Site usa falsa fala de Donald Trump para desacreditar vacinas

Não é verdade que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “a vacina contra agripe é a maior fraude na história da medicina”. Um artigo do site Curas Naturais inventa uma fala do americano e faz alegações falsas sobre vacinas, que são consideradas seguras pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O texto enganoso cita uma entrevista verdadeira de Trump à Opie Radio, em 2015, em que o então candidato à Presidência americana diz que nunca se vacinou e nunca pegou gripe. No entanto, em nenhum momento ele relaciona vacinas a “farsa” ou “golpe da medicina”, nem menciona a indústria farmacêutica.

Vacinas

O artigo antivacina também cita dois componentes da imunização que seriam nocivos à saúde: formaldeído e mercúrio. Segundo a Food and Drug Administration (FDA), agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, a primeira substância é utilizada de forma segura em vacinas como a da poliomelite. A concentração de formaldeído em vacinas é muito menor do que a que ocorre naturalmente no corpo humano.

Em relação ao mercúrio, o Ministério da Saúde esclarece que a substância está presente no composto orgânico tiomersal, usado como conservante. “Não existe evidência que sugira que a quantidade de tiomersal utilizada nas vacinas represente um risco para a saúde”, informa o ministério.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/05/20/50-das-vacinas-sao-perdidas-por-falhas-na-cadeia-logistica-segundo-onu/

O artigo alega ainda que vacinas não precisam apresentar “nenhuma evidência científica de segurança ou eficácia” a agências reguladoras, o que também não é verdade. O Ministério da Saúde informa que toda vacina licenciada passa, durante o processo de produção, por diversas fases de avaliação que garantem sua segurança. O órgão também ressalta que as imunizações são aprovadas por institutos reguladores rígidos e independentes.

A vacinação da gripe para grupos prioritários teve fim na última sexta-feira, 31. A campanha só atingiu 76% do público alvo — o objetivo era vacinar 90%. Na internet, cresce o número de mensagens conspiratórias com alegações de que vacinas são nocivas e uma criação farmacêutica para deixar as pessoas mais vulneráveis. A OMS considerou, em relatório de janeiro deste ano, o movimento antivacina como uma das ameaças à saúde mundial.

Na segunda-feira, 3, a vacinação contra o vírus da gripe foi estendida para toda a população. A campanha seguirá enquanto durararem os estoques.

Este boato também circulou em inglês, e foi considerado falso em dezembro de 2018 pelo site americano FactCheck.org. Este conteúdo foi selecionado para verificação por meio da ferramenta de fact checking do Facebook (leia mais aqui). Para sugerir checagens, envie uma mensagem por WhatsApp ao número (11) 99263-7900. 

Fonte: O Estado de S. Paulo

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