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Não se sabe o que acontece a 82% dos resíduos de medicamentos

Apenas cerca de 18% das embalagens ou dos medicamentos fora de prazo são recolhidos pelo sistema que os trata, denuncia a associação Zero. E alerta: “São urgentes medidas que melhorem a recolha e previnam a poluição”.

 

xiste uma “muito baixa” taxa de recolha de resíduos de embalagens e de medicamentos, alerta a associação Zero, em comunicado, chamando a atenção para a necessidade de se sensibilizar os consumidores, os produtores de medicamentos e os decisores políticos para o problema.

 

Com base na análise do relatório de atividades da entidade responsável pela gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso — a VALORMED, que gere o Sistema Integrado de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (SIGREM) — os ambientalistas constataram que “apenas cerca de 18% destes resíduos” estão a ser entregues nas farmácias para reciclagem. Ou seja, não se sabe o que acontece aos restantes 82%, se ficam nas gavetas, se vão parar ao lixo comum, se vão pela sanita abaixo ou que outro destino terão.

 

Em 2018, o número de embalagens colocadas no mercado e declaradas pela indústria farmacêutica terá gerado, segundo a Zero, “um potencial de 5.954 toneladas de resíduos”. Contudo, apenas foram entregues nas farmácias 1.051 toneladas de restos de embalagens de medicamentos e outros resíduos que não são tratados por este sistema. Em 2020, a meta é recolher 20% das embalagens de medicamentos, e a taxa nacional está aquém disso. Os números apresentados pela VALORMED demonstram “uma quase estagnação dos indicadores de desempenho do sistema”, diz a Zero.

 

Para inverter esta tendência, os ambientalistas alertam para “a necessidade urgente de se repensar o modelo de funcionamento do sistema” e propõem: “o alargamento dos pontos de recolha” à rede de parafarmácias; a “aplicação de incentivos” para intensificar a colaboração dos consumidores no encaminhamento dos resíduos; a aposta em estratégias de comunicação e de informação mais eficazes junto de consumidores e profissionais de saúde; e a redução das embalagens de modo a serem mais ajustadas à necessidade terapêutica e gerarem menos desperdício.

 

O alargamento dos pontos de recolha à rede de parafarmácias “já se encontra aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente desde março deste ano”, indica a Zero. Contudo, o despacho que determina essa aprovação continua por aprovar, lembra.

 

Os ambientalistas frisam também que, apesar das melhorias no tratamento de água para consumo e das águas residuais, tem sido cada vez mais detetada “a presença de compostos farmacêuticos nas massas de água”, devido, em parte, “à incorreta deposição de restos de medicamentos no sistema de saneamento”. Ao irem para a rios ou ao mar, “aumenta o risco de entrada na cadeia alimentar de substâncias cuja toxicidade é suscetível de alterar significativamente o metabolismo dos seres vivos”.

Fonte: EXPRESSO

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