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Nova diretora-gerente do FMI vê desaceleração global sincronizada

FMI
Kristalina Georgieva, do FMI: muro de Berlim digital divide tecnologias globais. Foto: Andrew Harrer/Bloomberg

A nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), a búlgara Kristalina Georgieva, tomou posse ontem e alertou em seu discurso inaugural que a economia global está em uma desaceleração sincronizada e que, se a situação piorar, pode exigir uma resposta coordenada das autoridades globais.

Georgieva disse que, há dois anos, a economia global crescia de forma sincronizada, mas agora existe uma desaceleração conjunta, com mais de 90% dos países perdendo força este ano. Segundo ela, na próxima semana, quando for divulgado seu relatório ?World Economic Outlook?, o FMI deve reduzir suas projeções de expansão para este ano e o próximo.

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Georgieva apontou que o crescimento está perdendo força em países desenvolvidos, como EUA, Japão e zona do euro, e que em grandes emergentes, como Índia e Brasil, a desaceleração é ainda mais acentuada.

Os motivos, disse ela, são diversos. O primeiro deles é a tensão comercial entre EUA e China. ?No passado, nós falamos sobre os perigos das disputas comerciais. Agora, nós vemos que elas já estão cobrando um preço?, afirmou. Ela ressaltou que, em uma guerra comercial, todos perdem, e que com uma economia global conectada, muitos outros países devem em breve começar a sentir os impactos dessas disputas.

Georgieva afirmou que, ainda que a economia global se recupere em 2020, as disputas comerciais podem deixar marcas que afetarão o mundo por vários anos. Ela menciona a existência de um ?muro de Berlim digital?, que força os países a escolher entre diferentes sistemas tecnológicos. A diretora-gerente do FMI indicou que, considerando os efeitos secundários de perda de confiança e reação dos mercados, as disputas comerciais podem tirar US$ 700 bilhões da economia global até 2020, o que equivale a 0,8% do PIB mundial.

Ela ressaltou que é preciso trabalhar em soluções duradouras para essas disputas, o que inclui lidar com subsídios, direitos de propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Georgieva também ressaltou a importância de estimular o comércio global. ?A chave é melhorar o sistema, não abandoná-lo?

A chefe do FMI propôs um plano baseado em quatro pilares para promover um crescimento global mais resiliente. O primeiro é o uso sensato da política monetária, ou seja, manter juros estimulativos, não descuidando da estabilidade financeira. Ela lembrou que muitas partes do mundo já vivem com juros negativos e disse que isso traz efeitos colaterais ruins.

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O segundo pilar é a política fiscal, em países onde há espaço no orçamento. Ela citou nominalmente Alemanha, Holanda e Coreia do Sul. A terceira prioridade é implementar reformas estruturais para elevar a produtividade e aumentar o crescimento potencial. O quarto pilar é aumentar a cooperação internacional.

Fonte: Valor Online

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