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Avenida de Porto Alegre tem uma farmácia a cada 86 metros

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Fenômeno ilustra crescimento do setor farmacêutico na cidade nas últimas décadas. Nos últimos anos, um fenômeno marca uma das principais avenidas de Porto Alegre. Em imóveis onde havia loja de conveniência, locadora de vídeos ou um tradicional bar e restaurante, hoje existem apenas remédios.

A proliferação de farmácias na Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, acabou gerando uma situação inusitada. Somente no trecho de 1,3 mil metros compreendido entre as avenidas Ipiranga e a José de Alencar, existem hoje 15 lojas de medicamentos — uma média de um estabelecimento a cada 86 metros. A concentração ilustra o crescimento desse mercado na cidade nas últimas décadas.

A esquina da Getúlio com a Rua Saldanha Marinho é um exemplo da metamorfose que se intensificou ao longo da via. Nesse endereço, a Cia. dos Sanduíches funcionou por três décadas como um dos mais tradicionais bares da cidade. O estabelecimento fechou em 2016, reforçando o enfraquecimento da área como antiga zona boêmia, e em seu lugar abriu meses depois uma ampla farmácia.

Boa parte das lojas se instalou na região ao longo desse período. Uma das mais recentes, localizada na esquina com a José de Alencar, abriu neste ano. Com tanta oferta à disposição, os moradores das redondezas adotaram uma prática frequente: em vez de comprarem o remédio no primeiro vendedor, perambulam pelas oito quadras onde está a maior fatia dos estabelecimentos para comparar preços.

— O pessoal faz muito orçamento. Como tem muita opção, é difícil comprar de primeira — afirma a farmacêutica Taila Santos.

Entre as razões para essa proliferação de prateleiras carregadas de medicamentos está o perfil dos moradores das redondezas. Conforme dados compilados no site do Observatório da Cidade de Porto Alegre (Observa POA), o Menino Deus é o sétimo bairro com maior proporção de idosos, com 23,4% da população com 60 anos ou mais enquanto a média da Capital apurada pelo Censo 2010 é de 15%. O fato de a avenida contar com um forte comércio de rua também favorece a instalação de novas unidades — principalmente em pontos de esquina. Outra razão provável é a proximidade com unidades de saúde como o Hospital Mãe de Deus, localizado a quatro quadras da via.

A busca pelos clientes do bairro é tão alta que algumas redes chegam a instalar mais de uma unidade na mesma via a poucas quadras de distância — a Panvel  e a Farmácias Associadas têm três lojas cada, e a Agafarma, duas. Os 400 metros  restantes da Getúlio, entre a Ipiranga e Aureliano de Figueiredo Pinto, já não despertam tanto interesse das empresas. Há apenas uma farmácia nesse trecho.

Morador do Menino Deus desde a infância, Ismael Berdichevski, 74 anos, afirma que a superoferta de estabelecimentos tornou o eixo central do bairro uma espécie de pequeno paraíso para quem necessita de medicações regularmente.

— Às vezes, pesquisando, a gente consegue um remédio pela metade do preço. Temos muitas farmácias mesmo, mas não acho isso ruim. Pra mim, é excelente — comenta Berdichevski.

Número de farmácias na Capital é quatro superior ao recomendado. A impressão deixada em bairros como o Menino Deus de que Porto Alegre tem farmácias demais é confirmada por estatísticas. Hoje há 707 estabelecimentos desse tipo na cidade, conforme registros do Conselho Regional de Farmácia (CRF/RS). Esse número representa uma unidade para cada grupo de 2 mil habitantes — quatro vezes mais do que o parâmetro recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A Capital não é um caso isolado no país. De maneira geral, os brasileiros costumam recorrer em demasia aos remédios (às vezes por conta própria, o que é perigoso) em detrimento de medidas preventivas. Isso leva a uma busca excessiva por tratamentos e ao aumento no número de lojas de medicações. A proporção nacional é de aproximadamente uma farmácia ou drogaria para cada 3 mil pessoas, o que também está acima dos parâmetros internacionais.

A presidente do CRF/RS, Silvana Furquim, afirma que esse cenário favorece a oferta de descontos, mas também provoca uma concorrência por vezes desleal e a um atendimento mais focado na simples venda de produtos.

— A maior consequência disso é o direcionamento das farmácias para um perfil mais comercial, de concorrência, focado no faturamento, deixando de lado o perfil de estabelecimento de saúde, mais humanizado, com maior contato dos profissionais farmacêuticos com seus pacientes, atuando de forma resolutiva nas demandas e necessidades de saúde dos usuários de medicamentos — analisa Silvana.

O crescimento se concentrou principalmente no começo dos anos 2000. A Capital tinha 295 farmácias em 1999 (não eram contabilizadas as de manipulação nesse período), saltou para 667 em 2009 (já incluídas as de manipulação, em menor número) e chegou a 707 neste mês. Na Capital, esse fenômeno tem criado ao longo dos anos algumas áreas de maior concentração de lojas como na Rua dos Andradas e, mais recentemente, na Avenida Getúlio Vargas.

Fonte: Portal Gaúcha Jornal

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