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Teste rápido pioneiro detecta infecção por arboviroses

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A expansão e a qualificação da atenção à saúde no Estado estiveram no centro das discussões durante a 5ª Mostra Paranaense de Pesquisa em Saúde, realizada em Londrina neste mês de julho.  Promovido pelo iNesco (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva), o evento reuniu mais de 600 pessoas do Paraná e de outros estados, entre profissionais, pesquisadores e estudantes,  com o objetivo de compartilhar temas de relevância acadêmica e experiências eficazes na prática profissional. As melhores iniciativas foram premiadas durante o 4º Prêmio Inova Saúde Paraná, que aconteceu no encerramento da mostra.

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Pesquisador do Instituto Carlos Chagas e do Instituto de Biologia Molecular no Paraná, Luis Gustavo Morello conquistou a primeira e a terceira colocações no eixo Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. Um dos trabalhos inscritos foi o Desenvolvimento Tecnológico de Soluções e Plataformas para Diagnóstico de Arboviroses. O trabalho foi uma demanda do Ministério da Saúdepara a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para enfrentar as arboviroses emergentes que começaram a preocupar o País entre 2014 e 2015, com os primeiros casos de zika vírus e febre chikungunya.

Morello desenvolveu um teste rápido pioneiro no mundo capaz de detectar a infecção por arboviroses antes que o organismo comece a produzir moléculas para combatê-la. A intenção é disseminar o teste para unidades de saúde descentralizadas sem a necessidade de envio das amostras coletadas para laboratórios centrais como o Lacen, no Paraná. “Estamos com o protótipo laboratorial validado, o que significa que agora precisamos ir para uma segunda fase onde a gente estressa mais este teste junto aos parceiros, com muito mais amostras”, explicou. A disseminação do teste, afirma ele, impactaria diretamente o manejo clínico dos pacientes.

LAB-ON-A-CHIP

A detecção do agente infeccioso de maneira automatizada em um sistema miniaturizado depende de uma área relativamente nova na ciência, tanto na pesquisa quanto na aplicação, chamada de lab-on-a-chip (laboratório no chip, em português). “É pegar todos aqueles processos que você faz em um laboratório convencional, com vários equipamentos e pessoas, e colocar tudo isso integrado e automatizado em um dispositivo do tamanho de um smartphone. É esse o desafio e tem muita engenharia microfluídica por trás disso”, disse Morello. A pesquisa é feita em parceria com uma empresa especializada da Alemanha.

Morello trabalhou um ano e meio no desenvolvimento do projeto e foi necessário mais um ano para validação junto aos parceiros em diferentes regiões do Brasil. O pedido de registro do teste já foi feito à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Nós já temos um protótipo laboratorial integrado, completamente funcional, onde você carrega um certo volume de sangue e não faz mais nada, só espera o resultado final entre o positivo e o negativo e se é zika, chikungunya, dengue do tipo 1, 2, 3 ou 4 ou febre amarela.”

A plataforma ainda é flexível para receber outros alvos que já estão no radar das pesquisas, como por exemplo, a febre causada pelo vírus Mayaro, a febre do Oeste do Nilo e a febre causada pelo oropouche, arbovírus que estão emergentes e já foram detectados no Brasil. “É uma revolução. Vai ser uma mudança de paradigma na descentralização desses diagnósticos para um centro de saúde”, prevê Morello.

DIFUNDIR CONHECIMENTO

Do total de 396 trabalhos inscritos, 97 foram selecionados para concorrerem ao prêmio, divididos em 14 eixos temáticos. Ao final, 37 trabalhos receberam a premiação. A presidente da Comissão Científica da mostra, Elaine Rossi, destacou que o evento de caráter científico colabora para a construção do conhecimento na saúde ao propiciar a interface entre todas as pessoas que atuam na área no Estado.

Inovar, aprimorar e difundir conhecimento, afirma Rossi, é fundamental para melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população. “O prêmio tem a característica de inovação. Traz experiências que são exitosas e já estão em prática e trouxeram algum resultado possível. Os avaliadores observam o caráter inovador e a possibilidade de replicação do trabalho.”

Fonte: Folha de Londrina

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