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Ressaca é considerada doença por tribunal na Alemanha

Quem quiser usar a desculpa de “estar de ressaca” para não ir ao trabalho pode até tentar, na Alemanha. No início da semana, o Tribunal Regional Superior de Frankfurt afirmou que uma doença também poderia ser caracterizada por “pequenas ou temporárias interrupções no estado normal ou na atividade normal do corpo” — encaixando, portanto, as ressacas.

A decisão foi tomada durante o julgamento de uma fabricante de bebida, cujo produto dizia tratar ou prevenir os sintomas relacionados à ressaca. A empresa, que estava oferecendo “shots” da bebida para os participantes da Oktoberfest, foi denunciada e foi impedida de fazer a propaganda de “bebida anti-ressada”, conforme anunciou a imprensa local.

Dentre os sintomas que a bebida dizia tratar estavam o cansaço, náusea e a dor de cabeça. Para o tribunal alemão, tais sinais condizem com o desvio do estado normal do organismo, ou os sinais de uma doença.

“Eles não acontecem como resultado de uma mudança normal do corpo, mas como resposta a um consumo de álcool, uma substância danosa”, disse o tribunal, conforme divulgado pela CNN.

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Regras para evitar a ressaca: Não adianta proteger o fígado

Uma das técnicas de quem já vivenciou a ressaca é tentar se proteger com medicamentos que prometem cuidar do fígado, como o maleato de mepiramina + hidróxido de alumínio + ácido acetilsalicílico + cafeína, ou o Engov, nome comercial mais conhecido.

“O fígado não é o culpado. A ressaca não surge porque ele ficou muito machucado, não é isso. Ela surge da falta de o organismo em conseguir metabolizar todo aquele álcool consumido, que acaba intoxicando o corpo”, explica Alcindo Pissaia Junior, médico hepatologista.

Os medicamentos apenas ajudarão a diminuir os sintomas — mas de forma alguma impedem que você fique bêbado ou com a ressaca. “Essa regra de tomar o remédio antes e depois não serve para nada. Ele tira os sintomas, mas não reduz os efeitos deletérios do álcool no organismo”, diz Mirella Massollo, médica especialista em clínica médica.

Cuide do estômago

Os primeiros sinais da ressaca começam a ser pensados lá no estômago, logo que o corpo percebe que você está bebendo além da capacidade de as enzimas metabolizarem a bebida.

“O álcool em excesso, dentro do estômago, faz vomitar e pode ter diarreia. Também pode reduzir a glicose, caso a pessoa não se alimente direito, e no dia seguinte os sintomas mais comuns são dor de cabeça, dor muscular e náusea”, reforça o hepatologista.

Por isso, a regra geral ‘alimente-se antes de beber’ é válida. “Você vai ter uma intoxicação menor caso se alimente enquanto bebe, ou antes de beber. O consumo de álcool com alimento é melhor do que com o estômago vazio. Claro que, se fizer uma refeição muito pesada, pode trazer mais náusea, então é preciso esse cuidado também”, diz Pissaia.

Lembre-se que beber em exagero é intoxicar o organismo

Cerca de 80% do que você ingere vai passar pelo fígado e os 20% restantes vão direto à corrente sanguínea que, depois, voltam ao órgão. Para todo esse trabalho, o fígado precisa de um tempo – ele metaboliza 10g por hora, ou algo em torno de 300mL – uma lata de cerveja ou uma taça de vinho.

“Se a pessoa ingere cinco taças de vinho, são cinco horas para o fígado metabolizar. E a maioria das pessoas, quando sai para beber, não consome apenas isso, imaginando uma saída noturna que dure quatro a cinco horas”, calcula Mirella Massollo, médica especialista em clínica médica.

Até que todo o álcool seja metabolizado, a quantidade que circula pelo organismo traz sinais importantes, que deveriam servir de alerta à pessoa: aquela tontura característica significa que seria melhor você parar de beber, começar a ingerir água, porque o organismo está desidratando e o fígado precisa de uma pausa para conseguir dar conta do trabalho extra.

Foi ao banheiro? Tome água na sequência

A intoxicação pelo álcool afeta também o hormônio antidiurético, suprimindo-o. Isso gera desidratação, e faz você urinar com mais frequência. Chegada à essa etapa, vale a regra: se for ao banheiro, tome água logo depois.

“No geral, você não sai do bar com um drink em uma mão e uma garrafinha de água na outra, o que seria o ideal. Então, sempre que for urinar, tome um copo de suco ou algo que não seja alcoólico, de preferência água. A próxima dose deve ser sempre não alcoólica”, sugere Mirella Massollo, médica clínica.

Uma taça de vinho por dia é o ideal, e evite sempre os shots

A quantidade de álcool permitida varia conforme o organismo, mas é consenso entre os médicos que meia taça de vinho, por dia, não causa um dano tão grande – especialmente se associado a água e uma alimentação leve. O problema está nas misturas com, principalmente, bebidas com alto teor alcoólico.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/09/25/infarmed-recebe-doentes-para-esclarecer-falta-de-medicamentos-nas-farmacias/

“Shots têm um teor alcoólico muito maior que as cervejas e as pessoas acabam intercalando uma bebida com a outra. A gramatura de álcool que você ingere causa os efeitos intoxicantes no organismo, que depois se traduzem na ressaca. A própria ressaca tem um impacto econômico grande. O nível de absenteísmo ao trabalho por conta dela é grande”, diz a médica.

Esqueça o energético

Outro mito das festas é a ideia de que, misturando a bebida alcoólica com energético, os efeitos serão menores no dia seguinte. A pessoa fica bêbada da mesma forma, porém o energético retira a percepção de que você está bêbado. Pior, você acaba bebendo mais ainda por conta disso e a ressaca virá do mesmo jeito. Portanto, evite.

E, por fim, prometa, novamente, que nunca mais irá beber em exagero.

Fonte: Gazeta do Povo Online

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