Fármacos à base de rutênio têm alto potencial contra doença de Chagas

doença de Chagas

Pesquisadores da USP demonstram que uma nova família de compostos, à base do metal rutênio, possui alto potencial para ser utilizada como metalofármacos no tratamento da doença de Chagas. Os testes preliminares abrem possibilidades para o desenvolvimento de novos medicamentos. Os chamados “acetatos de rutênio”, compostos sintetizados em laboratório, se mostraram, inclusive, mais eficazes em testes in vitro que o Benzonidazol, medicamento de referência no Brasil utilizado no tratamento de pacientes nas fases aguda e crônica da doença.

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“Os resultados foram bastante satisfatórios comparando a atividade biológica dos novos compostos de rutênio em relação ao Benzonidazol”, diz a professora Sofia Nikolaou, coordenadora do Laboratório de Atividade Biológica e Química Supramolecular de Compostos de Coordenação, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.

“Nos ensaios que investigaram a forma do parasita Trypanosoma cruzi na fase aguda da doença de Chagas, foi preciso uma dose aproximadamente quatro vezes menor de um dos compostos dessa nova família de metalofármacos em comparação ao medicamento de referência, para eliminar metade da população de parasitas in vitro. Já em relação à forma do parasita presente na fase crônica da enfermidade, o resultado foi ainda mais promissor: foi necessária uma dose cerca de 10 vezes menor do metalofármaco para alcançar o mesmo efeito”, relata a pesquisadora.

Metalofármacos: medicamentos mais potentes

Os metalofármacos têm despertado interesse de cientistas em todo o mundo graças às suas potencialidades farmacológicas. A ideia é desenvolver medicamentos mais potentes, com menos efeitos colaterais e mais seletivos em relação às drogas conhecidas. “Os metais têm a capacidade, entre outras coisas, de promover uma organização espacial dos princípios ativos orgânicos, de modo a modificar suas propriedades farmacológicas”, diz. “As pesquisas focam na busca de novos materiais em que essas mudanças sejam positivas para se obter novos antiparasitários, bactericidas, antifúngicos e anticancerígenos mais eficazes”, acrescenta.

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Nessa área, são vários os metais estudados: a platina, o zinco, o cobre, o rutênio, o cobalto, entre outros. A platina, por exemplo, que é um metal nobre, vem sendo utilizada contra o câncer em várias formulações há mais de 50 anos. “No caso das moléculas que contêm rutênio em sua composição, elas apresentam algumas vantagens em relação a outros metalofármacos, como um menor efeito tóxico sobre células saudáveis e mecanismos de ação diferentes dos observados para os compostos de platina”, explica Sofia. Cita como exemplo o fato de compostos à base de rutênio serem mais eficazes em câncer na fase de metástase em comparação com o efeito de compostos de platina em tumores sólidos.

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Fonte: Jornal do Campus

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