Com e-commerce, perspectivas são boas para ações de varejistas

De olho em um mercado em pleno crescimento, a despeito da fraqueza da economia, as varejistas brasileiras tradicionais estão concentrando esforços para ampliar sua atuação no e-commerce. Um bom exemplo deste cenário, é a compra da Netshoes pela Magazine Luiza, anunciada ontem, operação que foi disputada por semanas com a Centauro, que também tinha interesse no ativo. Segundo dados da Ebit – Nielsen, o segmento de comércio eletrônico deve apresentar expansão de 15% em 2019 ante o ano anterior, com vendas totais de R$ 61,2 bilhões.

 

“Acreditamos que estas recentes mudanças no setor só reforçam a atratividade do e-commerce brasileiro, diante da tendência irreversível de maiores compras pela internet”, avalia Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física da Santander Corretora.

 

O profissional mantém uma visão construtiva em B2W, que é a companhia mais exposta ao comércio eletrônico no Brasil, enquanto vê a Magazine Luiza como uma referência em termos de integração da sua plataforma online com as lojas físicas, embora o elevado valor das ações já reflita boa parte dessas qualidades. “Ainda vemos o e-commerce brasileiro com baixas barreiras à entrada e elevada desconcentração, o que permite oportunidades de crescimento para todas as companhias listadas atualmente”, avalia Peretti.

 

O analista da Planner Mario Roberto Mariante, por sua vez, considera que, neste cenário, o Magazine Luiza segue à frente em relação às demais empresas no segmento de e-commerce.

 

Já o analista da Mirae Asset Pedro Galdi observa que o e-commerce ganha força diante das facilidades que envolvem o processo e a maior confiança das pessoas em acessarem sites e aplicativos e operarem com cartão de crédito. “Mas claro que uma evolução representativa do comércio no Brasil, seja física ou digital, depende da recuperação da economia e não se vislumbra uma mudança significativa de cenário no curto prazo”, alerta. Para ele, o viés positivo deve ficar para 2020.

 

Com a economia estagnada e próxima à recessão novamente, e com forte desemprego, as carteiras de crédito dos bancos dedicadas ao varejo não vão crescer tanto, observa o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira. Para ele, nesse contexto, o comércio eletrônico, principalmente o que não depende tanto do crédito, vai conseguir crescer mais do que o tradicional.

 

O analista da MyCAP, André Ferreira também destaca o cenário de recuperação econômica ainda lento, mas lembra que há um enorme potencial. “Acreditamos no crescimento mesmo que de forma mais gradual para o segundo semestre, com juros em baixa e inflação controlada, com alto poder de alavancagem proporcionados pelas novas reformas econômicas e incentivos ao consumo dados pelo governo”, afirma.

 

Para a semana, a Guide fez duas trocas, com inclusão de Petrobrás PN e EcoRodovias ON. A Mirae conta agora com Fleury ON, Marfrig ON, MRV ON e SulAmérica Unit. A carteira da Terra Investimentos tem como novidade a entrada de Fleury ON. ModalMais fez duas mudanças acrescentando Equatorial ON e Lojas Renner ON no portfólio. A MyCap trocou toda a carteira, que passa agora a contar com BRF ON, Klabin Unit, MRV ON, Petrobrás PN e Localiza ON.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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