fbpx

Toxina está sendo usada para tratamento de Alzheimer

99

A toxina do sapinho pingo-de-ouro está sendo usada para o tratamento de alzheimer. É apenas uma das substâncias encontradas em sapos, rãs e pererecas, chamados de anfíbios anuros, que podem podem ser utilizadas para desenvolvimento de medicamentos, mostra a pesquisa do professor Mauro Lima, Mauro Lima, diretor do Campus Universitário Amílcar Ferreira Sobral, da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), de Floriano, em sua pesquisa sobre a Bioacústica dos Anfíbios Anuros do Centro-Sul do Piauí, que resultou em livro e em um álbum.

Ele diz nos anfíbios anuros existe um grande potencial farmacológico nas diversas secreções produzidas pelas glândulas cutâneas das espécies.

“Existe, por exemplo, um estudo sendo feito com a toxina de Brachycephalus ephippium (sapinho-pingo-de-ouro) para o tratamento do alzheimer. Outros exemplos são: substâncias que aumentam a imunidade, colas cirúrgicas, tratamento para diabetes, câncer, antifúngicos e substitutos para a morfina, etc. Entretanto, o conhecimento sobre a anurofauna neotropical é incipiente, mais ainda quando abordamos as regiões de Cerrado e Caatinga”, afirmou o professor Mauro Lima

Mauro Lima é um dos autores do livro “Bioacústica dos Anfíbios Anuros do Centro-Sul do Piau, lançado pela Universidade Federal do Piauí.

Ele afirma que os anfíbios são importantes predadores de invertebrados, muitos desses podem ser pragas agrícolas, vetores de doenças aos humanos e suas criações.

O professor e pesquisador Mauro Lima informou de que existe a hipótese de que o surto de febre amarela que está acontecendo tenha surgido com o declínio local dos anuros, devido ao desastre de Mariana, fato de difícil comprovação, mas perfeitamente plausível porque além deles próprios serem importantes fontes de alimento para outros animais na teia alimentar, se alimenta de moscas, mosquitos e gafanhotos.

“A falta desse elo pode causar um sério desequilíbrio como o aumento de pragas e vetores, como moscas, mosquitos e gafanhotos, e uma diminuição de espécies predadoras ou mesmo mudança dessas para o meio urbano em busca do alimento que antes era suprido pelas populações de anuros”, afirma o professor Mauro Lima.

Os sapos são muito vulneráveis a mudanças climáticas e quase metade das espécies estão ameaçadas de extinção, por causa da diminuição da biodiversidade e da ação descuidada do homem, fatores que interferem na diversidade como um todo.

“Os anfíbios são especialmente vulneráveis a pesticidas e fertilizantes usados em larga escala e que são lixiviados para corpos hídricos. A perda de hábitat é outro importante fator, se não o principal, no declínio de anuros. Desflorestamentos, invasão de áreas de proteção permanente como matas ciliares, drenagem de brejos para formação de pastagens e plantios diversos, além de prejudicarem a própria qualidade e quantidade de água, elimina importantes hábitats desse grupo. O que é uma via de mão dupla, uma vez que os anfíbios, como dito antes, são importantes controladores de pragas agrícolas. Logo, seu declínio, e mesmo eliminação de muitas espécies menos resistentes, pode levar ao ciclo vicioso e financeiramente inviável de se usar mais e mais agrotóxicos”, afirmou Mauro Lima.

Além disso, o fator cultural também contribui para que a queda desses animais se acentue ainda mais, pois os anfíbios são ainda considerados animais nojentos pela maioria da população.

A pesquisa sobre a Bioacústica dos Anfíbios Anuros do Centro-Sul do Piauí, traz o registro de 30 espécies e seus respectivos cantos que ajudará no preenchimento dessa lacuna.

Para Mauro Lima, o livro traz a possibilidade de ser utilizado de forma lúdica na educação formal das séries iniciais de forma a criar nos futuros adultos empatia com um grupo tão importante e, ainda assim, discriminado.

“Afinal, uma pessoa que é capaz de romper esse preconceito e lutar pela preservação de um sapo, será um grande conservacionista de toda a megadiversidade que temos no Brasil. Além disso, o canto dos anuros é uma importante ferramenta de identificação das espécies. Podendo ser útil, por exemplo, no monitoramento de espécies em cumprimento à legislação ambiental de instalação de empreendimentos potencialmente poluidores, falou Mauro Lima.

A pesquisa foi sobre sapos, rãs e pererecas, que representam as espécies da ordem Anura e foram encontradas 35 espécies de anfíbios distribuídas em 15 gêneros e seis famílias no centro-sul do Piauí.

O professor e pesquisador Mauro Lima informa que os anfíbios, concentram suas atividades reprodutivas durante os meses de chuva, condição essencial para animais de pele permeável. Devido à própria condição ambiental da região, com períodos de chuva concentrados entre os meses de novembro a março, as espécies que ocorrem no Piauí possuem comportamento de reprodução explosiva, isto é, muitas espécies se concentram em poucas noites na atividade reprodutiva ficando inativas durante o período de estiagem.

Muitas espécies mais generalistas também ocorrem na região, sendo encontradas durante toda a época das chuvas. Durante a estação seca os sapos, rãs e pererecas ficam escondidos em tocas sob o solo onde as condições de umidade e temperatura permitem sua subsistência até que possam voltar à atividade.

Para Mauro Lima, as vocalizações são importantes para evitar que espécies diferentes se acasalem, formando híbridos.

As vocalizações integram parte da interação intraespecífica das espécies. Apenas os machos vocalizam, sendo o tipo de canto mais comum aquele usado pelo macho para atrair fêmeas durante o período reprodutivo. Esse canto serve para a fêmea avaliar e escolher um macho entre outros que vocalizam no coro. Essa escolha é feita a partir de atributos do macho que o canto pode transmitir, como tamanho e vigor que denotam a qualidade genética do indivíduo.

O canto de cada espécie é específico, ou seja, a fêmea só consegue reconhecer o canto de sua espécie e por ele é atraída, o que serve como um isolamento reprodutivo que diminui a chance de cruzamento entre espécies distintas. o que pode representar, na verdade, perda de esforço e energia.

O professor e pesquisador relata que, o canto mais comum serve à atração de parceiras para reprodução, mas existem outros tipos de cantos, como o canto de agonia, emitido quando o indivíduo sente-se acuado ou está sendo vítima do predador; o canto territorial, onde um macho informa a outro que invadiu seu território; e o canto de chuva, emitido antes de chuvas esporádicas, mesmo que fora do período reprodutivo e de função não conhecida.

Fonte: Meio Norte

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar

Política de privacidade e cookies