Notícias do setor farmacêutico

Brasileiro é criativo, mas precisa de um ambiente que não atrapalhe, diz pesquisador do MIT

Ezequiel Zylberberg, pesquisador do MIT (Foto: Divulgação)

Inovar no Brasil é complicado, mas melhora se o ambiente interno se tornar mais colaborativo. A opinião é de Ezequiel Zylberberg, pesquisador do MIT e coautor do livro Inovando no Brasil, que será lançado em outubro. Para ele, o setor público, privado e universidades precisam estar alinhadas para criar um ecossistema de inovação. Só assim, segundo Zylberberg, as empresas e novos negócios brasileiros começarão a se inserir em escala global.

“Hoje, as empresas brasileiras não precisam se preocupar com as inovações externas”, diz a Época NEGÓCIOS. “Elas conseguem sobreviver com o tamanho do mercado, mas têm que lembrar que não são iguais a China que tem capacidade de criar uma Tencent e Alibaba só com o consumidor chinês.”

Zylberberg participou hoje (26/09) do primeiro dia da Conferência ANPEI de Inovação 2019, que acontece até amanhã em Foz do Iguaçu (PR).

O pesquisador defendeu que o governo é o elo entre os centros de pesquisas e o setor privado. “O relacionamento entre universidades e empresas é difícil, porque a tecnologia que sai desses leboratórios ainda não é suficientemente madura para o mercado”, diz. Por meio de políticas públicas alinhadas com as necessidades da indústrias, no entanto, o Brasil conseguirá contornar essa barreira, defende.

Zylberberg cita como exemplo o centro de inovação Cesar, em Recife (PE), que teve investimento público para incentivar startups. “Se você só tem investimento privado, a estratégia se torna muito para hoje”, afirma. “Você precisa de parceria com o público para criar algo a longo prazo e tornar o ambiente mais estável para o fomento de inovação.”

O pesquisador acredita que o Brasil precisa focar em determinados setores, como petróleocosméticos, soja e até mesmo o financeiro. Para ele, o surgimento de fintechs como o Nubank, mostra o potencial global da inovação brasileira.

“O Brasil hoje faz um pouco de tudo”, diz. Segundo Zylberberg, essa estratégia faz com que o país invista em áreas que não tem diferencial. “Por exemplo, o Brasil tem investido em condutores, mas a Coreia do Sul e China já são muito fortes nisso e os brasileiros não vão conseguir ter competitividade global”, afirma.

Ele explica que é necessário capacitar e aproveitar o conhecimento interno para gerar tecnologia própria para o mundo.  “A inovação não é apenas algo disruptivo e instantâneo, mas exige uma política de continuação”, diz. “O brasileiro é incrivelmente criativo, mas precisa de um ambiente que ajude e não atrapalhe.”

Fonte: Época Negócios

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação