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Quebra de patente baixa preço de medicamentos contra câncer no Brasil

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Entrada no mercado de outros laboratórios fez os preços do medicamento contra linfomas caírem

 

É normal no varejo: sempre que um produto entra para concorrer com outro, os preços caem e o benefício, geralmente, é do consumidor. Desta vez, a boa notícia é para pacientes em tratamento do câncer e que utilizam o medicamento Rituximabe. Depois de 20 anos com apenas um laboratório explorando comercialmente o medicamento no Brasil, outros dois entraram nesta briga. Com a queda nos preços, a expectativa é que mais pessoas tenham acesso ao Rituximabe.

 

Até então, apenas o laboratório Roche detinha a patente exclusiva e o comercializava, com o nome comercial de MabThera, produto incorporado no rol de medicamentos fornecidos pelo SUS há anos. Mas, no Brasil, as patentes caem após 20 anos, o que dá direito de outros laboratórios explorarem a fórmula. Neste segundo semestre de 2019, dois laboratórios entraram na concorrência, o Sandoz/Novartis, comercializando o Riximyo, e o Libbs, que entrou com o Vivaxxia.

 

Vale ressaltar que o Libbs é uma empresa brasileira e o primeiro laboratório a produzir, em escala industrial, o medicamento no Brasil, país que até então não tinha essa competência industrial.

 

Parceria

A Libbs fechou uma parceria com o governo federal. O poder público ajudou na construção da planta industrial da Libbs, em Embu das Artes-SP, através de financiamento pelo BNDES, bem como nos estudos clínicos do medicamento através da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). Tudo isso ao custo de R$ 523 milhões. Por alguns anos, o governo também se comprometeu a comprar o Vivaxxia, da Libbs. Em contrapartida, a Libbs transferiu todos os seus estudos do rituximabe ao poder público. O Instituto Butantan, em São Paulo, participou da pesquisa, recebeu a fórmula e, no futuro, se houver necessidade, estará habilitado a produzir o medicamento em escala para atender demandas do SUS, bem como realizar outros estudos em cima desta fórmula.

 

O que faz o rituximabe?

O medicamento não é sintético, ou seja, não é uma mistura de químicos. Ele é um produto biológico porque é produzido a partir de células vivas, ou seja, a partir da multiplicação celular (e por isso é chamado de anticorpo monoclonal). O rituximabe atua no combate a cânceres hematológicos (sangue). No SUS, ele é usado no tratamento de linfomas não-Hodgkin e leucemia linfocítica crônica.

 

No entanto, há vários outros tipos de tumores (linfócitos B) que ele pode tratar e, conforme a pesquisadora e médica hematologista Danielle Leão, por causa desta “limitação”, 80% dos pacientes do SUS diagnosticados com linfomas não possuem acesso ao rituximabe. O desafio é aumentar esse rol de tratamentos com rituximabe no SUS. “A cada grupo de 100 mil pessoas, 22 adultos e três crianças terão linfomas (câncer no sangue) em algum momento da vida”, alerta Danielle. Antes da utilização do rituximabe, explicou a pesquisadora e médica hematologista Danielle Leão, após cinco anos de quimio e radioterapia, apenas 50% dos pacientes sobreviviam. Hoje, com o uso do rituximabe, esta sobrevida aumentou para 70%

 

Combinação eficaz

Na quimioterapia, os medicamentos sintéticos “matam” as células cancerígenas, mas também as saudáveis do corpo. Por agirem em células da pele, dos cabelos, do sangue e do revestimento do intestino, fazem o paciente passar muito mal. Já os medicamentos biológicos (é o caso dos “mabes”) são “inteligentes”, pois procuram e destroem apenas as células cancerígenas. Não atacam as saudáveis. Isto é o que se chama de imunoterapia, o que evita todos os efeitos colaterais das outras terapias.

 

No entanto, alerta a pesquisadora do Laboratório de Biofarmacos em Células Animais do Instituto Butantan, Ana Moro, isso não significa que, usar o Rituximabe deixará o paciente livre dos outros tratamentos como a quimioterapia, a radioterapia e o transplante de medula óssea. A pessoa pode tomar somente os “mabes”, ou adicionar as outras três terapias e o transplante no tratamento. Depende de cada caso. Custos O médico oncologista Stephen Stefani, especialista também em gestão de saúde, mostra que toda nova droga que entra no mercado, para tratamento oncológico, chega a um custo médio de 10 mil dólares ao mês.

 

No caso do Rituximabe, é possível encontrar o medicamento na internet com preços entre R$ 1.200 a R$ 11 mil, conforme concentração do princípio ativo (100 mg, 500 mg e 1.400 mg, este último disponível somente no MabThera, do laboratório Roche). Dependendo da concentração, a caixa vem com uma ou duas ampolas. No laboratório da Libbs, o Biotec, a partir de uma ampola inicial de um ml da célula que dá origem ao Rituximabe, a empresa consegue replicar e produzir, ao final do processo, 200 ml do medicamento biológico. O processo de fabricação de um lote dura 60 dias.

 

Na concentração de 100 mg, é possível produzir 4.500 frascos de Rituximabe. Na concentração de 500 mg, produz-se 938 frascos.

*Jornalista viajou a convite do Laboratório Libbs

Fonte: Tribuna Parana

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