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Há 20 anos no Brasil, genéricos ajudam a universalizar o acesso a medicamentos

É muito comum afirmar que os genéricos foram criados na década de 1990. Na verdade, a origem desses medicamentos data da década de 1960, quando o governo dos Estados Unidos adotou medidas para comprovar a eficácia de todos os medicamentos no país. Foram 22 anos de pesquisas em mais de três mil produtos. A partir daí, a regulamentação e a popularização dos genéricos se expandiu em todo o mundo, como no Brasil, já que a lei 9.787, que regula o uso dos genéricos, foi aprovada em 1999.

Mas qual a diferença o medicamento de referência, os “originais”, e os genéricos? Os medicamentos de referência passam por estudos clínicos para comprovar que além da eficácia no tratamento de doenças, tem segurança e qualidade. São esses os medicamentos que tem marca própria. A companhia farmacêutica que descobriu e manipulou o medicamento pode ter até 20 anos de exclusividade na produção e comercialização desses remédios. Depois que esse prazo encerra, outras empresas podem pegar aquele modelo e fazer uma cópia idêntica, que são os genéricos. Para atestar que essas cópias são tão seguras e eficientes quanto suas referências são feitos diversos testes, chamados de testes de bioequivalência.

O farmacêutico Arthur Leonardo assegura que todos esses testes deixam os genéricos numa posição vantajosa em relação aos outros tipos e que esses medicamentos têm uma série de vantagens “O mais interessante é a universalização do acesso, já que os genéricos foram criados para aumentar o acesso da população aos medicamentos. Os genéricos sempre são mais baratos do que os medicamentos de referência. Vale a pena usar porque além de baratos, eles tem toda a segurança e qualidade comprovada”.

Com a mesma eficácia e preços até 35% mais baixos, os genéricos proporcionaram a economia de mais de R$ 127 bilhões de reais em gastos com medicamentos para os consumidores brasileiros, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos). O preço mais baixo também anima os comerciantes, que notam uma maior procura. Arlindo Nomero, que tem uma farmácia e trabalha na área há 28 anos notou a diferença no consumo “O genérico veio pra mudar. Foi uma melhora para o país. Veio para melhorar a situação do bolso do brasileiro. O produto é bom, eficaz, hoje já chega em torno de 55% a venda dos genéricos. Algumas pessoas restringem o uso ainda, mas é a minoria. Quando comparam o preço, sempre levam o genérico”, confirma.

Se para os comerciantes a melhora das vendas é significativa, para os consumidores esses medicamentos têm impacto direto na qualidade de vida, especialmente das pessoas que possuem doenças crônicas, que exigem um maior tempo de tratamento e o uso contínuo de medicações. Há 15 anos Wagner Cordeiro descobriu ser hipertenso e diabético. Hoje, aos 33 anos, o tratamento ficou mais acessível com os genéricos “Um dos medicamentos que fez diferença pra mim foi a Metformina XR, para o tratamento de diabetes. Antes do genérico, meu pai, que também usa esse remédio, relatava que não existia, porque na verdade só existia o de marca e era muito caro. Com os genéricos ele ficou mais barato e com acesso mais fácil”.

Genéricos em Risco

Mesmo com tantos benefícios para quem fabrica, comercializa e consome os genéricos, o acesso a esses medicamentos pode se tornar mais difícil em breve. Isso porque na transição entre o governo Temer e Bolsonaro, foi sugerida a reformulação do Programa Farmácia Popular, que fornece de forma gratuita ou com 90% de desconto medicamentos básicos para tratamento de hipertensão, diabetes e mal de Parkinson, entre outras doenças.

A sugestão feita ao governo federal é centralizar a compra de todos os medicamentos, que seriam redistribuídos diretamente pela indústria farmacêutica às farmácias credenciadas ao programa. Essa reformulação do projeto pode levar ao descredenciamento de centenas dos cerca de 31 mil estabelecimentos conveniados, que atendem hoje cerca de 20 milhões de brasileiros, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (INTERFARMA).

Wagner teme que a ameaça impacte a população, especialmente os que recebem gratuitamente os medicamentos “É muito complicado. Se regularem tudo dessa forma, a coisa fica infinitamente pior, porque vão centralizar para distribuir da forma que eles querem. Isso só vai prejudicar principalmente a população que não tem condições [de comprar]. Eu ainda tenho, mas pra quem não tiver? É absurdo”. Arthur também é contrário a alteração “Já houveram retrocessos nesses últimos anos, principalmente no governo Temer. Houve uma queda no número de medicamentos disponíveis no Programa Farmácia Popular e ele corre inclusive o risco de acabar. Isso impacta até no aumento dos internamentos, porque as pessoas não terão mais como comprar os medicamentos e aí irão procurar o serviço de saúde. Então esses pacientes poderão sim encarar a falta de medicamentos com o fim do programa”, conclui.

Fonte: Brasil de Fato

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