Estrategistas veem momento delicado no exterior

Os estrategistas estão recomendando aos investidores que se preparem para os melhores e os piores resultados, porque os ativos de risco em todo o mundo estão chegando a uma encruzilhada.

Os mercados globais estão enfrentando uma série de catalisadores positivos em 2019. O Federal Reserve, banco central dos EUA, está esperando para ver, e o Banco Central Europeu (BCE) começou a aumentar seu estímulo.

As economias em todo o mundo estão crescendo e os EUA parecem relativamente saudáveis. A China está usando as políticas monetária e fiscal para estimular sua economia. Mas, ao mesmo tempo, os resultados das empresas parecem mais fracos, existe o risco de que um acordo comercial entre os EUA e a China possa desmoronar e o Brexit continua sem solução. E tudo isso está ligado aos receios de que uma desaceleração da economia global possa cair em uma recessão.

“Os mercados enfrentam uma disputa entre os indicadores cíclicos mais fracos e a melhoria das condições monetárias”, escreveram analistas do Société Générale liderados por Alain Bokobza, diretor de alocação de ativos globais, em relatório.

“Nossa alocação visa posicionar os investidores para a disputa” comprando posições “em uma espécie de estrutura com dois polos, adicionando riscos e novas proteções em conjunto.” Alguns estrategistas estão lidando com a multiplicidade de riscos extremos, tanto positivos quanto negativos, oferecendo um pouco de tudo. “Nossos economistas dos EUA esperam que o crescimento se recupere no segundo trimestre, mas o risco de resultados piores aumentou” e tornou as coberturas de baixo custo atraentes, como diferenciais de opção de venda no S&P 500, escreveram os estrategistas do UBS liderados por Stuart Kaiser em nota na segunda-feira.

“No que se refere às perspectivas de uma melhoria do crescimento no segundo trimestre, ainda gostamos das opções de compra de Bancos (KBE) e do DAX para obter melhores resultados comerciais e/ou para uma queda na dinâmica de crescimento da zona do euro.”

O Morgan Stanley foi além e recomendou que os investidores “não acreditem na economia sem expansão nem recessão”, o cenário de crescimento sólido, mas não inflacionário. O mercado está confiante demais nessa ideia central e despreza excessivamente os “extremos” em ambas as direções, escreveram estrategistas liderados por Andrew Sheets em uma nota no domingo.

A China é parcialmente responsável pelos riscos nos dois sentidos. Suas ações se tornaram a melhor transação do mundo em fevereiro, mas também há preocupação com a saúde de sua economia. “O otimismo [meio que] chegou à China”, escreveram Jason Lui e Chris Yung, estrategistas de derivativos do BNP Paribas em Hong Kong, em nota de 8 de março. Fatores como a redução das tensões comerciais e a expectativa de mais flexibilização da política deram impulso às ações, mas o cenário de investimentos é “frágil, manuseie com cuidado”, disseram eles.

Os lucros das empresas terão que mostrar alguns sinais de recuperação no segundo semestre para justificar a rápida recuperação das avaliações, disseram os estrategistas do BNP. O SocGen está lidando com todas as incertezas reduzindo o caixa e os títulos do governo em sua carteira de ativos múltiplos, enquanto aumenta o crédito e as commodities. “Mantenha uma abordagem construtiva selecionando ativos que forneçam rendimento com volatilidade limitada, por um lado, e ativos de proteção do portfólio”, escreveram os estrategistas do SocGen. “Espere picos de volatilidade.”

Fonte: Valor Online

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