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Novas substâncias contra manchas e lasers para acne

De quatro em quatro anos,  dermatologistas de todos os cantos se reúnem para apresentar resultados de experimentos, novas substâncias e tendências que vão nortear a prática no mundo todo. Sediado em Milão, em meados deste mês, o Congresso Mundial de Dermatologia mostrou trabalhos importantes sobre lasers, que prometem mudar radicalmente tratamentos de problemas que mexem com a autoestima de homens e mulheres, como espinhas e mãos suadas.

Entre as novidades do congresso, o aparelho para acne severa foi o que mais chamou atenção dos médicos brasileiros, que esperam ansiosamente o O.K. da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importá-lo. “A gordura da glândula sebácea funciona como o alvo do laser, cuja proposta é agir seletivamente na lesão da acne. A esperança é até substituir o tratamento com a isotretinoína (popularmente conhecida pelo nome de Roacutan), que, apesar de ser a droga mais usada em casos graves, tem muitos efeitos colaterais. O fato de ocorrer ressecamento excessivo e alterações nas enzimas do fígado acaba assustando muitas pessoas”, diz a dermatologista Marcia Linhares, do Rio.

A expectativa é de que essa tecnologia chegue ao Brasil em, no máximo, dois anos. Ainda não há previsão sobre quanto vai custar. “Hoje, a isotretinoína é barata (a caixa com 30 comprimidos do Roacutan custa cerca de R$ 200) , se comparada com o preço praticado há alguns anos, já o tratamento com esse laser certamente sairá muito mais do que isso”, completa Marcia.

A onda high-tech chegará, num futuro próximo, também àqueles que sofrem com excesso de suor na palma da mãos, a chamada hiperidrose plantar. Se na região das axilas o problema é resolvido com injeção de toxina botulínica (mais conhecida como Botox), nas mãos a questão é bem mais complicada. “Aplicar a toxina nas mãos dói muito e pode dar fraqueza muscular, o que é bastante inconveniente”, diz a dermatologista Juliana Piquet, do Rio. “Esse laser fracionado apresentado no congresso consegue atingir cada glândula sudorípara com muita precisão e sem tanto desconforto.”

Estudos também comprovaram que cicatrizes podem ser minimizadas com toxina botulínica, outra boa novidade do encontro. Segundo a dermatologista Luiza Guedes, que acompanhou painéis sobre o tema, a substância consegue atuar na melhora do processo de cicatrização da pele. “A ideia é diminuir o aspecto avermelhado e elevado que surge em determinadas marcas”, diz Luiza.

Ainda há boas notícias para quem sofre com o melasma, aquela clássica mancha amarronzada que surge a partir de fatores genéticos ou excesso de raios UV. Tem sido badalada a opção de tratamento com uma substância chamada cisteamina, já mostrada no Encontro Americano de Dermatologia, no início do ano, e agora estabelecida como um sucesso no evento mundial. Para os brasileiros, que vivem a maior parte do ano no calorão, é uma opção promissora. “Esse ingrediente é um despigmentante que não afina a pele”, diz Juliana. “E os estudos mostram resultados bem razoáveis em seis semanas.”

Aqui no Brasil, a substância começou a ser comercializada recentemente em farmácias de manipulação. “A cisteamina ainda é mais fraca que a hidroquinona, um clareador bastante usado no país, mas, a longo prazo, o uso tem se mostrado mais seguro, já que a hidroquinona, com o tempo, pode formar manchas esbranquiçadas”, diz Marcia.

Mais um sinal de que o futuro já começou.

Fonte: O Globo

 

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