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Uma em cada 11 pessoas já tomou remédios tarja preta no Brasil

remédios

Nos últimos quatro anos, um a cada 11 brasileiros ingeriu ao menos uma dose de
remédios psicotrópicos — aqueles usados no tratamento da depressão, da
BRASIL

Para se ter uma dimensão desse consumo, entre 2015 e o ano passado o Ministério da Saúde
distribuiu 18,1 milhões de doses dos remédios triexifenidil (para tratamento da doença de
Parkinson) e clobazam (tranquilizante). Em quatro anos, a alta é de 45,5%, saltando de 3,37
milhões de doses em 2015 para 4,91 milhões de doses no ano passado.
Desde 2015, a escalada de aumento é contínua, com pico em 2017. Os dados fazem parte de
um levantamento do Ministério da Saúde, feito a pedido do Metrópoles.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/10/09/eurofarma-e-knight-therapeutics-disputam-a-biotoscana/

Segundo o governo, em 2015 foram distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) 3,37
milhões doses (ampolas, comprimidos ou frascos). Em 2016, o índice apresentou um salto
de 38,7%: 4,68 milhões de doses. No ano seguinte, nova alta: 9,6%. Em 2017, foram
entregues 5,13 milhões de doses. No último ano, houve uma ligeira queda de 4,3%, quando
foram fornecidas 4,91 milhões de doses.

Esse número pode ser ainda maior. É de competência de cada município a compra de
medicamentos psicotrópicos. Os recursos são repassados do Fundo Nacional de Saúde
diretamente ao Fundo de Saúde do Município. Com isso, cada cidade pode ter listas
próprias.

A capital federal, por exemplo, tem nas farmácias das unidades básicas de saúde e nas
farmácias de alto custo 113 tipos de medicamentos psicotrópicos. Segundo o governo do
Distrito Federal, cerca de 47 milhões de unidades são dispensadas anualmente.
No DF, os medicamentos dispensados são aqueles tanto para saúde mental, quanto para
outras doenças do sistema nervoso central, a exemplo da epilepsia. No total, são fornecidos
47 milhões de doses anualmente, que podem ser em comprimido, ampola, frasco, cápsula e
drágea (conta-se cada unidade da cartela).

Em Goiás, a Secretaria Estadual de Saúde compra com recurso federal medicamentos para
atender à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Privada de Liberdade
14/10/2019 Uma em cada 11 pessoas já tomou remédios tarja preta no Brasil (PNAISP).

Para este caso específico, o estado adquire os psicotrópicos carbamazepina,
cloridrato de amitriptilina, diazepam e haloperidol.
Alerta

Na última quarta-feira (10/10/2019), foi celebrado o Dia Internacional da Saúde Mental. De
acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade de casos de
depressão cresceu 18% em dez anos. Até 2020, esta será a doença mais incapacitante do
planeta, segundo a OMS.

O Brasil tem destaque na projeção. O país é campeão em casos de depressão na América
Latina. Quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com a doença,
segundo dados da OMS.

O psiquiatra Otávio Castello, diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer,
explica que o aumento dos medicamentos não está ligado ao abuso. “Existe uma epidemia
de doenças mentais. Temos um número crescente de pacientes. Está havendo mais
pacientes e mais tratamentos. Os remédios estão chegando às pessoas”, comemora.
Segundo o especialista, as pessoas estão perdendo o preconceito e estão se tratando.
“Ninguém falava sobre depressão, por exemplo. Começamos a combater essa visão
anterior, apesar de termos avançado menos do que precisamos”, completa.

Castello alerta para o uso indevido dessas drogas: “O risco é usar sem avaliação médica. O
problema é o paciente que não vai na consulta e a alta medicação é perigosa. Ele é
controlado porque tem risco inerente por trabalhar no sistema nervoso central. A indicação
é mais restrita, precisa”, avalia.
Ajuda especializada

Para Michele Müller, pesquisadora, escritora e especialista em neurociência clínica e
neuropsicologia educacional, há uma preocupação maior da sociedade com relação à saúde
mental. “O aumento nas prescrições deve refletir também um aumento no número da
procura da população por especialistas. O que pode ser preocupante é o aumento da busca por ajuda, mas não especializada, pois grande parte dos medicamentos psicotrópicos é
receitada por clínicos gerais”, avalia.

O uso de medicamentos também tem outra perspectiva. “Isso também reflete que a
conscientização com relação à saúde mental é feita de forma muito limitada, como se
tratasse de algo que tem raízes unicamente biológicas, sem levar em consideração os
fatores psicossociais e culturais de problemas como depressão e ansiedade”, explica.

Michelle conclui: “Nem sempre temos o controle sobre questões que, muitas vezes, são de
origem coletiva, da forma como vivemos enquanto sociedade, cada vez mais
individualizada e buscando soluções rápidas para tudo. Então é uma questão de
conscientização da sociedade”, acrescenta.
Versão oficial

Em nota, o Ministério da Saúde informou que a assistência farmacêutica é organizada em
três componentes. “Cada um dos componentes possui características, forma de
organização, financiamento e elenco de medicamentos diferenciados entre si, bem como
critérios distintos para o acesso e disponibilização dos medicamentos”, destaca o
comunicado.

O texto emenda: “No caso dos psicotrópicos, a responsabilidade pela aquisição e
disponibilização é descentralizada (responsabilidade dos estados, Distrito Federal e
municípios). Ressalta-se que os entes poderão constituir listas complementares à Relação
Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) para ofertar outros remédios, de acordo
com as demandas locais”, finaliza a nota.

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Fonte: Metrópoles

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