Nova vacina com nanopartículas pode prevenir e tratar o melanoma

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Cientistas israelenses, mais precisamente da Universidade de Tel Aviv, publicaram na última edição da renomada Revista Nature, do começo de agosto, um estudo sobre o desenvolvimento de uma vacina contra o melanoma maligno de câncer de pele, tumor que surge das células produtoras de pigmento da pele. “Esta é a forma mais temida de câncer de pele, com uma alta tendência de metástase para partes distantes do corpo, incluindo o cérebro”, afirma o dermatologista Dr. Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. A nova vacina foi testada para prevenir o desenvolvimento do tumor em camundongos imunizados, bem como para prolongar a sobrevida de forma muito significativa em camundongos com melanomas primários e metastáticos.

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Para o desenvolvimento da vacina, os cientistas trabalharam em uma combinação de terapias, incluindo uma ‘nanovacina’ com anticorpo anti-PD-1 (αPD-1), que funciona suprimindo os fatores tumorais que inibem as respostas imunes normais – que seriam esperadas para identificar e atacar as células tumorais como estranhas, impedindo o desenvolvimento e disseminação do tumor. “Eles também adicionaram o anticorpo anti-OX40 que estimula uma classe de células imunes chamadas T-cells. Essas células respondem a essa molécula proliferando e se tornando mais potentes, sobrevivendo aos efeitos das funções relacionadas ao sistema imunológico por um longo período de tempo”, afirma o Dr. Jardis.

A vacina é composta de nanopartículas de tamanho de cerca de 170 nanômetros, que foram construídas a partir de um polímero biodegradável, e dois tipos de cadeias peptídicas, idênticas às expressas em células de melanoma. A combinação desta vacina com os dois anticorpos foi então testada num modelo de ratinho que tinha tumores de melanoma. “Os cientistas descobriram que essas nanopartículas se comportavam muito melhor do que as vacinas virais. Eles estimularam o sistema imunológico do camundongo a reconhecer os peptídeos malignos do melanoma como estranhos, e isso levou ao ataque imune a todas as células contendo ou expressando um ou ambos os peptídeos”, diz o médico.

Os pesquisadores exploraram a eficácia da vacina em três situações diferentes: para prevenir o melanoma maligno, para tratá-lo e seus efeitos em tecidos tumorais extraídos de pacientes com metástase de melanoma no cérebro. “Para prevenir o melanoma maligno, eles injetaram a vacina em camundongos saudáveis e implantaram células de melanoma nos mesmos camundongos. O resultado foi que os ratos não ficaram doentes, o que significa que a vacina impediu a doença”, diz o estudo.

Para os ratos que já tinham melanoma, foram utilizadas a nova nanovacina e várias formas de imunoterapia, o que também aumenta a imunidade. Como resultado do tratamento combinado com o anticorpo α-PD-1 e com o anticorpo anti-OX40, descobriu-se que as células T invadiam o tumor em maior número que em fases anteriores. Embora a estratégia não tenha levado a uma parada do crescimento do tumor nos camundongos tratados que já apresentavam melanomas, as células supressoras da medula óssea foram atraídas para o local do tumor, agravando a supressão imunológica. “Nesta fase, portanto, os pesquisadores adicionaram mais um medicamento, o anticorpo monoclonal ibrutinib, que tem como alvo essas células supressoras derivadas da medula óssea. Isso impediu que as células de melanoma prosperassem nos camundongos imunizados. Não só os tumores encolheram e até desapareceram, os ratos sobreviveram por longos períodos de tempo”, afirma o médico. Assim, a nanovacina ajuda o corpo a suprimir o crescimento do tumor em combinação com moduladores do ponto de controle imunológico. “Os dois tratamentos trabalharam em conjunto para atrasar o crescimento e propagação dos melanomas malignos e deram aos ratos uma vida muito mais longa após o tratamento”, diz o Dr. Jardis.

Por último, com relação aos efeitos da vacina em tecidos tumorais extraídos de pacientes com metástases de melanoma no cérebro, os resultados indicam que a nova vacina pode ser usada no tratamento de metástases cerebrais também. De acordo com o dermatologista, a pesquisa abre as portas para uma abordagem completamente nova – a abordagem da vacina – para o tratamento eficaz do melanoma, mesmo nos estágios mais avançados da doença. “A nova abordagem da nanovacina pode ser um fator de esperança, não apenas para pacientes com melanoma maligno, mas também com outros tumores que podem ser prevenidos ou tratados pela imunização do corpo contra eles”, finaliza o médico.

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Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

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