Anvisa fará audiência pública para decidir se libera cigarros eletrônicos

Anvisa

Alguns parecem pen-drives, outros lembram smartphones — remetem a qualquer coisa, menos a cigarros. Os chamados vaporizadores e cigarros eletrônicos ou de tabaco aquecidos são proibidos no Brasil desde 2009, mas já ganharam as ruas das principais cidades do país e estão na mira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em agosto, a agência fará uma audiência pública para discutir a possível liberação destes produtos. A decisão sai em dezembro. A indústria tabagista defende as novidades como uma estratégia de redução de danos para fumantes, enquanto médicos temem que os itens estimulem o hábito do tabagismo após anos de esforços pela redução do consumo no país.

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Embora as tecnologias não sejam essencialmente novas, o avanço e a diversidade dos produtos têm representado desafios regulatórios até mesmo no exterior. Nos EUA, onde não são regulamentados, vereadores de São Francisco decidiram bani-los em razão do uso indiscriminado por adolescentes, inclusive em escolas.

Fabio Barbirato, chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro, relata que 80% dos pacientes jovens que atende em seu consultório particular, todos de classe alta, já experimentaram ou são usuários de cigarros eletrônicos.

— Os dispositivos eletrônicos não só também fazem mal como são uma porta de entrada para o próprio cigarro normal. Estaríamos retrocedendo. Isso é uma previsão matemática — afirma Barbirato. — Há toda uma grande fantasia de que é algo prazeroso, que nada vai acontecer, como era visto o cigarro no passado.

A proibição da Anvisa é embasada na alegação de que faltavam estudos científicos que garantissem a segurança do consumidor. Dez anos depois, as principais empresas do ramo tabagista têm defendido a introdução das novas tecnologias no Brasil como uma alternativa mais segura para o público fumante.

— Nós temos um produto de tabaco aquecido que tem uma redução drástica na produção de tóxicos. Não é livre de risco, mas é melhor do que os cigarros comuns — afirma Fernando Vieira, diretor de assuntos externos da Philip Morris Brasil.

Ele defende que a tecnologia seja oferecida “aos adultos que vão continuar fumando e que têm direito a uma opção melhor do que o cigarro normal”, que é regulamentado pela Anvisa.

Segundo a empresa, se liberado, o preço do cigarro de tabaco aquecido ficaria próximo ao praticado no exterior: o aquecedor custa cerca de US$ 100, e os refis de tabaco são vendidos em pacotes com 20 unidades por preços equivalentes ao dos maços comuns.

Procurada, a Anvisa não se manifestou. A Souza Cruz, outra companhia do setor, espera pela deliberação para estipular preços para seus vaporizadores, que dependerão da taxação da Receita Federal. A gerente sênior de assuntos científicos da companhia, Ana Lúcia Saraiva, procura distanciar a experiência americana das metas da empresa para o Brasil:

— Queremos oferecer um produto para quem vai querer continuar usando o cigarro tradicional e o vaporizador. Todos eles possuem nicotina e, portanto, são dedicados ao adulto maior de 18 anos. Embora a comunidade médica recomende, porque estamos falando de risco reduzido, eles não são 100% seguros.

O presidente da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), Alberto Araújo, rejeita a ideia de que cigarros eletrônicos têm dano reduzido.

— Já vivemos essa história antes. A indústria está se apropriando de forma indevida da ideia de redução de danos. Tivemos os cigarros com filtro, que chegaram a ser produzidos com amianto, um produto altamente cancerígeno. Depois, produtos com menor teor de alcatrão e nicotina, mas que viciavam ainda mais.

O pneumologista elenca riscos presentes nos cigarros eletrônicos e de tabaco aquecido:

— O principal risco é que possam causar maior dependência química do que cigarros normais. Depois de um esforço de décadas para controlar o tabagismo, diminuir o acesso dos jovens e reduzir a ocorrência de doenças custosas para a saúde, a Previdência e a produtividade no geral, estamos trazendo produtos com capacidade de liberar quantidades maiores de nicotina, além de voltar a normalizar o cigarro na sociedade.

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Fonte: G1

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