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Sensor vestível monitora a glicose no sangue

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Rastrear a quantidade de açúcar no sangue é um indicativo de saúde crucial. O método tradicional, a picada no dedo, pode ser doloroso e ter baixo índice de adesão. Mais modernos, os monitores contínuos de glicose funcionam a partir de sensores inseridos sob a pele. Em alguns casos, porém, precisam ser calibrados duas vezes ao dia por meios de abordagens  tradicionais.

Na tentativa de facilitar esse processo, pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, desenvolvem uma técnica não invasiva para a detecção de eventos hipoglicêmicos, quando a quantidade de glicose está abaixo do recomendado. A tecnologia  funciona por meio de técnicas avançadas de inteligência artificial (AI), chamadas aprendizagem profunda, e sinais brutos de eletrocardiograma (ECG).
O uso do exame de ECG se justifica porque a hipoglicemia afeta a eletrofisiologia do coração, além de resultar em uma série de complicações principalmente para pacientes diabéticos, como confusão, irritabilidade e convulsão. Trata-se, portanto, de um exame que pode ajudar a monitorar a queda da glicose, mas ainda não há um modelo eficiente.
Segundo Leandro Pecchia, pesquisador da universidade britânica, o “desenho” do  ECG muda de indivíduo para indivíduo durante um evento hipoglicêmico. Projetos anteriores, porém, alimentaram os softwares de AI com dados sobre grupos de voluntários. “Nossa abordagem permite o ajuste personalizado dos algoritmos de detecção e enfatiza como os eventos hipoglicêmicos afetam o ECG em cada indivíduo. Com base nessas informações, os médicos podem adaptar a terapia a cada paciente”, destaca o líder do projeto, apresentado na edição de ontem na revista Nature Springer Journal Scientific Reports.

Versatilidade

A equipe realizou testes com a ferramenta — em que voluntários foram monitorados 24 horas por 14 dias consecutivos. A solução funcionou com confiabilidade de 82% — índice comparável aos de monitores contínuos de glicose. “Nossa inovação se consistiu no uso de inteligência artificial para detectar hipoglicemia automática através de poucas batidas de ECG. Isso é relevante, porque o ECG pode ser detectado em qualquer circunstância, inclusive no sono”, destaca Leandro Pecchia.
Outros diferenciais da tecnologia são, segundo o criador, a facilidade de aplicação— ela funciona como um sensor vestível — e a possibilidade de uso de sensores disponíveis no mercado.  “As tiras de medição nunca são agradáveis e, em algumas circunstâncias, são particularmente difíceis. Fazer a medição durante a noite certamente é desagradável, especialmente para pacientes em idade pediátrica”, complementa Leandro Pecchia.
Apesar dos resultados promissores, ele ressalta que são necessários mais estudos até que a nova ferramenta de monitoramento chegue ao mercado. “Claramente, são necessárias mais pesquisas clínicas para confirmar esses resultados em populações mais amplas. É por isso que estamos à procura de parceiros”, afirma.
82%
 
É o índice de confiabilidade do dispositivo que acusa quando a quantidade de glicose no sangue está abaixo do recomendado
Fonte: Correio Braziliense
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