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Varejo contará com liberação do FGTS para tentar reaquecer vendas de 2019

Mesmo que parte dos recursos seja canalizada para o pagamento de dívidas, lojistas esperam que “efeito cascata” engorde as receitas para datas comemorativas e eleve em até 0,4% o PIB do setor.

 

À espera da liberação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) a partir de setembro, o varejo acredita que começará 2020 com o pé direito. Entre as expectativas, está uma demanda maior dos consumidores por itens de menor valor agregado e a antecipação da compra de presentes para importantes datas comemorativas.

 

“A expectativa é que entre 25% a 30% dos R$ 30 bilhões que entrarão na economia neste ano devem ser direcionados ao varejo. Estamos falando de uma alta de 0,4% no desempenho desse setor para este ano e um caminho para começar mais forte em 2020”, argumentou o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze.

 

De olho nesse potencial financeiro, um exemplo de varejista que deve aproveitar essa injeção de capital na economia é a rede Armarinhos Fernando. “Temos a perspectiva de aproveitar ao máximo essa demanda que está por vir, considerando que o tíquete médio deve passar de R$ 45 para R$ 65”, disse o gerente geral da rede, Ondamar Antônio Ferreira. Segundo o ele, as categorias de produto que devem apresentar maior demanda para o período são brinquedos e a parte de bazar do negócio. “Para o período, o avanço na comercialização de brinquedos está estimado em 10% em relação ao Dia das Crianças de 2018. Esse cenário tem impulsionado também a variedade de itens encomendados juntamente aos fornecedores”, diz.

 

Na perspectiva da consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Cássia Godinho, é fundamental que os varejistas se preparem em termos de estoque e portfólio de produtos para essa possível alta demanda a partir de setembro. “Como os saques do FGTS tem o limite de R$ 500, as redes terão de dar mais atenção aos itens de menor valor agregado. Com isso, uma das possíveis estratégias que os empresários podem adotar é treinar os funcionários a fim de elevar o tíquete médio por meio de produtos complementares àquela compra”, complementou ela, lembrando que todas as condições para o êxito da compra devem ser aperfeiçoadas, desde a disposição do produto nas gôndolas até condições de pagamento.

 

Na perspectiva do diretor executivo da rede óticas Atitude, Marcelo Teixeira, existe a expectativa de que o valor liberado pelo FGTS sirva de “aperitivo” para as compras que possam superar os R$ 500. “Esse tipo de injeção na economia estimula as pessoas a consumirem mais lazer e acabam indo aos shoppings. Quando se deparam com produtos como os nossos óculos, e com condições parceladas, especiais, as vendas aumentam. Haverá um acréscimo de, pelo menos, 5%”, disse Teixeira, destacando que foi lançada uma campanha de parcelamento mais longo, com até seis vezes sem juros no cartão. O tíquete médio deve subir 20%.

 

Inadimplência

Em julho deste ano, cerca de 37% dos consumidores inadimplentes devem até R$ 500, revelou, na última sexta-feira, um levantamento realizando pela Confederação Nacional dos Dirigente Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Entre os maiores atrasos, estão as contas de luz e água – alta de 16% ante a julho de 2018.

 

“Quinhentos reais podem parecer pouco para alguns, mas é praticamente a metade de um salário mínimo. Para quem está com contas em atraso, esse recurso extra poderá aliviar o bolso. Mesmo para quem tem uma dívida maior, esse dinheiro pode abater parte do valor do débito e contribuir em uma renegociação com parcelas menores, que possam caber no orçamento”, diz o presidente do SPC, Roque Pellizzaro Junior.

 

Dietze, da Fecomércio, lembra que o varejo brasileiro deve se beneficiar da liberação do FGTS ainda que os recursos não sejam transferidos diretamente para as atividades de compra. “Os efeitos virão também na forma indireta, uma vez que esses consumidores vão canalizar parte do dinheiro para quitar suas dívidas e, a partir disso, terão mais condições de consumir nas datas importantes para o varejo”, complementou.

Fonte: DCI

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