Cientistas descobrem composto capaz de matar fungos resistentes com formigas

Uma colaboração entre cientistas brasileiros e norte-americanos descobriu que a solução para a resistência microbiana a medicamentos pode estar nas formigas. A ideia inicial da pesquisa era isolar bactérias que vivem em simbiose com formigas cortadeiras, como a saúva, em busca de compostos naturais com potencial para dar origem a novos fármacos.

“Foi um resultado que nos deixou bem animados, pois corrobora nossa hipótese: a microbiota dos insetos é uma fonte promissora para o isolamento de compostos com atividade contra bactérias e fungos. Claro que ainda não dá para afirmar que a cifomicina vai virar um fármaco, mas avançamos muito e isso motivou um pedido de patente”, afirmou Monica Tallarico Pupo, coordenadora da equipe.

Grande parte dos antibióticos hoje existentes teve origem em compostos produzidos por bactérias encontradas no solo – a maioria pertencente ao gênero Streptomyces. O grupo então decidiu explorar esse mesmo grupo de bactérias filamentosas nos corpos dos insetos. A hipótese era que, se a bactéria ajuda o inseto a se defender de patógenos, poderia fazer o mesmo pelos humanos.

“Combinamos métodos quimiométricos e cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas para traçar o perfil químico dos compostos produzidos pela microbiota dos insetos. O objetivo era identificar as linhagens de Streptomyces que produzem uma química diferenciada, ou seja, compostos bem distintos daqueles sintetizados pelas bactérias do solo. Desse modo, aumentamos as chances de encontrar uma molécula realmente inovadora”, explicou.

Os compostos que se destacaram nessa seleção mais aprofundada foram testados novamente – in vitro e em camundongos – contra patógenos resistentes aos medicamentos usados na clínica. De acordo com Pupo, a cifomicina não teve ação contra bactérias, mas se mostrou capaz de combater a infecção por Aspergillus fumigatus, fungo mais frequentemente encontrado em ambiente hospitalar e causador da aspergilose, doença que chega a matar 85% dos doentes mesmo após terapia antifúngica.

Fonte: Bahia Notícias

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