Brasil pode perder US$ 30 bilhões em comércio com China

Se o Brasil se beneficiou, no ano passado, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, ao vender mais soja ao mercado chinês, a conta pode ser alta para os exportadores brasileiros de commodities agropecuárias. Isso deverá acontecer a partir do momento em que for fechado um acordo entre as duas potências que vai prever, entre outras coisas, a abertura da China para esses produtos vendidos pelos EUA. Segundo estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), feita com base nas negociações entre EUA e China que estão em curso, a perda em potencial — ou seja, o que os brasileiros poderão deixar de vender ao mercado chinês — seria de cerca de US$ 30 bilhões, incluindo soja, carnes, açúcar, etanol e outros produtos do agronegócio.

Pesa contra o Brasil o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter feito várias ressalvas às relações com a China, antes de tomar posse. Uma reaproximação com Pequim está prevista para o segundo semestre deste ano, com a visita de Bolsonaro ao país asiático.

— Temos que rezar muito em mandarim, para que a China não nos prejudique — brincou o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

Ele alertou para o risco de o Brasil ser obrigado a buscar novos parceiros e, como consequência, esses futuros compradores forçarem uma queda de preços. Isto porque estarão cientes que os exportadores brasileiros precisarão desovar seus produtos no mercado internacional.

— Temos hoje um problema acontecendo, que é essa relação comercial mais ampla entre EUA e China, que pode tirar um pedaço do nosso mercado. Ano passado, nós exportamos 86 % da nossa produção de soja para os chineses. Nós abrimos o mercado, mas ele ainda está muito concentrado. É mais um motivo para que a gente tente rapidamente abrir outros mercados, para que a gente não fique na mão só da China, principalmente com esse acordo que deve ser assinado entre o presidente Trump e o presidente chinês — afirmou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

O Brasil também pode pagar caro, caso Bolsonaro decida transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. A mudança pode incomodar não apenas as 22 nações da comunidade árabe mas, de uma forma mais ampla, parte do mundo muçulmano, formado por cerca de 60 países, entre os quais Irã, Turquia e Senegal.

O impacto da decisão é desconhecido, mas não pode ser ignorado, segundo fontes do governo e do setor privado. O tema será levantado, no período de 30 de março a 2 de abril, durante uma visita de Bolsonaro a Israel.

Dados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira mostram que, nos últimos 15 anos, o comércio do Brasil com os países árabes quadruplicou. A corrente de comércio (soma de exportações com importações) atingiu US$ 20 bilhões em 2017.

No caso das nações islâmicas, o valor subiu de US$ 10,5 bilhões para US$ 37 bilhões no ano passado. Além disso, o Brasil foi, em 2017, o maior exportador de carnes de frango e bovina com a certificação Halal — ou seja, dentro das regras estabelecidas pela Lei Islâmica, que rege os costumes e a vida diária dos muçulmanos.

Estima-se que, no ano de 2022, o mercado Halal alcance US$ 3 trilhões, incluindo não apenas alimentos e bebidas, mas também moda, turismo, mídia, recreação, fármacos e cosméticos.

Fonte: O Globo

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