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Casos de intoxicação por remédios têm aumento de 45%

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Intoxicação pode ocorrer por diversos motivos, como ingestão de medicamento vencido, ingestão acidental ou em dose maior do que a indicada.

Os casos de intoxicação por medicamentos aumentaram 45% em 2017, isso na comparação com o ano anterior, em Americana. Os registros da Vigilância Epidemiológica saltaram de 75 para 109 no período, de acordo com dados informados pela prefeitura ao LIBERAL. A intoxicação pode ocorrer por diversos motivos, como ingestão de medicamento vencido, interação com outros remédios, ingestão acidental ou em dose maior do que a indicada.

Contudo, o principal problema é a automedicação. A avaliação é da coordenadora de assistência farmacêutica da rede pública de Americana, Daniela Santarosa Domingues. Ela diz que não é possível apontar o que provocou o aumento de casos, mas que a automedicação, em si, tem se agravado com a internet.

“O motivo mais comum é a automedicação, sem dúvida. A gente percebe que o paciente viu que alguém usou um medicamento que fez bem para outra pessoa e ele quer usar. E a Internet para isso foi péssima. As pessoas pesquisam e acham que sabem o que tomar”, disse.

Inadequados

Cerca de 33% dos casos de intoxicação atendidos pelo Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no ano passado envolviam o uso inadequado de medicamentos. Foram 5.420 atendimentos no centro, e 1.822 estavam relacionados a remédios. “Tem aumentado as intoxicações por anticonvulsivantes, remédios para ansiedade, usados como sedativos e que atuam no sistema nervoso central. Hoje, os pacientes com problemas psicóticos graves fazem tratamento em casa, sendo que há 30 ou 40 anos ficavam em hospícios. Então há um acesso maior a esses remédios”, disse o médico Ronan José Viera, do Ciatox.

Sobre a automedicação, ele afirma que os efeitos adversos costumam ser graves do que as demais situações envolvendo intoxicações, porque as doses tomadas são mais baixas. Ele alertou que tomar remédios sem indicação médica pode amenizar sintomas e retardar diagnósticos de doenças mais graves. Ronan explicou ainda que a intoxicação por medicamentos pode provocar diferentes reações, e que os atendimentos realizados pelo Ciatox são para amenizar os sintomas até que os efeitos passem. A prática de lavagem estomacal é utilizada apenas em casos específicos, e tem caído em desuso por sua baixa eficiência para a maior parte dos casos.

Prática é estimulada por falhas na rede

A antiga prática de procurar no balcão da farmácia uma indicação de medicamento pode aumentar a ocorrência de intoxicação por remédios. Segundo a farmacêutica Samantha Nogueira Campaner, que atua em uma rede particular de farmácias, mesmo não sendo estimulada, a prática continua ocorrendo por conta das deficiências do sistema público e a dificuldade em conseguir passar por consultas médicas.

Ela contou que, para diminuir a saída de cartelas de remédios que não precisam de receitas e facilitar o acesso à automedicação, os produtos foram colocados dentro dos balcões. Antes ficavam nas prateleiras, à disposição dos consumidores.. “A gente não apoia a automedicação. Orientamos a consulta com o médico, porque é ele quem tem acesso aos exames. Mas devido à situação da saúde pública e ao difícil acesso aos médicos, os farmacêuticos carregam muito essa carga”, disse a profissional.

Fonte: O Liberal

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