Remédios biossimilares oferecem novas alternativas para tratar enfermidades importantes

Terapia de ponta no combate a doenças como diabetes e câncer, medicamentos biológicos ganham a companhia dos biossimilares, alternativa menos cara para tratamentos complexos

 

Cidade do Panamá – Não é possível comparar os medicamentos biossimilares aos genéricos. Isso porque, além de desenvolvidos a partir de células vivas e não sintetizadas em laboratórios, como as drogas comuns, não são cópias idênticas do original – impossível “xerocar” moléculas tão complexas. No entanto, na lógica referente ao custo final, um e outro são, sim, comparáveis, e a notícia de que vêm chegando ao Brasil depois da queda da patente dos biológicos inovadores (nome dado à droga referência), com redução média de até 30% no custo frente ao original, é motivo para celebração entre comunidade médica e pacientes.

“Desenvolvidos a partir de células vivas, por meio das mais modernas e complexas técnicas de biotecnologia, os medicamentos biológicos têm elevado valor agregado. Vale destacar que os biossimilares, por ser bioequivalentes aos biológicos originais, têm o potencial de expandir o alcance a esses importantes medicamentos em muitos países e oferecer novas opções de tratamento que atendam às necessidades dos pacientes, além de contribuir para o equilíbrio financeiro dos sistemas de saúde”, explica Eurico Correia, diretor médico da Pfizer, indústria farmacêutica que promoveu o seminário latino-americano Biológicos e biossimilares, no mês passado, na capital do Panamá, com o objetivo de informar jornalistas de diversos países a respeito do tema.

 

Apesar de serem considerados o míssil dos medicamentos, devido à precisão com que agem no combate a diversas doenças, preservando as áreas sãs (ao contrário de terapias convencionais contra o câncer, por exemplo), os biológicos e biossimilares ainda são desconhecidos pela população em geral, uma vez que seu uso se dá apenas em casos bem específicos e em tratamentos de alta complexidade. Uma das razões é o custo elevado para os sistemas de saúde.

No entanto, com a entrada dos biossimilares no país, a partir de 2016, a tendência é de que um alcance maior torne esse tipo de terapia mais conhecida e usada no tratamento de doenças, como diversos tipos de câncer, renais, hematológicas, gastrointestinais, inflamatórias, cardiovasculares e autoimunes, a exemplo da artrite reumatoide. “Os medicamentos biológicos surgiram a partir do domínio da técnica do DNA recombinante, nos anos 1970. Essa tecnologia permite cortar genes, recombinar pedaços de diferentes fontes e transferir o novo gene a uma célula hospedeira. O primeiro produto farmacêutico desenvolvido por meio dessa técnica foi a insulina humana, em 1982”, lembra Correia.

O médico revela, ainda, que, nas últimas três décadas, os medicamentos biológicos assumiram papel de extrema importância no tratamento de muitas doenças que não podiam ser tratadas por meio dos medicamentos sintéticos. “Atualmente, é possível produzir biológicos altamente específicos e dirigidos a qualquer alvo molecular, como marcadores de células cancerosas, substâncias endógenas, enzimas e receptores. Os anticorpos monoclonais, por exemplo, são capazes de localizar e neutralizar processos patológicos com elevada precisão, podendo marcar ou destruir células tumorais, inativar enzimas, ligar ou desligar funções fisiológicas. Assim, estamos falando em um leque ampliado de opções de tratamento para enfermidades de elevada prevalência e forte impacto social.”

Referência
Na América Latina, o Brasil foi pioneiro na criação de legislação para os biossimilares, em 2010 (Resolução 55 da Anvisa). Já o mercado europeu tem larga experiência na utilização dos biossimilares, alternativa que representa redução de 30% no custo, em média, em relação ao biológico original. “A forma de comercialização varia de acordo com o tipo de produto. Biológicos simples, como a insulina humana, por exemplo, podem ser adquiridos na rede de farmácias. Aqui, o SUS fornece uma série de medicamentos biológicos por meio das farmácias de alto custo, principalmente para doenças oncológicas e enfermidades autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus e espondilite anquilosante”, cita o médico.

E o que vai mudar com a chegada dos biossimilares ao Brasil? Ainda segundo o médico, desde já, o paciente deve saber que terá a seu dispor medicamentos sofisticados, desenvolvidos a partir de alta tecnologia, que oferecem novas alternativas para o tratamento de enfermidades importantes, como o câncer. “Como a biotecnologia integra a plataforma de pesquisa de boa parte dos laboratórios, a tendência é a ampliação da oferta de medicamentos biológicos e vacinas nos próximos anos. No caso dos biossimilares, esse crescimento deverá ser bastante expressivo, considerando que esse tipo de medicamento chegou ao mercado brasileiro há pouco tempo. Na União Europeia, por exemplo, já são mais de 40 biossimilares licenciados. A Associação Internacional de Medicamentos Genéricos e Biossimilares estima que, na última década, mais de 700 milhões de europeus se beneficiaram dos medicamentos biossimilares”, avisa.

 

Três perguntas para…

Valderílio Feijó Azevedo médico reumatologista, coordenador do Fórum Latino-americano de Biossimilares 

 

1) Por que os biológicos são considerados medicamentos revolucionários?

Há três décadas, os medicamentos biológicos, também chamados de biofármacos, desencadearam verdadeira revolução no tratamento do câncer, das doenças autoimunes e de outras enfermidades de grande impacto para a saúde da população. Englobam produtos heterogêneos, como vacinas, hormônios, fatores de crescimento, fatores de coagulação e trombolíticos (drogas que dissolvem os coágulos sanguíneos). Também inclui os anticorpos monoclonais, que funcionam como verdadeiros mísseis teleguiados: localizam e neutralizam processos patológicos com grande precisão. Assim, podem marcar ou destruir células tumorais, inativar enzimas e ligar ou desligar funções fisiológicas.

2) Qual é a importância da chegada dos biossimilares ao mercado brasileiro?

Cópias autorizadas dos biofármacos, desenvolvidas depois da expiração das patentes dos produtos de referência, representam importante estratégia para a sustentabilidade dos sistemas de saúde, já que têm custo menor que os originais. Os biossimilares, ao ampliar o alcance dos pacientes a tratamentos de elevada complexidade, estão entre os segmentos mais importantes e promissores para a saúde da população.

3) O que representa em termos de saúde da população?

A experiência internacional mostra que o lançamento dos biossimilares pode trazer vários benefícios. Ao aumentar a concorrência no mercado, esses produtos podem contribuir para induzir a queda de preço do produto de referência e, por vezes, de sua classe de medicamentos. Foi o que ocorreu na União Europeia, que já conta com mais de 20 biossimilares licenciados e, em 2016, comemora 10 anos do ingresso desses medicamentos em seu mercado.

Fonte: Portal UAI

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