Alzheimer poderá ser diagnosticado por exame de olho

O diagnóstico do Alzheimer, atualmente, não conta com o benefício de um exame ou de marcadores no sangue que indiquem a presença da doença neurodegenerativa. Médicos neurologistas e geriatras se apoiam no histórico do paciente, nos relatos dos familiares, no uso de escalas e na exclusão de outras doenças, mas um novo estudo promete mudar essa avaliação no futuro.

Uma pesquisa divulgada pela revista científica Ophthalmology Retina, sugere que os pacientes com Alzheimer teriam uma redução na espessura de uma camada da retina chamada de fóvea. Assim, ao serem avaliados pelo exame de olho Angio OCT (ou OCT angiográfico), essa diferença se destacaria e poderia servir como uma ferramenta para o diagnóstico do Alzheimer.

Os resultados, porém, ainda não surpreendem os médicos especialistas. Primeiro porque foram avaliados apenas 39 pacientes com Alzheimer durante o estudo e segundo porque não há um número “mágico” que indique a espessura dessa região da retina, conforme explica Elizabeth Guimarães, médica oftalmologista do hospital Santa Casa, de São Paulo, e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

“É uma camada vascular da região da fóvea sem um número mágico para a sua espessura. E, além disso, cada aparelho oferece um número. Então é difícil usá-la como parâmetro por enquanto”, explica a médica.

Ainda assim, Guimarães espera um avanço nas pesquisas e, se houver a comprovação que existe uma alteração do tipo em todos os pacientes, e principalmente em qual fase do Alzheimer, o exame pode servir de ferramenta para o diagnóstico precoce.

“Isso pode virar um instrumento importante para pessoas que tenham Alzheimer na família, ou algum tipo de alteração da memória recente, que já é um sinal da doença. O exame pode ajudar a fechar o diagnóstico, mas não pode ser usado sozinho”, reforça a especialista.

Novos exames, novos tratamentos

Alzheimer não tem, por enquanto, uma cura e nem um tratamento que reduza o avanço da doença neurodegenerativa. Os medicamentos usados hoje pelos pacientes visam o controle dos sintomas, de acordo com Gustavo Franklin, médico neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR).

“A medicação é sintomática. Se o paciente esquece, prescrevo o remédio que potencializa a memória. Mas o processo de degeneração, da morte celular, continua e não temos como interromper isso. Agora, entender melhor o que acontece ajuda a, no futuro, prevenir a doença”, explica o médico.

Dos sinais que indicam a presença da doença é importante que a família fique atenta aos sintomas cognitivos. Por exemplo, a perda de memória recente, dificuldade em perceber uma situação de risco, esquecimento e dificuldade de localizar-se no tempo e no espaço, entre outros.

Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Alzheimer, o avanço da idade é considerado o principal fator de risco. A partir dos 65 anos, o risco para dobra a cada cinco anos.

Mulheres também estão em maior risco, principalmente porque elas tendem a viver mais que os homens. Quem tiver familiares com a doença de Alzheimer, o acompanhamento com os médicos neurologistas deve ser mais frequente.

“Embora a doença não seja considerada hereditária, há casos, principalmente quando a doença tem início antes dos 65 anos, em que a herança genética é importante. Esses casos correspondem a 10% dos pacientes com Doença de Alzheimer.”, aponta a ABRAz.

Prevenindo o Alzheimer

Não há formas de prevenir, efetivamente, a doença de Alzheimer, mas algumas medidas podem colaborar, como:

  • Vida fisicamente mais ativa;
  • Bons hábitos alimentares;
  • Atividade intelectual exercitada;
  • Controle de outras doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e obesidade;
  • Redução do tabagismo e do sedentarismo.

Fonte: Gazeta do Povo Online

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