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Apreensões de cigarros eletrônicos crescem 140% no Brasil em 1 ano

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Entenda mais sobre o vaping

Os cigarros eletrônicos voltaram aos holofotes mundiais após o Departamento de Saúde dos Estados Unidos declarar, em agosto, epidemia nacional de saúde pública devido a inúmeros casos correlacionados ao uso do produto.

Os e-cigarettes, como são chamados em terras norte-americanas, foram inventados em 1963 –momento de auge dos cigarros comuns. Em 2003, o farmacêutico chinês Hon Lik retomou a ideia aprimorada e lançou a tecnologia na China –polo comercial dos eletroeletrônicos. Os formatos iniciais se resumiam em cigarros, charutos e cachimbos. Só começou a se popularizar em 2010, entrando em territórios como Austrália e Ásia, e em formatos mais atrativos para jovens: pen-drives e com aromatizantes artificiais.

 

Para a diretora jurídica da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), Adriana Carvalho, a indústria tabagista está buscando uma reformulação da imagem.

 

“181 países ratificaram a Convenção-Quadro, tratado internacional para controle do tabaco. Ou seja, quase todos os países do globo. Com isso, a gente vê uma queda no número de fumantes. Muito embora ainda não signifique uma redução de lucros para as empresas, elas continuam crescendo, apesar de venderem menos cigarros. Então, o que a indústria do tabaco está fazendo? Está se reinventando“, diz.

 

Convencional vs. Digital

A tese do e-cigarette ser mais saudável do que o cigarro convencional é refutada há anos por especialistas. No comparativo, o eletrônico possui uma concentração mais alta de nicotina e não há estudos conclusivos que comprovem menor malefício –tampouco que ajude a diminuir a dependência do cigarro comum.

 

Os dispositivos eletrônicos, além de terem mais nicotina, geralmente apresentam aromatizantes artificiais. Muitas vezes também são inseridas cápsulas adulteradas –em geral, para a inserção do THC, substância psicoativa da maconha. Além disso, 1 estudo de 2013 indicou que 77% das pessoas que usavam os e-cigarettes não conseguiram deixar de usar os cigarros comuns.

 

Problema nos EUA

Doenças pulmonares ligadas ao uso do vaping [ato de fumar cigarro eletrônico] estão sendo relatadas nos EUA. Só este ano, já foram confirmados mais de 1.299 casos relacionados e 27 mortes. Sintomas vão de falta de ar, tosse, náusea, vômito, até sangue nas vias respiratórias.

 

A suspeita, segundo autoridades de saúde norte-americanas, é de que os e-cigarettes estejam inserindo partículas de gordura nos pulmões –impedindo a absorção do ar e gerando falta de fôlego.

 

A Juul, principal fabricante nos EUA, detém ⅓ do mercado de cigarros eletrônicos norte-americano. Depois dos perigos em relação ao produto terem sido amplamente divulgados pela mídia norte-americana, a empresa foi prejudicada. O CEO da empresa, Kevin Burns, pediu afastamento do cargo em 25 de setembro. Em comunicado, a companhia também afirmou que suspenderia “todas as propagandas e publicidade de produtos digitais” no país.

 

Nos EUA, cerca de 2/3 dos casos de doenças relacionadas ao uso do cigarro eletrônico se deram com pessoas entre 18 a 34 anos de idade. Outros 15% com menores de 18 anos. Aproximadamente 70% são com homens.

 

O governo Trump anunciou, em setembro, que proibirá os cigarros eletrônicos com sabor. Segundo o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Alex Azar, a intenção é “reverter a epidemia profundamente preocupante do uso de e-cigarettes por jovens e que está afetando crianças, famílias, escolas e comunidades”.

 

Os Estados de Michigan e Nova York também já anunciaram a proibição de todos os cigarros eletrônicos com sabor. Já Massachusetts impediu a venda temporariamente, por 3 meses.

 

O site Business Insider compila, com frequência, em ordem cronológica, todos os fatos relevantes sobre o vaping e mortes relacionadas nos EUA. Leia aqui (em inglês).

 

No Brasil

A venda e propaganda dos cigarros eletrônicos são proibidas no país desde 2009 –quando foi publicada resolução pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo o órgão, não há comprovação científica de que os e-cigarettes causem menor risco à saúde, em relação ao cigarro convencional. Hoje, no Brasil, 9,3% da população é fumante –mas o aumento do vaping pode mudar esse número.

 

Apesar da proibição, o produto é facilmente encontrado no mercado livre. Dados da Receita Federal, obtidos pelo Poder360, mostram que o número de apreensões de cigarros eletrônicos cresceu 140% em 2018. Foram 20.531 unidades apreendidas –ante as 8.544 de 2017. Até agosto de 2019, já foram 9.831.

Fonte: Poder 360

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