Farmacêutica cria marca de cosméticos naturais

Foto Eduardo Montecino/OCP News

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Você já parou para pensar no efeito que cada creme, xampu ou perfume usado pode causar no organismo?

Um hidratante para as mãos com essência de bergamota, por exemplo, pode influenciar o seu emocional e não apenas deixar a pele mais macia e saudável. A fragrância da fruta tem poder de relaxar a mente e o coração e ainda levantar a autoestima.

Os benefícios que cada folha, fruta ou raiz que a natureza reserva são incontáveis e surpreendentes. Estes fatores, ligados às novas demandas do consumidor, estão fazendo o mercado de cosméticos naturais ganhar força no Brasil e também na região de Jaraguá do Sul.

Os produtos se destacam principalmente pelos valores éticos que abraçam porque são sustentáveis, dispensam os testes em animais e usam ingredientes que podem ser encontrados em um simples passeio pela mata.

Eles são planejados considerando todo um ciclo da cadeia, diferente dos cosméticos tradicionais que, por conterem substâncias sintéticas, poluemo meio ambiente após serem eliminados pela água durante o banho ou, até mesmo, espalhados pelo ar no momento da aplicação.

A farmacêutica jaraguaense Viviane Nart se identificou com este nicho de mercado por causa de gostos que carrega desde pequena.

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“Sempre gostei da natureza, de estar em contato com ela, fazer trilhas, conhecer”, aponta. Viviane já queria abrir uma marca de cosméticos e não teve dúvidas na hora de focar no segmento dos naturais. A principal motivação foi promover a sustentabilidade.

Com o nome inspirado em “A natureza é viva”, a jaraguaense criou a Anevi Cosméticos em 2017. A empresa desenvolve produtos que contêm óleos essenciais e extratos vegetais que trazem benefícios e hidratam a pele, além dos aromas que estimulam sentidos, memórias e reações físicas.

Os produtos não são testados em animais e também não contém substâncias de origem animal, são livres de parabenos, sulfatos, corante e fragrância sintéticas, polietileniglicol, glúten, cloreto de sódio, silicone e derivados do petróleo.

A marca produz hidratante para as mãos, xampu, óleo rejuvenescedor facial e óleo de massagem. Os itens são 100% ou 98% naturais e com derivados naturais.

“Nos cosméticos são usados óleos essenciais que tratam a questão física e emocional das pessoas. O cliente vai usar o xampu de alecrim, por exemplo, que fortalece os fios, mas também melhora a memória e concentração e alivia dores de cabeça”, comenta Viviane.

A farmacêutica avalia que as pessoas estão procurando mais por produtos naturais, seja pela sustentabilidade ou porque tiveram reações alérgicas aos cosméticos tradicionais.

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“É um mercado que vem crescendo. No fim do ano passado abriu uma loja em Jaraguá de produtos orgânicos e veganos, nós revendemos lá também”, explica.

Além do estabelecimento, a marca Anevi comercializa seus itens em farmácias, pelo WhatsApp e pelo site.

A empresa já está presente em cidades do litoral Norte catarinense, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os produtos são fabricados em Jaraguá e Brusque.

A própria Viviane é quem faz as formulações e as pesquisas de bases e extratos. “Passo horas buscando óleos essenciais e seus benefícios.

Tem que testar a consistência do produto, se vai ficar parecido com o que existe no mercado e manter as características sustentáveis, são algumas variáveis”, observa.

A farmacêutica está trabalhando na criação de um desodorante e condicionador. Outro objetivo dela é encontrar uma fragrância mais doce para o hidratante das mãos, que atualmente é com óleo essencial de bergamota. “É um cheiro mais cítrico e as pessoas costumam gostar dos mais doces”, relata.

Todos os produtos são biodegradáveis. Segundo Viviane, um dos pontos que ainda precisa ser desenvolvido neste mercado é o custo dos produtos, que acaba sendo maior porque não são fabricados em grande escala e contêm matérias primas naturais.

Abertura para produtos motiva abertura de loja

Desde o fim do ano passado, Jaraguá do Sul conta com uma loja exclusiva de produtos veganos e orgânicos, onde também são comercializados os produtos de Viviane. A responsável pelo empreendimento é Rejane Fonseca Nunes.

Quinze anos atrás, a empreendedora já tinha interesse em apostar no mercado de orgânicos para cuidados com o corpo, mas ela acabou desistindo por não sentir tanta abertura para este segmento na época.

Foto Divulgação

Em 2017, ela retomou o sonho de oferecer produtos mais naturais para a região. Para Rejane, o mercado acompanha uma mudança de consciência e um olhar mais voltado para a saúde e meio ambiente.

“As pessoas estão percebendo que esta é uma responsabilidade nossa, estão questionando tudo o que consomem”, comenta.

A Acalanto Beleza Vegana trabalha com marcas regionais e locais. Segundo Rejane, muitos jovens engajados levam os pais para a loja e apresentam as novas opções de produtos.

“O mercado de orgânicos se movimenta na medida que as pessoas se conscientizam”, define.

Mercado movimenta bilhões por ano

Se a afinidade dos brasileiros com produtos de beleza já era bem conhecida mundo afora, a tendência é que este segmento se destaque ainda mais nos próximos anos devido aos cosméticos naturais.

Eles atendem desejos específicos de uma parcela da população, consciente sobre os impactos dos produtos tradicionais ao meio ambiente e animais.

De acordo com analistas, o mercado de orgânicos movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano no Brasil, com projeção de crescimento anual de 20%. A nível mundial, segundo relatório da Grand View Research, o mercado orgânico de cuidados pessoais deverá atingir US$ 25,11 bilhões até 2025.

No ano passado, nas feiras Natural Tech e Bio Brazil Fair, de produtos naturais e orgânicos, 1.500 itens de marcas diferentes foram lançados.

Nesta área, os produtos para a pele representam a maior oportunidade: eles são responsáveis por 31% do faturamento. Produtos para cabelo aparecem na segunda posição.

O país é o terceiro que mais produz cosméticos e itens de cuidados pessoais no mundo, com previsão de atingir a segunda posição até 2020, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Na avaliação da Ecovia Intelligence (antiga Organic Monitor), o Brasil e toda a região sul-americana tornaram-se uma importante fonte de ingredientes orgânicos, mas a participação de mercado para cosméticos naturais permanece pequena.

Já a pesquisa “A percepção dos consumidores brasileiros sobre cosméticos sustentáveis”, realizada pelo portal especializado Use Orgânico, mostra que 64% dos participantes acreditam que cosméticos orgânicos são melhores que os convencionais.

Segundo o levantamento, 48% das pessoas se sentem mais atraídas por um determinado produto se a fórmula possuir ingredientes naturais, e 21% deles dá mais valor a itens de beleza com menos aditivos químicos.

E é justamente aí que os orgânicos ganham pontos: por utilizarem matérias primas certificadas e, principalmente, serem livres de agrotóxicos e aditivos químicos.

Tais produtos sobem no conceito do consumidor mesmo que ele jamais tenha utilizado quaisquer itens dessa procedência.

Inclusive, para 45% deles, produtos orgânicos são a solução para uma vida mais saudável e sustentável. Aproximadamente 23,2% dos brasileiros compram produtos por razões naturais.

Fonte: OCP News

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