protocolos de tratamento nacionais que levem em conta capacidades e realidades locais;

e garantir que crianças e adolescentes sejam tratados apenas em hospitais habilitados, ou seja, com infraestrutura e protocolos específicos, volume de pacientes que garanta a especialidade do serviço e com capacidade de realizar registros de pacientes.

Estes não são desafios apenas do Rio de Janeiro, nem restritos à oncologia pediátrica. Ações como a implementação de planos e a qualificação dos registros teriam impacto imediato também no controle do câncer em adultos. A melhoria do tratamento requer a coordenação de esforços entre governos das esferas federal, estadual e municipal e a criação de mecanismos para integrar a rede e realizar os ajustes necessários à qualificação do sistema.

Parece impossível, mas não é. As políticas de atenção oncológica existem, a sociedade demanda, e os números saltam aos olhos. Resta agora saber quando serão implementadas com qualidade e de forma transparente para que os profissionais de saúde façam a sua parte, os gestores públicos tomem decisões mais assertivas, e a sociedade civil acompanhe e apoie o progresso. Enfrentar com maturidade os avanços e desafios certamente surtirá benefícios concretos para as mais de 12 mil crianças e adolescentes que podem ser atingidas pelo câncer no Brasil todo ano.

É consenso que o lugar onde uma criança ou adolescente com a doença vive é determinante no prognóstico. Todos os anos 200 mil crianças e adolescentes são diagnosticados

Fonte: O Globo

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