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Varejistas têm boa perspectiva para suas ações em Bolsa

De olho no crescimento do comércio eletrônico, duas grandes varejistas de bens duráveis tomaram decisões para reforçar ainda mais a presença nesse segmento. O Magazine Luiza comprou a Netshoes, rede on-line de artigos esportivos, depois de vencer a Centauro em uma disputa pública. Já o Grupo Pão de Açúcar vendeu 36% da participação que tinha na Via Varejo (dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio ), e, com a oferta de ações, o empresário Michael Klein, da família fundadora das Casas Bahia, ficou com uma fatia relevante na empresa. Na visão de analistas, esses movimentos beneficiam os papéis dessas duas empresas a médio e longo prazos.

O segmento de eletroeletrônicos é um dos mais significativos para o comércio on-line, que vem crescendo ano a ano, apesar da persistente crise na economia brasileira. Dados da consultoria Ebit/Nielsen indicam que as vendas na internet devem crescer 15% neste ano, chegando a R$ 61,2 bilhões, considerando todas as categorias de produtos. Isso justifica o interesse de varejistas tradicionais em concentrar esforços para que uma parte relevante das vendas venha por esse canal.

O Magazine Luiza está mais avançado nesse processo. No primeiro trimestre do ano, uma fatia de 41,5% de suas vendas já vinha dos canais eletrônicos.

Mais produtos e clientes

Agora, com a Netshoes, cuja operação precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores, a empresa adiciona 6 milhões de pessoas a sua base de 18 milhões. O número é relevante, mesmo que haja alguma sobreposição. A rede também entra em um segmento, o de artigos esportivos, no qual não atuava.

— O sortimento de produtos on-line vai aumentar. Se fizesse isso por conta própria, o Magazine Luiza teria de desenvolver conhecimento na área e relacionamento com fornecedores. Vai ainda ter acesso ao perfil desses clientes, aumentando sua base — aponta Mariana Vergueiro, analista do Grupo XP.

O Magazine Luiza vai desembolsar US$ 115 milhões (cerca de R$ 440 milhões) pela Netshoes. Mas, apesar de considerar a transação positiva, Mariana vê como neutras as perspectivas para as ações da varejista a curto prazo. Os papéis da empresa estão valendo R$ 212,65, uma alta de 17,4% no ano. No mesmo período, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, avançou 16,1%. Para ela, parte da expectativa de crescimento foi antecipada, então, a curto prazo, as chances de ganho são mais limitadas, embora o cenário para o médio e o longo prazos seja positivo.

— No preço atual, muito do crescimento do Magazine Luiza já está na cotação da ação. O novo preço-alvo para 2019 é de R$ 205, então esse ganho pela transação já se refletiu — explica a analista.

O caso da Via Varejo é um pouco diferente. A então controladora, o Grupo Pão de Açúcar, precisava se dividir entre o varejo alimentar e o de eletroeletrônicos e de outros bens duráveis e semiduráveis vendidos por Ponto Frio e Casas Bahia.

Embora tenha um plano de integração dos canais, chamado de Via+, este demora a decolar. A participação das vendas on-line no total da Via Varejo é de 19,2%.

Vinícios Andrade, analista da Toro Investimentos, acredita que a troca de controle na Via Varejo vai beneficiar as vendas do canal on-line, o que é positivo para os papéis da empresa. Estes, no ano, acumulam alta de 16,2%.

— A troca de gestão vai ser positiva. O Pão de Açúcar controlava duas atividades que, embora ambas de varejo, não tinham sinergia. Mas, a curto prazo, é difícil cravar como será essa transição — avalia Andrade.

Desemprego afeta setor

Para as duas empresas, além dos desafios internos, há a questão do cenário macroeconômico. Os juros estão baixos e a inflação sob controle.

No entanto, essas variáveis positivas não compensam os atuais índices de desemprego. A parcela da população desocupada chega a 12,5%. São mais de 13 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho.

O índice de confiança do consumidor, fator determinante para a compra de bens de maior valor, também tem patinado.

— Para o segundo semestre, se for levada adiante a proposta de saque das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o varejo pode ter algum alento. Mas, a curto prazo, é uma situação difícil — diz Andrade, da Toro, lembrando que o quadro pode mudar, em termos de confiança do consumidor, com a aprovação de medidas na área econômica, como a reforma da Previdência.

Pedro Galdi, analista da corretora Mirae Asset, também considera que o cenário macro não contribui para o aumento das vendas a curto prazo. Só um quadro de estímulo ao consumo, com aumento da confiança na economia e queda do desemprego, poderia elevar as perspectivas de ganhos para essas empresas:

— A queda de juros ajuda esses setores, assim como a inflação em baixa. Mas tem o desemprego, que segura muito. Além disso, o papel do Magazine Luiza ficou meio caro. Já no caso da Via Varejo, há um potencial positivo com as mudanças que podem ser implementadas pelo novo controlador.

Fonte: O Globo

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/06/13/ibge-apos-reajuste-de-remedios-vendas-das-farmacias-caem-em-abril/

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