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Sem medicamentos essenciais há três semanas, transplantados do AM protestam

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Após três semanas enfrentando a escassez de medicamentos essenciais, um grupo de transplantados renais realizou na manhã desta quinta-feira (3) uma manifestação em frente à sede da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), localizada na rua Duque de Caxias, no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus.

O desabastecimento de imunossupressores como Tracolimus e Sirolimus – drogas que evitam rejeição ao órgão transplantado -, tem deixado transplantados apreensivos, pois a falta dos remédios pode levar à morte. É o que diz Maria de Nazaré Pinto da Silva, membro da Associação dos Transplantados Renais do Amazonas (Atra).

De acordo com Maria de Nazaré, alguns pacientes chegaram a fracionar a medicação na esperança de que a Cema fosse reabastecida a tempo. “Antes estava em falta o Sirolimus. Praticamente 80% dos pacientes renais toma Tacrolimus, que agora está começando a ficar escasso também. Não são só renais, é remédio que transplantados em geral precisam”, enfatizou.

Ela contou que a entidade já pediu providências junto ao Ministério Público e Procuradoria Geral, além de ter contatado a própria Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e a Cema. “Nos informaram que não há previsão para chegada. É absurdo o paciente, que tem que tomar três doses, chegar a tomar apenas uma, para não ter de ficar sem remédio”, disse Nazaré, que também é transplantada.

Na manhã da próxima segunda-feira, pacientes transplantados em geral devem se unir para mobilização em frente à sede do Governo do Estado, na avenida Brasil, bairro Compensa, na Zona Oeste, para pedir um posicionamento à nova gestão do Executivo.PUBLICIDADE

Em nota, a Cema, através da Susam, informou que desde 26 de dezembro os medicamentos imunossupressores estão em falta em todo o Brasil, mas tem previsão de chegada para a próxima quinta-feira, 10 de janeiro. A nota informa ainda que o Ministério da Saúde é responsável pelo fornecimento dos remédios, que são disponibilizados por meio do Programa Estadual de Medicamento Especializado (Proeme), e tem compra realizada exclusivamente pelo Ministério da Saúde.

Desabastecimento

O novo governador, Wilson Lima (PSC), disse durante a divulgação da comissão de transição na última quarta-feira (02), que atualmente chega a 45% o desabastecimento da Cema. Além da baixa no estoque, o chefe do Executivo afirmou que fornecedores da área da saúde estão há seis meses sem os vencimentos.

Segundo o governador, a área da saúde acumula o maior volume da dívida orçamentária, da ordem de R$ 569 milhões, sendo R$ 180 milhões com cooperativas médicas e R$ 60 milhões com a Parceria Público-Privada do Hospital da Zona Norte. O cenário é também preocupante porque traz risco de interrupção na prestação de serviços e fornecimento de insumos e medicamentos nas unidades de saúde no Estado.

Renais

Em outubro deste ano, a Susam ampliou o atendimento do serviço de hemodiálise para 200 pacientes renais crônicos. Outras 180 vagas devem ser abertas para abranger a demanda.  

Fonte: A Crítica

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