fbpx

Paciente acusa médium de prescrever medicamentos na BA

171

Uma paciente, que não teve a identidade revelada, procurou a polícia de Barreiras, no oeste da Bahia, para denunciar por lesão corporal o médium Antônio Miguel Rodrigues, de 55 anos, investigado pelas mortes de três pessoas após cirurgias espirituais. Segundo o delegado José Romero, a vítima entregou uma receita médica, uma seringa, agulhas e medicamentos na delegacia da cidade.

“A vítima ouvida hoje [quarta-feira, 9], teve uma lesão corporal grave, teve uma infecção muito séria por causa desse tratamento espiritual. Ela nos relatou que houve o tratamento invasivo. Ele fez cortes, usou um bisturi, prescreveu essa medicação para ele, e tem uma coisa aqui, planta medicinal. Tem uma medicação injetável que só pode ser vendida com prescrição médica”, relatou o delegado.

A vítima de lesão corporal revelou que, além da receita médica, Antônio Miguel Rodrigues também prescrevia uma alimentação pós-operatória, como continuação do tratamento.

“Após o tratamento ele passava esse medicamento para continuar o tratamento com essa medicação. Essa vítima de lesão corporal tem essa receita. A vítima que foi a óbito, uma senhora, tinha também receita dele. Tinha também uma prescrição de uma alimentação após a cirurgia. Eles tomavam uma sopa e depois era vendido um tempero para continuar fazendo essa sopa em casa, continuando o tratamento”, explicou José Romero.

Antônio é investigado por duas mortes na Bahia e uma em GoiásEle se apresentou à polícia goiana no último sábado (5) para responder sobre os casos ocorridos no nordeste. Ele ainda prestará um novo depoimento sobre o terceiro caso.

Remédios, seringas e receita foram apresentados — Foto: Andréa Silva/TV Bahia

Remédios, seringas e receita foram apresentados — Foto: Andréa Silva/TV Bahia

A filha do médium Pollyana de Souza Rodrigues Andrade negou, na terça-feira (8), em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana de Goiás, o uso de cortes e medicamentos durante os tratamentos realizados pelo pai.

“Não existe cortes nas cirurgias, as cirurgias são espirituais. Não havia uso de medicamento, não havia indicação de medicamento. [As mortes] não têm nenhuma ligação com o tratamento espiritual. Isso eu acredito, tenho certeza e vai ser provado”, afirmou.

O delegado José Romero informou que familiares de uma das vítimas também apresentaram receita médica prescrita pelo médium.

De acordo com o delegado, o médium cobrava pelas consultas, cirurgias e medicamentos. “A consulta era paga, a cirurgia era paga, a medicação era paga, tudo tinha a cobrança pecuniária desse tratamento que era feito lá”, contou.

Suposto médium Antônio Miguel Rodrigues suspeito de homicídios após cirurgias espirituais se apresenta à Polícia Civil em Goiás  — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Suposto médium Antônio Miguel Rodrigues suspeito de homicídios após cirurgias espirituais se apresenta à Polícia Civil em Goiás — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Ainda segundo José Romero, as testemunhas ouvidas até o momento revelam o uso de bisturi e de seringas nos procedimentos. O centro onde os tratamentos eram realizados não tinha condições higiênicas.

“Todas confirmam essa mesma história. O pagamento da consulta, o pagamento do tratamento, que havia sim a incisão, ele usava, cortava”, disse Romero.

“O local não era um local apropriado, a perícia de vigilância sanitária já esteve lá. Também tem denúncia de que era vendido alimentação lá. A higienização local não era apropriada para esse tipo de tratamento espiritual porque havia a incisão. O tratamento era invasivo”, completou o delegado.

Suspeito também prescrevia receitas médicas — Foto: Andréa Silva/TV Bahia

Suspeito também prescrevia receitas médicas — Foto: Andréa Silva/TV Bahia

A vítima também revelou para o delegado que uma vereadora, identificada como Isabel Rosa, sabia do tratamento com a utilização de medicamento e cedia o espaço para que Antônio Miguel Rodrigues realizasse os tratamentos na cidade.

“A vereadora que cedia o local sabia disso, ela participava disso. Essa testemunha disse que conhece essa vereadora, que colocou ele na fila, deu a senha a ele, participava sim. Não é em relação ao tratamento em si, mas cedia o local e fazia participação na parte das vendas dos alimentos e o tempero para continuar o tratamento”.

Isabel Rosa negou responsabilidade sobre o caso durante o depoimento prestado na tarde desta quarta-feira (9), no Complexo Policial de Barreiras. De acordo com o delegado José Romero, a vereadora contou que apenas disponibilizava o espaço para o médium e se colocou à disposição para colaborar com as investigações.

A vereadora também negou as acusações dos familiares do paciente de que recebia parte do dinheiro para abrigar o médium.

Mortes

Vanderluce morreu após suposta cirurgia espiritual  — Foto: Reprodução/TV Oeste

Vanderluce morreu após suposta cirurgia espiritual — Foto: Reprodução/TV Oeste

O médium Antônio Miguel Rodrigues é investigado pela morte de Vanderluce Soares dos Santos, de 42 anos, que chegou a ficar um mês internada, Arnaldo Domingos dos Passos, 78, e por ter causado lesões graves em Mário Joaci Pereira Rocha, 71.

No depoimento sobre esses casos, Antônio negou qualquer erro nos procedimentos e disse acreditar que as mortes são “suposições de pessoas, aproveitando de uma boa situação financeira” dele com o intuito de receber uma “possível indenização reparatória”.

Já a polícia de Goiás, investiga a morte de Raimunda Matos de Souza, de 55 anos, ocorrida em 2015, no Centro Espirita Bezerra de Menezes, de responsabilidade de Antônio.

O filho dela, Cleiton Matos Souza, disse que a mãe foi tratar de uma pedra na vesícula. Ela já tinha passado pela cirurgia espiritual e aguardava para ser atendida em um retorno quando morreu, duas semanas depois, devido a uma parada cardíaca.

Fonte: G1

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar

Política de privacidade e cookies