Com laboratório de bolso, empresa aposta em “Ifood” para exames de sangue

Laboratório de bolso: “Delivery é a bola da vez. Não basta entregar um sanduíche na porta dos clientes, é preciso desenvolver serviços de entrega em todos os ramos, inclusive, no da saúde. Este é o principal motivo que ajuda a explicar a expansão desenfreada da curitibana Hi Technologies que, oferecendo um mini-laboratório de exames clínicos, conseguiu, em um ano, estender suas operações para 98 cidades brasileiras, inclusive na Região Norte.

Os executivos da empresa explicam esse crescimento com uma estratégia de dois pontos: colocar o seu laboratório de bolso – batizado de Hilab – no maior número possível de farmácias. Em segundo lugar, ofertar o serviço a domicílio. Seguindo a tendência de aplicativos como Ifood, Rappi e outros gigantes, o paciente pede para que o Hilab vá até ele, onde quer que esteja.

Menor do que uma cafeteira, o aparelho é manuseado por farmacêuticos, biomédicos e outros profissionais da saúde autônomos, que prestam o serviço no melhor estilo “uber” de negociação. Ao todo, a plataforma já conta com mil profissionais de saúde atuando como parceiros.

O diretor executivo da companhia, Marcus Figueredo, explicou que a visão da empresa é democratizar o acesso aos exames. “Queremos que cada pessoa do país ache um Hilab sem ter que se deslocar mais do que dois quilômetros”, contou.

“No começo desenvolvíamos tecnologia em saúde porque era desafiador. Depois entendemos que era necessário humanizar o atendimento e hoje sabemos que nossa missão é democratizar esse acesso”, arremata.

Por democratização entende-se não apenas a disponibilidade do aparelho, mas também o preço e o tempo em que o resultado aparece na tela. Com um pequeno furo no dedo, gotas de sangue são coletadas e encapsuladas dentro do equipamento. Depois de escaneada, essa amostra é reproduzida digitalmente usando inteligência artificial e enviada para análise, tudo via internet.

O resultado demora apenas alguns minutos para ser enviado ao paciente, por email ou SMS. O serviço futurístico realiza 15 tipos de testes. Entre os mais comuns estão os de glicemia, gravidez, HIV, dengue, zika e até diabetes. Apesar dos preços serem definidos pelas farmácias e profissionais, a empresa garante que os valores ficam entre R$ 10 e R$ 95, dependendo da complexidade da análise. Em entrevista ao Paraná S/A, Figueredo explicou quais são os desafios enfrentados pela empresa para se consolidar em um mercado dominado pelos mega laboratórios.

Confira.”

“Provar que os exames no Hilab são tão confiáveis quanto os feitos convencionalmente é o maior desafio da empresa?

Essa foi uma das nossas maiores preocupações. Primeiro montamos um time de especialistas em saúde muito forte para executar as análises, recrutando grandes talentos dos maiores laboratórios do país.  A segunda medida foi montar um conselho científico para auditar os resultados do nosso laboratório, com presidentes de sociedades científicas, professores de universidades federais e responsáveis técnicos. Também investimos em programas de qualidade e troca de amostras com outros laboratórios, em caráter de teste. Por isso hoje, depois de dois anos de testes e uso do Hilab, o público já está mais confortável com os resultados e nós não enxergamos a confiabilidade como o maior desafio a ser superado.

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O que você considera ser o maior empecilho nesse mercado, então?

Hoje queremos aumentar nossa visibilidade junto ao público. Isso porque até então vínhamos de uma discussão jurídica, uma questão regulatória, se era ou não permitido oferecer exames em farmácia. Um processo muito semelhante pelo qual passaram aplicativos de inovação como a Yellow, Uber e Netflix. Depois de uma luta jurídica em que ganhamos o aval da Justiça Federal, optamos por montar essa nova estratégia de evidenciar nossa marca, saindo desse crescimento silencioso.  Desde o lançamento do nosso produto, aumentamos todo mês 30% o número de exames realizados. Mas até então, apenas o público que já nos conhecia das farmácias tinha contato com a marca.

O que falta consolidar?

Estamos presentes em seis das maiores redes de farmácia do país. Até o final do ano queremos chegar a dez. Outra meta é concretizar a terceira rodada de investimentos na empresa. Hoje contamos com aportes da Positivo Informática e outros fundos, inclusive do Vale do Silício (EUA). Uma nova rodada seria voltada a emplacar o atendimento remoto por aplicativo, com o mesmo preço que é oferecido nas farmácias. Queremos atender o público que de alguma forma quer fazer o exame de forma mais privativa, em casa, como é o caso dos testes de HIV e sífilis, e também aqueles que tem dificuldade de locomoção, como os idosos.

Vocês falam em democratizar a saúde, então controlam o preço dos exames?

Nosso modelo de operações é bem simples. Fornecemos os equipamentos para os nossos parceiros, sem custo algum. O que os profissionais e lojas precisam fazer é comprovar um uso mínimo, em torno de dez exames por mês. O que cobramos é uma porcentagem em cima do exame realizado, mas não estipulamos quanto cada um deve cobrar.  O que fazemos é um trabalho de levantamento do preço destes exames no mercado local e um estudo de demanda para convencer o profissional, de que trabalhar com margens mais baixas é algo que beneficia todo mundo.  É um processo forte de incentivo a preços reduzidos. Ainda assim, as margens de lucro são boas para as farmácias e profissionais, que ficam com 15% a 40% do valor pago.

Estar em 98 cidades em um ano é uma marca impressionante. Como explica a expansão?

É muito difícil um laboratório convencional expandir por uma questão logística e geográfica. Precisa estar perto do cliente, coletar, levar a amostra para o laboratório e por aí vai. Por isso a maioria se concentra nas grandes cidades, com uma demanda grande o suficiente para justificar a estrutura.  O Hilab quebra isso porque não dependemos de logística, inclusive treinamos em plataformas de ensino à distância os profissionais que queiram usar. Soma-se a isso a mudança conceitual das farmácias, que desejam ser reconhecidas mais como uma unidade prestadora de serviços complementares à saúde, do que como uma distribuidora de remédios. Dessa forma conseguimos entrar não só nas grandes redes como também nas pequenas farmácias de interior, entregando a mesma agilidade e qualidade para um paciente que esteja em Curitiba ou no interior do Mato Grosso do Sul.”

Fonte: Gazeta do Povo

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