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Vacinar ou não? Sucesso de prevenção reduziu medo de doenças

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Devo dar ou não ao meu filho a vacina contra a coqueluche? Co-o  quê? Você provavelmente não conhece muitas das doenças incluídas do Programa Nacional de Imunizações, e a pergunta que fica é: essas vacinas todas são necessárias? Para o infectologista Guido Carlos Levi, que acaba de lançar o livro “Vacinar, sim ou não?”, a resposta é SIM.

Para o antigo professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a vacina é vítima do seu próprio sucesso. O aumento de imunização reduziu o número de doentes e a percepção da seriedade de algumas delas –como é o caso da coqueluche, do sarampo, da varíola.

Esquecidas do risco representado por essas doenças praticamente extintas, é natural que algumas pessoas passem a se preocupar mais com o risco das vacinas do que com a prevenção que elas representam.”

Guido Levi, infectologista

Ao lado de Gabriel Oselka, o médico acaba de lançar o livro “Vacinar, sim ou não?” (MG Editorres). Nesta entrevista ao UOL, o pesquisador e consultor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde tira dúvidas sobre as vacinas.

UOL: Vacinar, sim ou não?
Levi: 
Com certeza, sim! Os riscos de mortes provocados por doenças como febre amarela, sarampo e varíola são bem superiores aos riscos atribuídos às vacinas, que são as principais responsáveis pelo controle de surtos que chegaram a matar milhares de pessoas.

Cito o estrago da varíola, que chegou a matar cerca de 400 mil pessoas por ano na Europa e, que atualmente, foi praticamente extinta. No ano de 2000, o sarampo atingia cerca de 30 a 40 milhões de pessoas no mundo, com 550 mil óbitos. Era, inclusive, a segunda causa de morte por doença infecciosa na população infantil brasileira. Atualmente, os casos no país são raros.

Em dois séculos, a vacina foi responsável pelo aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida no mundo

UOL: A vacinação é uma decisão individual?

Levi: A Constituição Federal diz que a vacinação é obrigatória. Obrigatoriedade que também é reforçada por leis estatuais e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas você já viu alguém ser punido por não dar vacina aos filhos? Essa falta de punição acaba banalizando a regra e, na prática, a decisão acaba sendo individual.

O que muitos países têm feito é exigir a carteira de vacinação para matricular as crianças em escolas públicas. No Brasil, a sugestão é que as escolas façam o mesmo. Não que a instituição vá negar a matrícula àqueles que não estejam com as vacinas em dia. Mas é um caminho para que os pais dessa criança possam ser procurados e informados sobre a importância dessa imunização, bem como obtê-la gratuitamente.

UOL: Como essa decisão individual pode afetar o coletivo?
Ao dizer não à imunização, você não está apenas colocando em risco a vida do seu filho como também a vida de outras crianças que possam ainda não ter atingido a idade para receber a vacina.

E, assim, você contribui para o ressurgimento de surtos que já tinham sido controlados. É exatamente o que estamos vendo na Europa com o sarampo, uma doença que estava controlada e, agora, voltou a provocar estragos em massa.

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UOL: O que geralmente leva as pessoas a se posicionarem contra vacinas?
Levi: 
A recusa das vacinas pode estar atrelada a questões filosóficas e religiosas. Mas a falta de informação e os boatos negativos acabam influenciando consideravelmente as pessoas. Como foi o caso do falso estudo que relacionou a vacina de sarampo ao autismo, que desde de 1998 tem colocado em xeque a segurança das vacinas. E os prejuízos são permanentes, mesmo depois de ter sido provado cientificamente que a relação era equivocada.

Há ainda o recente caso da vacina contra HPV no Brasil. No primeiro ano da campanha, a aceitação foi excelente, mas depois da suposição de paralisia em algumas meninas do litoral de São Paulo, a adesão caiu consideravelmente.

Menos de 5% da população brasileira não toma vacina, a maior parte dela ligadas às classes A e B+

UOL: O que fazer para diminuir ainda mais esse índice?
Levi: 
A arma mais importante é a informação. A Itália identificou que 5% da sua população não tomava vacina, sendo que em 2% dos casos a recusa eram apenas para algumas vacinas.

Descobriu-se, então, que 70% dos sites locais divulgavam informações contrárias à vacina. A estratégia, portanto, foi criar um site para cada um dos centros regionais de saúde para que eles divulgassem informações simples e completas sobre as imunizações. Em poucos meses, o número de recusas caiu pela metade.

UOL: Qual é o grau de segurança das vacinas?
Levi: Claro que as vacinas –assim como qualquer outro medicamento—não são totalmente desprovidas de possíveis eventos adversos. Em alguns casos, as reações leves [como febres] são até comuns, mas os casos mais graves [que podem levar a morte dos vacinados] são muito raros.

É importante ressaltar que uma vacina antes de entrar no mercado passa por cerca de 10 anos de estudos, experimentos em ratos, primatas, com pequeno número de voluntários e, por fim, com um grupo maior de cobaias humanos. E, mesmo depois de entrar no mercado, o monitoramento de segurança continua. Ou seja, a segurança é bastante grande, sem contar na eficiência –que, em geral, chega a ser superior a 90%.

UOL: Quando uma reação é considerada normal? E quando ficar preocupado?
Levi:
 Para cada vacina, há seus efeitos colaterais previstos. A tríplice, por exemplo, pode dar febre no dia ou no dia seguinte à vacinação. Mas uma convulsão seria algo a se preocupar. No caso da febre amarela, a febre baixa também pode aparecer nos dias seguintes à imunização. Mas o amarelamento da pele e sangramento não são esperados. É fundamental se informar dos possíveis efeitos colaterais, até porque uma pessoa informada só se preocupa com o que foge do esperado.

Até 2 anos de idade, a criança recebe 20 injeções com mais de 30 vacinas diferentes

UOL: O excesso de vacinas pode sobrecarregar ou enfraquecer o sistema imunológico de uma criança?
Levi:
 Estudos apontam que mesmo que uma criança recebesse 11 mil vacinas em um único dia o sistema imunológico ainda não seria sobrecarregado. Não há porque se preocupar. O que pode acontecer é o enfraquecimento nos dias seguintes a aplicação da vacina, mas nada que possa comprometer a saúde da criança e que exija cuidados especiais. É algo sem peso clínico.

UOL: Há diferenças nas vacinas aplicadas pela rede pública e privada?
Levi: 
As diferenças variam de acordo com as vacinas. Com diferenças na composição, a vacina da coqueluche aplicada na rede privada acaba tendo menos efeito colateral, mas o custo elevado acaba inviabilizando a sua inclusão na rede pública. Mas a eficiência é a mesma. Existem pequenas diferenças, mas as vacinas do Programa Nacional de Imunização são de muita qualidade.

Fonte: UOL

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