Notícias do setor farmacêutico

Indícios de que remédio de TDAH prejudica o cérebro

Pesquisadores holandeses identificaram indícios de que um medicamento usado para tratar o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode afetar o cérebro de crianças. Segundo os cientistas, a terapia age no desenvolvimento da substância branca, que está relacionada a transporte de sinais neurais. Esse efeito negativo não foi observado em adultos que ingerem a mesma medicação. Detalhes do trabalho foram publicados na última edição da revista Radiology.

Siga nosso Instagram: https://www.instagram.com/panoramafarmaceutico/?hl=pt-br

O metilfenidato (MPH) é um tratamento comumente prescrito para o TDAH, com índice de eficácia de até 80% dos pacientes, segundo os autores da pesquisa. Apesar do uso da substância, não se sabe muito sobre o efeito dela no desenvolvimento cerebral. Para desvendar esse mistério, pesquisadores holandeses realizaram um estudo com 50 meninos e 49 homens adultos diagnosticados com o transtorno e que, no início da pesquisa, não haviam tido contato com o medicamento.

Ao longo de 16 semanas, uma parte dos voluntários recebeu MPH, e outra, placebo. Antes e uma semana após o término do tratamento, eles foram submetidos à ressonância magnética, incluindo imagem por tensor de difusão (DTI), uma técnica que ajuda a avaliar a substância branca cerebral.

Como resultado, os pesquisadores observaram que, quatro meses de tratamento com MPH, meninos com TDAH apresentaram menor densidade das fibras nervosas da substância branca cerebral. Os efeitos não foram observados em adultos tratados com o mesmo remédio.

“Os resultados mostram que os medicamentos para TDAH podem ter diferentes efeitos no desenvolvimento da estrutura cerebral em crianças versus adultos”, destaca, em comunicado, Liesbeth Reneman, pesquisadora do Departamento de Radiologia e Medicina Nuclear da Universidade de Amsterdam, na Holanda.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/06/24/ansiedade-esta-entre-os-transtornos-mais-comuns-na-adolescencia/

Mais estudos

Os pesquisadores destacam que mais estudos precisam ser feitos para confirmar as descobertas, principalmente em relação ao comportamento do medicamento quando ele é usado a longo prazo, mas ressaltam que os resultados reforçam a necessidade de maior cuidado na prescrição do medicamento. “O que nossos dados já ressaltam é que o uso de medicamentos para TDAH em crianças deve ser cuidadosamente considerado até que se saiba mais sobre as consequências a longo prazo da prescrição de metilfenidato em uma idade jovem. A droga só deve ser prescrita para crianças que realmente têm TDAH e são significativamente afetadas por ela”, frisou Liesbeth Reneman.

“O uso de medicamentos para TDAH em crianças deve ser cuidadosamente considerado até que se saiba mais sobre as consequências a longo prazo da prescrição de metilfenidato em uma idade jovem”. Liesbeth Reneman,  pesquisadora do Departamento de Radiologia e Medicina Nuclear da Universidade de Amsterdam.

Fonte: Correio Braziliense

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação