Notícias do setor farmacêutico

Bioeconomia: oportunidade para o Brasil

575

Um relatório do WWF-Brasil chamado Guia prático para decisões com impacto no longo prazo no Brasil traz um dado preocupante: por ano, o País perde cerca de R$ 9 bilhões em decorrência de eventos climáticos, como estiagens, inundações e vendavais.

Sabem onde estamos perdendo dinheiro? Segundo a entidade, em infraestruturas, como ruas e rede elétrica, além de habitações e escolas destruídas por estes acontecimentos extremos. E mais, a agricultura tem danos vultosos e chega a representar 70% dos prejuízos registrados no setor privado.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/05/06/projeto-de-visita-a-industria-reforca-compromisso-com-transparencia/

Esse panorama não pode continuar. Ser sustentável é uma necessidade latente, que envolve esforço conjunto de sociedade, setor privado e poder público. Nesse sentido, a bioeconomia é um segmento central para construirmos um futuro que equilibre necessidades e soluções ambientais, econômicas e sociais.

O conceito é baseado na utilização de recursos biológicos e renováveis para a geração de produtos e serviços. Trata-se de uma visão de futuro com alta produtividade, tecnologia e inovação. Precisamos focar nossos esforços em transformar o modelo econômico que utiliza matéria-prima fóssil em renovável e de baixa emissão de carbono.

A bioeconomia está ligada diretamente a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de metas globais estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). É possível citar o ODS 7 (energia limpa), o ODS 9 (indústria, inovação e infraestrutura), o ODS 11 (cidades e comunidades sustentáveis), o ODS 12 (consumo e produção sustentáveis) e o ODS 13 (ação contra mudança do clima). Se o Brasil tiver um olhar estratégico para o tema, esta será uma agenda em que o País poderá ser líder. Temos grande força produtiva vinda do campo e de laboratórios de ponta, ao mesmo tempo que temos 67% do território coberto por vegetação nativa, de acordo com o MapBiomas.

É preciso equilibrar um processo produtivo sólido e o cuidado com a natureza. Primeiro ponto a ser considerado é que as florestas em pé têm enorme valor. Remoção de carbono, regulação do fluxo hídrico, conservação do solo, entre outros serviços ambientais, são fundamentais para a produção agrícola e para qualidade de vida. A conservação do meio ambiente não pode ser economicamente desprezada e monetizá-la beneficiará, especialmente, pequenos agricultores, estimulando a proteção da vegetação nativa.

Neste quesito, políticas públicas são imprescindíveis, até mesmo para estimular uma economia de baixa emissão de gases de efeito estufa e criar mecanismos de mercado de carbono. O RenovaBio é um exemplo de uma política pensada para promover a expansão dos biocombustíveis, mas que não deslanchou. O programa, mesmo aprovado pela Câmara em 2017, ainda passa por discussões para seu aperfeiçoamento.

O setor privado tem de incorporar, de fato, a sustentabilidade em seus planos de negócios. Há casos que devem servir de modelo, como a indústria de árvores cultivadas para fins industriais – um segmento nato da bioeconomia, que, com um manejo sustentável, produz bens de consumo tradicionais e inovadores, além de gerar serviços ecossistêmicos.

Essa indústria comumente utiliza áreas antes degradadas, seguindo um plano de manejo para cada tipo de região. As árvores ali cultivadas são matéria-prima para a produção de painéis de madeira, pisos laminados, celulose, papel, carvão vegetal e mais outros 5 mil produtos e subprodutos que fazem parte do dia a dia. Exemplos disso são a fralda descartável para bebês, que utiliza celulose em sua composição, e até mesmo uma simples caixa de bombom que compramos no mercado. Além de proteger os produtos, a embalagem de papel tem origem sustentável e pode retornar à cadeia produtiva.

No lugar da árvore colhida, outra será plantada com o mesmo objetivo, fazendo com que as terras sejam perenemente produtivas. A indústria de base florestal tem 7,8 milhões de hectares no Brasil e ocupa menos de 1% do território. Mesmo assim, é um importante abrigo para biodiversidade, estoca 1,7 bilhão de CO2 equivalente e ajuda a conservar o solo. Em muitos casos, as florestas são certificadas pelo FSC e PEFC/Cerflor, que atestam a origem dos produtos, fortalecendo o mercado responsável e o comércio internacional.

Assim, desde a escolha do local de cultivo até o consumidor final, a indústria mantém um olhar cuidadoso. E não para por aqui, já que os produtos estocam carbono, são renováveis e, muitos deles, biodegradáveis. Ou seja, após o fim do ciclo de uso, decompõem-se na natureza até mesmo em poucos meses. É um setor que demonstra ser possível trabalhar de maneira equilibrada, proporcionando soluções para grandes problemas que afligem o planeta.

O que está por vir? Nanofibras e nanocristais, obtidos a partir da quebra das fibras de celulose, que podem ser utilizados em tintas, cosméticos, fios têxteis, próteses e suplementos alimentares. Bio-óleos, originados da transformação da madeira de florestas plantadas, que, em breve, podem ser uma opção a combustíveis de alto impacto poluidor.

Esses elementos tornam a indústria de florestas plantadas um exemplo de setor da bioeconomia. O mundo está se mobilizando para estabelecer este novo conceito de forma estratégica. Nós também precisamos nos preparar para atender aos anseios dos novos consumidores, mais conscientes e em busca de produtos e serviços de qualidade e ambientalmente corretos.

Mas temos um desafio: o respeito à legislação e às bases científicas que a sustentam. Chegou o momento de fazer valer leis bem estruturadas, como o Código Florestal. O caminho inverso, de alterações ou rediscussões sobre normas bem construídas, pode ser um equívoco, no qual jogaremos contra o meio ambiente, contra a cadeia produtiva e contra o futuro do Brasil, que poderá perder as oportunidades de uma demanda planetária para lá de urgente.

Siga nosso Instagram: https://www.instagram.com/panoramafarmaceutico/

Fonte: O Estado de S. Paulo

Você pode gostar também

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação

Perdeu sua senha? Digite seu nome de usuário ou endereço de email. Você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.
document.querySelectorAll('.youtube a').forEach(e=>{e.href = "https://youtube.com/user/partnersupport" })