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Médicos do Hospital de Base de Rio Preto desenvolvem dispositivo inédito que emite alerta quando paciente tem mau funcionamento dos rins

Desde que dispositivo passou a ser usado, diminuíram as mortes e, em muitos pacientes, doença não evoluiu

Só em 2018, foram diagnosticados 3.174 pacientes com insuficiência renal aguda de toda região

A injúria renal aguda (IRA) causa a morte de 300 mil pacientes nos EUA, todo ano; não há estatísticas precisas no Brasil

A injúria renal aguda (IRA), perda repentina do funcionamento dos rins, está associada à elevada mortalidade e estima-se que 300 mil pacientes morram todos os anos nos EUA por esta doença. Apesar de

potencialmente evitável, a IRA geralmente é diagnosticada de forma tardia e o paciente fica passível de graves complicações, inclusive necessidade de hemodiálise.

Agora, uma ótima notícia para toda a comunidade. Médicos do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) desenvolveram um dispositivo inédito que emite um alerta eletrônico ao médico quando um paciente internado apresenta IRA.

Baseado em

inteligência artificial, o dispositivo

avalia o

resultado do exame de creatinina (utilizado para avaliação da função dos rins) do paciente e emite um alerta no prontuário médico indicando que os rins não estão funcionando adequadamente. O programa opera nos mais de 1.500 computadores acessados pelos médicos no Hospital de Base.

Junto com o alerta, o dispositivo fornece várias orientações ao médico sobre os procedimentos a adotar. Mais ainda, uma verificação das medicações que o paciente está em uso é realizada por uma farmacêutica com intuito de interromper drogas que possam prejudicar o funcionamento renal.

Estudo feito pela equipe do Serviço de Nefrologia do Hospital de Base de Rio Preto comprovou a eficácia do dispositivo ao constatar que houve redução de 17% das mortes por IRA após a sua utilização. “Além da mortalidade ter diminuído bastante, percebemos que, em muitos pacientes, a doença não evoluiu”, destacou o médico nefrologista Emerson Quintino.

No estudo, realizado em 2018, foram diagnosticados 3.174 pacientes com insuficiência renal aguda, que representaram cerca de 10% dos internados no Hospital de Base de Rio Preto. A evolução para os graus mais avançados e a mortalidade foram comparadas antes (primeiro semestre) e após (segundo semestre/2018) a implantação do dispositivo.  A redução de mortalidade foi de 17%.

“A utilização deste alerta é de suma importância, pois a injúria renal aguda (IRA) é potencialmente evitável, mas, infelizmente, é reconhecida tardiamente na maioria dos casos. Além do atraso, existem também falhas em seu manejo”, comenta a nefrologista Ana Carolina Nakamura Tome.

O estudo foi vencedor do “Prêmio Magaldi” no 20º Congresso Paulista de Nefrologia, organizado pela Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo, em setembro/2019.

Participaram do estudo: Ana Carolina Nakamura, Maurício Nassau Machado, Mário Abbud Filho, Rodrigo José Ramalho, Karise Fernandes Santos, Helga Tamara Agostinho e Bianca Ponte sob orientação do Dr. Emerson Quintino de Lima e suporte do Núcleo de Tecnologia Integrada da Funfarme.

Fonte: Jornal Folha Noroeste

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