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Medicamento é aprovado para combater linfoma agressivo

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Um tipo de câncer que pode surgir em qualquer área do corpo e prejudicar o sistema de defesa do organismo representava uma necessidade não atendida para parte dos pacientes que não respondiam aos primeiros tratamentos e não podiam fazer o transplante de medula. Reconhecendo a gravidade da doença e sua condição debilitante, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente um medicamento inédito no país. O polatuzumabe vedotina, em combinação com bendamustina e rituximabe, recebeu indicação para o tratamento de linfoma difuso de grandes células B quando as terapias iniciais falharam.

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De acordo com o estudo GO29365, que embasou a aprovação pela Anvisa, a adição de polatuzumabe vedotina à combinação rituximabe e bendamustina aumentou significativamente a taxa de resposta completa ao final do tratamento, significando que nenhum câncer foi detectado no momento da avaliação, quando comparada à combinação isolada (40% versus 17,5%). Esse resultado mais que dobrou a sobrevida global mediana dos pacientes tratados (12,4 versus 4,7 meses) e diminuiu em 64% o risco de progressão da doença ou morte. O perfil de segurança foi compatível com a combinação isolada.

O polatuzumabe vedotina é estudado desde 2017 e agora chega ao Brasil, já tendo sido aprovado no ano passado pela agência regulatória dos Estados Unidos (FDA) e em janeiro pela Comissão Europeia.

“Esta opção terapêutica vem atender uma grande expectativa dos especialistas para esse perfil de pacientes, que estavam órfãos de tratamento eficaz”, explica Jayr Schmidt Filho, chefe do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do AC Camargo Cancer Center. Segundo o médico, o novo tratamento beneficiará principalmente os pacientes mais debilitados, os idosos e aqueles com outras doenças, as chamadas comorbidades.

 

Linfoma difuso de grandes células B – entenda

É o subtipo mais comum entre os Linfomas não Hodgkin, respondendo por aproximadamente 30% nessa classificação e por 80% de linfomas agressivos em geral. No mundo todo, isso equivale a 120 mil pessoas diagnosticadas a cada ano com este subtipo. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer é de que sejam 3 mil novos casos anualmente no Brasil.

Este tipo de câncer é chamado de difuso porque as células cancerosas se espalham dentro do tumor, deformando os linfonodos, que são pequenas estruturas presentes em todo o organismo responsáveis por filtrar substâncias nocivas – processo essencial para o sistema imunológico combater infecções e destruir germes. É caracterizado como agressivo porque avança de forma rápida e, se não tratado de imediato, o paciente vive menos de um ano, em média, após o diagnóstico.

Devido à sua natureza agressiva, sintomas como linfonodos aumentados costumam aparecer precocemente. Quatro a cada dez pacientes são diagnosticados nos estágios iniciais da doença, quando a taxa de cura é de 60%. No entanto, até 40% dos pacientes apresentam recidiva, momento em que as opções de terapia de resgate são limitadas e a expectativa de vida é em torno de três a quatro meses.

Aproximadamente metade desses pacientes não são elegíveis ao transplante de medula por fatores como outras doenças (as chamadas comorbidades), idade avançada ou coleta de células-tronco malsucedida. Esse perfil de pacientes é de alto risco e possui chance remota de cura; portanto, tem como objetivo de tratamento a estabilização da doença e o aumento da sobrevida.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/05/09/oncogenetica-e-metodo-decisivo-no-combate-ao-cancer/

Mecanismo de ação

O polatuzumabe vedotina faz parte de uma nova classe de imunoterapias direcionadas para o câncer conhecidas como anticorpo-droga que, diferentemente da quimioterapia tradicional, atuam sobre células específicas. O medicamento é o primeiro a ter como alvo específico o CD79b, com capacidade de se ligar a esta proteína, encontrada apenas em células B (um tipo de glóbulo branco). Uma vez acoplado ao alvo, libera a quimioterapia dentro da célula do câncer, preservando as saudáveis.

Fonte: Pfarma

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