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Farmacêutico se reinventa frente à inovação tecnológica

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Uma carreira em constante evolução. Seja pelos desafios da incorporação de novas tecnologias, seja em função da própria ampliação da sua área de atuação, o profissional de farmácia teve que se reinventar. Para celebrar o Dia do Farmacêutico, comemorado em 20 de janeiro, ouvimos a opinião de presidentes e coordenadores de diversas entidades ligadas ao setor sobre o papel do farmacêutico nesse cenário de mudanças.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Marcos Machado, o profissional saiu de trás do balcão e expandiu suas atividades. “Com a expansão da farmácia clínica e das salas de serviços farmacêuticos, ele deixou de lidar apenas com o medicamento e passou a dar atenção à saúde do paciente”, analisa Machado.

É a mesma opinião do CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto. Segundo ele, o farmacêutico está cada vez próximo do consumidor e posiciona-se como um personagem estratégico na desafiadora tarefa de estimular o acesso à saúde no país. “Trata-se de um especialista que utiliza suas competências a serviço de uma proximidade maior com o paciente, agregando mais valor à sociedade com ações preventivas na detecção de riscos e influenciando hábitos mais saudáveis”, afirma Barreto.

Avanço tecnológico muda a forma de atuação do farmacêutico

Para Cassyano Correr, coordenador do programa de Assistência Farmacêutica Avançada da Abrafarma, o farmacêutico de 2019 é, mais do que nunca, um profissional de saúde especializado no cuidado das pessoas e com foco na adesão ao tratamento. “Ele está redescobrindo seu papel no Brasil, ao mesmo tempo em que as novas tecnologias estão moldando e ampliando seu campo de atuação”, ressalta.

Machado, presidente do CRF-SP, também partilha desse pensamento em referência aos impactos dos avanços tecnológicos. “Temos o exemplo dos testes laboratoriais rápidos (TLR), que têm a capacidade de diagnosticar algumas doenças em apenas 24 horas. Hoje, temos mais de 600 aplicativos em desenvolvimento na área da saúde”, ressalta.

Segundo ele, a grande preocupação e urgência está em como fazer para normatizar e regulamentar o uso destas  tecnologias. “Ano passado, a Anvisa  informou que criou um departamento específico para acompanhar essas novas tecnologias e que estão buscando ser ágeis na devolução de uma resolução sobre o assunto, mas ainda estamos aguardando”, desabafa. De acordo com Machado, os testes rápidos estão sendo discutidos há mais de três anos. “Precisamos de uma reposta mais rápida, pois o avanço tecnológico, assim como o mercado não esperam. Eles, na verdade, impulsionam o serviço”, afirma.

Já para Marco Fiaschetti, diretor executivo da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), a profissão tem tudo para se tornar uma das grandes carreiras do futuro com o advento da farmacogenética e a promessa de tratamentos personalizados de acordo com o mapeamento do DNA. “Junto com a individualização, deve-se ressaltar que a longevidade da população também fortalece a carreira, já que o farmacêutico é fundamental para a saúde do idoso. Somos o único setor capaz de oferecer o tratamento personalizado que é tão importante nessa faixa etária”, ressalta o executivo.

O presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia, acredita que o mercado só está apto para os profissionais que realmente se preocupam com o que acontece no ambiente da farmácia, sabendo adequar às novas tecnologias contribuindo para a melhoria da saúde pública.

O farmacêutico e a indústria

Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), entende que o farmacêutico é uma peça fundamental no desenvolvimento da indústria farmacêutica. “Essa relevância não irá mudar nem com a revolução tecnológica ou com as tecnologias que possam ser incorporadas aos nossos processos. Afinal, o discernimento que advém do conhecimento humano não será substituído pelas máquinas. Temos a certeza de que, nos próximos anos, o farmacêutico continuará sendo fundamental para o desenvolvimento de novos fármacos e de novos produtos para a indústria”, ressalta.

Capacitação profissional

A farmácia é uma das dez profissões com as maiores taxas de ocupação do Brasil, ao figurar como a terceira com o maior número de contratações formais em 2018. Segundo Walter da Silva Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), desde 2012 a entidade vem investindo em iniciativas que resgatam o farmacêutico como protagonista do cuidado à saúde, principalmente a comunitária. “Na medida em que assume a sua autoridade técnica dentro do estabelecimento, ele se torna mais respeitado e, consequentemente, mais necessário à sociedade”, ressalta.

São cerca de 220 mil farmacêuticos inscritos nos Conselhos Regionais e o Brasil detém ¼ de todos os cursos de graduação do mundo. “São colocados 18 mil novos farmacêuticos no mercado por ano e, para respaldar ainda mais a atuação clínica, lançaremos em breve um glossário de termos farmacêuticos em Libras”, afirma. Um grupo de trabalho será constituído por farmacêuticos especialistas, intérpretes e pessoas com surdez, para mapear os sinais já existentes e criar outros, de modo a identificar termos farmacêuticos ainda desconhecidos na língua de sinais.

“Hoje, o farmacêutico não sai da faculdade apenas tendo feito o curso de graduação com conhecimento para atuar em todas as áreas. Ele precisa se especializar principalmente em função da velocidade da informação. O paciente já vai munido com tudo o que pesquisou na internet quando chega à farmácia. O profissional precisa estar atualizado para poder responder de forma satisfatória”, explica Marcos Machado.

De acordo com chefe do departamento de assuntos regulatórios do Sincofarma, Juan Carlos Becerra Ligos., a graduação é,  antes de tudo, uma autorização que a sociedade nos dá para cuidar de pessoas. “A dinâmica do varejo farmacêutico exige a introdução der novas formas de servir e atender as necessidades dos pacientes, além da constante adequação das grades curriculares das instituições de ensino, que deve acompanhar essa evolução”, ressalta Ligos.

Segunde o executivo, a farmácia deverá passar de uma simples entregadora de caixinhas ou comercializar produtos de marketing para a indústria, para virar um estabelecimento de monitoramento da saúde das pessoas (como a pressão arterial, glicemia, além de outros serviços). “O farmacêutico deverá transformar estes dados em informações para os próprios pacientes e demais profissionais da saúde; capacitando-os a tomar decisões corretas”, afirma.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

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3 Comentários
  1. José Rubens Ortega diz

    Sem dúvidas, o farmacêutico sai de uma obscuridade de uns 15/20 anos atrás e será realmente como diz a matéria o protagonista em cuidados da saúde e por isso saúdo as entidades que vem lutando bravamente para que esse reconhecimento lhes fosse dado, ou seja, um fator determinante, não só, sobre os fármacos, como também, com todos os cuidados que nós os pacientes necessitamos. Vejo positivamente esses avanços e torço para que essa integração entre todas as partes envolvidas sejam beneficiadas com esse progresso continuo. O farmacêutico nos dias atuais volta a ser imprescindível! Abraços a todos os farmacêuticos do Brasil e amanhã dia 20 de janeiro, façam festa mesmo, pois vocês merecem todo o respeito da sociedade brasileira!

  2. Rosane Alves Fernandes diz

    Sou farmacêutica e estou satisfeita com a escolha que fiz e a evolução desta

  3. Rosane Alves Fernandes diz

    Sou farmacêutica , estamos sendo mais reconhecidas e respeitadas pelos colegas TB colaboradores de uma vida mais saudável para as pessoas.

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