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Ciência começa a cercar doença de Alzheimer

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Ciência

A ciência está cercando a doença de Alzheimer, embora o diagnóstico ainda seja difícil, a prevenção, impossível e a cura, um sonho distante. Novas pesquisas apontam para fatores de risco e simplificam o diagnóstico, ao mesmo tempo em que medicamentos empregados contra outros problemas parecem ter boas possibilidades de ajudar no tratamento, hoje restritos a melhorar a qualidade de vida e ampliar a sobrevida.
O diagnóstico definitivo requer detecção post mortem, mas um diagnóstico provável pode ser estabelecido com 95% de confiança baseado em critérios clínicos, que incluem histórico médico, testes laboratoriais e de imagem e avaliação neuropsicológica. Antecipar a identificação da doença não é simples, pois os sintomas iniciais são compartilhados por uma série de desordens, incluindo formas mistas de demência e depressão.

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Em Melbourne, Austrália, o professor Peter van Wijngaarden, do Centro de Pesquisa de Olhos da Austrália (CERA) recebeu uma doação de 600 mil dólares de um grupo de filantropos americanos – Bill Gates da Microsoft e os investidores Jeff e Mackenzie Bezos entre eles – que permitirá ampliar os testes de um método que utiliza tecnologia empregada nos satélites da Nasa para procurar proteínas anormais no fundo do olho de pacientes suspeitos de serem portadores da doença, mesmo que não apresentem sinais de perda de memória. O financiamento vem de um novo programa de pesquisa chamado Diagnostics Accelerator, que busca atender à necessidade urgente de testes de diagnóstico e biomarcadores rápidos, acessíveis e fáceis de usar para a doença de Alzheimer e demências relacionadas.

Depois de analisar 300 propostas, os consultores científicos do grupo selecionaram quatro projetos para receber 3,5 milhões de dólares. Além do teste de olho, que leva menos de um segundo e utiliza diferentes cores de luz, há ainda o trabalho da Amoneta Diagnostics, um teste de diagnóstico rápido e não invasivo para prever o comprometimento cognitivo leve (MCI) e a doença de Alzheimer precoce; os estudos do suiço Kaj Blennow, da Universidade de Gotemburgo, que está desenvolvendo o primeiro teste de sangue ultra-sensível para a proteína tau, que tem relação com a doença e pesquisa de Tom MacGillivray, da Universidade de Edimburgo na Escócia, que usa uma nova combinação de biomarcadores de retina que capturam a neurodegeneração e a disfunção dos vasos sanguíneos frequentemente encontrada na doença de Alzheimer com análises avançadas de imagens.

Mas há outros avanços, ainda que indiretos. Em Chicago, pesquisadores do Centro Rush, dedicado à investigação da doença, estudaram 935 idosos durante seis anos. Os participantes começaram por preencher um questionário que testava sua percepção de fraudes, a partir de cinco perguntas destinadas a medir sua abertura a vendas e investimentos arriscados. Durante seis anos, foram submetidos a testes neuropsicológicos para verificar a presença da doença ou comprometimentos cognitivos leves. Os 264 participantes que morreram ao longo do estudo foram submetidos a autópsias cerebrais, que permitiu estabelecer uma correlação entre mau desempenho nos testes e no questionário com a sinais associados ao Alzheimer. O estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine ressalta, contudo, que as descobertas não são robustas o suficiente para sugerir que ser enganado significa que uma pessoa desenvolverá a doença de Alzheimer.
Em Atlanta, Georgia, nos Estados Unidos, especialistas da Emory University e do Atlanta Veterans Affairs Medical Center da vizinha Decatur, identificaram uma conexão entre o colesterol LDL (o assim chamado mau colesterol) e início da doença. Mas a pesquisa não é conclusiva, ainda.

No Reino Unido, um dos pólos mais desenvolvidos de pesquisa sobre Alzheimer, mais de dez mil pessoas participam de estudos como voluntários. Ali, os pesquisadores descobriram que os tratamentos para artrite podem ser reaproveitados no enfrentamento da demência. O próximo estágio dessa pesquisa coordenada pela doutora Bernardette McGuiness será entender melhor o potencial dos medicamentos anti-inflamatórios no tratamento de pessoas com demência. Por outro lado, os cientistas ingleses recomendaram que os clínicos gerais evitem prescrever alguns medicamentos anticolinérgicos (drogas que atuam no sistema parassimpático) para pessoas mais velhas. Outro caminho é a disseminação de testes e joguinhos em smartphones que ajudam os pesquisadores a entender o funcionamento do cérebro.

Em resumo, o ataque científico a esse que parece ser o maior fantasma a rondar o envelhecimento tem sido multilateral e massivo. Mas a fortaleza da doença identificada pela primeira vez numa mulher pelo psiquiatra alemã Alois Alzheimer em 1901, parece resistir a todos os esforços. Até agora.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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