Doria faz acordo com farmacêutica na Inglaterra

Governador de São Paulo assinou um protocolo de intenções com o laboratório AstraZeneca para parceria de cooperação com o Hospital das Clínicas

Na Inglaterra até quinta-feira, 11, para angariar investimentos ao Estado, o governador de São Paulo, João Doria, assinou nesta terça-feira, 9, um protocolo de intenções com a gigante farmacêutica AstraZeneca para uma parceria de cooperação com o Hospital das Clínicas.

A intenção é modernizar a instituição dentro do modelo 4.0, um conceito trazido do setor industrial, que vive a Quarta Revolução, que busca a integração de todas as áreas possíveis, uso de inteligência artificial, robótica e Big Data.

Com atuação em Cotia, na Grande São Paulo, a empresa atua em vários países do mundo e o Brasil é um dos poucos locais que ainda não contam com um centro de pesquisa e desenvolvimento. “Fizemos um apelo para que implantem em São Paulo um centro de pesquisa”, relatou o governador.

Além de colaborar com conhecimento científico para aprimoramento dos protocolos de tratamento no maior complexo hospitalar da América Latina, pelo acordo, a empresa irá ceder tecnologia, estimulando a implantação de processos inovadores.

“Uma das questões da medicina hoje não é tratar de uma doença em um paciente, mas o que estamos fazendo agora é olhar toda a história do paciente, até mesmo antes de ser diagnosticado com alguma enfermidade. Não estamos concentrados apenas em um momento”, explicou ao Broadcast o presidente da companhia no Brasil, o escocês Fraser Hall.

Em São Paulo há 20 anos, a ambição da empresa é melhorar a vida de 5,5 milhões de pacientes brasileiros até 2025. “Temos compromisso com o Brasil”, afirmou Hall. Ele descartou, no entanto, um dos objetivos mais desejados pelo governo do Estado, que é o de criar um centro de pesquisa no País, como já tem em outras unidades no mundo, como na China, Japão e Estados Unidos, além de em seus países sede: Reino Unido (Cambridge) e Suécia (Gothenburg).

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“Não está nos planos no momento, mas estamos fazendo várias iniciativas de pesquisa na área clínica no Brasil, mas não temos laboratórios, não estamos fazendo descobertas no País”, disse o executivo.

De acordo com Hall, o Brasil deve se tornar uma oportunidade para a empresa nesse sentido, mas não no momento. Antes, segundo ele, é preciso desenvolver mais as bases da ciência local e ter mais infraestrutura no setor de educação.

Antes da assinatura do protocolo, Doria e sua equipe visitaram a instalação da empresa em Cambridge e se disse impressionado com o que viu no local. Aos executivos da companhia, reafirmou que seu governo é liberal e disse que atuações como a da empresa em Cotia são importantes para o Estado e para o País.

“Falo de São Paulo porque é o que a gente gerencia, então é a fronteira que temos de ter, mas é importante para São Paulo e para o Brasil, claro”, disse o governador que não assume, mas que pavimenta seu caminho como candidato em 2022.

Após o evento, Doria disse ao Broadcast que, num primeiro momento, a parceira não envolve investimentos, mas que eles poderão vir numa segunda fase. “Há perspectivas de investimentos em programas de estudos, na chamada ciência médica. Diria que é uma segunda etapa, mais breve até”, disse, argumentando que São Paulo se diferencia do restante do País e que já conta com infraestrutura. “Esse protocolo acelera o processo nessa direção.”

Para o presidente da InvestSp, Wilson Mello, que também participou da formatação do acordo, essa iniciativa já implantada pela empresa em outros hospitais em diversas partes do mundo é uma tendência. “O futuro da área da saúde passa necessariamente pela tecnologia e inovação.”

Fonte: Terra

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