Notícias do setor farmacêutico

Maconha: Na cultura do atraso, legalização fica mais distante

1.307
maconha
ILUSTRAÇÃO: FELIPE NAVARRO É nossa tradição procrastinar o debate de temas políticos até o limite do insustentável, e não está sendo diferente com a maconha

Quando o Hempadão foi criado, em março de 2009, o fim da proibição da maconha parecia próximo. A década 2010-20 começou com projetos de legalização (do uso recreativo e/ou medicinal) surgindo em todos os cantos do planeta. Mas aqui no Brasil nada mudou e as propostas que surgiram estão esquecidas na burocracia do parlamento e do poder judiciário.

Siga nosso Instagram: https://www.instagram.com/panoramafarmaceutico/?hl=pt-br

Faz parte da nossa tradição procrastinar mudanças importantes. Foi assim com a escravidão e as leis, que, de forma lenta e parcial, foram libertando o povo negro escravizado. Já na década de 80 do século XX, a ditadura militar foi desmontada de forma “lenta, gradual e constante”.

Infelizmente este ciclo da morosidade deve se repetir com a legalização da maconha. Fazendo valer de todas as possibilidades regimentais de atrasos na votação, a Anvisa deve apresentar, até o final de 2019, as regras para comercialização e prescrição de medicamentos feitos com maconha.

Tudo indica que teremos uma regulamentação que impossibilita o cultivo caseiro. Só a indústria farmacêutica terá o direito de produzir um medicamento que pode ser facilmente cultivado em um pequeno quintal ou armário, sem a necessidade de uma estrutura industrial.

STF: descriminalização é adiada

A chance de uma mudança progressista na lei de drogas ainda este ano é quase impossível. O banho de água fria nos militantes antiproibicionistas veio com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de adiar o julgamento, marcado para 6 de novembro, do processo que pode descriminalizar o porte de drogas.

A desculpa é a o julgamento de um outro processo. No dia 7 de novembro, o STF retoma a análise do processo sobre a validade da prisão após condenação em segunda instância. Mas o que impede de seguir o planejado para o dia anterior? Mais uma vez os regimentos do jogo democrático são utilizados em benefício do atraso.

E bota atraso nisso… O julgamento começou 2015, mas ficou paralisado por alguns pedidos de vistas. Mesmo com o processo liberado para análise do plenário do STF, o caso ainda ficou alguns meses sem movimentação. Uma inexplicável demora para ser recolocado na pauta de julgamento. Quando tudo parecia pronto para avançar, a figura do “deixa para depois” ganhou força novamente.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/10/01/proposta-da-anvisa-para-plantio-de-maconha-tem-resistencia-dentro-da-propria-agencia/

Cultura do atraso

Faz parte da nossa tradição política procrastinar o debate sobre temas políticos até o limite do insustentável. A própria esquerda infelizmente usa e abusa desta tática. Comemoramos quando, por exemplo, a votação da Reforma da Previdência foi adiada ainda no governo Temer. Alguns partidos chegaram a vender esta questão pontual como vitória dos trabalhadores. Abandonaram a agenda de mobilizações e, passados alguns meses, a Reforma foi aprovada sem nenhuma resistência popular.

A cultura do atraso deixa o Brasil bem cotado para ser um dos últimos países do mundo a acabar com a proibição da maconha. O fato da proposta de legalização da cannabis ser um tema que divide partidos de esquerda e direita é mais um motivo para acreditar que o fim da guerra não será um sonho realizado a curto prazo.

Em tempo: pensando do ponto de vista tático, é melhor que o debate sobre a legalização da maconha não aconteça nesta legislatura do Congresso Nacional. Com a onda bolsonarista que tomou conta do parlamento, a derrota é quase certa.

Fonte: Carta Capital

Você pode gostar também

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação

Perdeu sua senha? Digite seu nome de usuário ou endereço de email. Você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.