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Telefonar para os pais idosos não deveria ser sacrifício, diz geriatra

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Para idosos, maior desafio da quarentena é distância dos familiares Alexandros Avramidis / Reuters – 26.2.2020

Lidar com a suposta teimosia dos mais velhos tem sido um dos desafios mais comentados, durante a quarentena. Aqueles que precisam segurar os pais e mães idosos em casa têm recorrido a ameaças e até notícias falsas para fazer com que a terceira idade respeite a quarentena.

Mas será que os idosos tem tanta dificuldade para se manter em isolamento ou são apenas mal compreendidos? É o que questiona Natan Chehter, geriatra do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

“Como grupo de risco da covid-19 e principal alvo da campanha para ficar em casa o idoso entende que a quarentena é uma medida para prendê-los”, explica Cehter. “Muitas pessoas só estão percebendo a chamada ‘teimosia’ dos pais porque agora têm que mantê-los sob sua vigilância.”

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/03/18/coronavirus-12-dicas-para-ter-uma-quarentena-mais-leve/

Para a designer de flores Vesna Kabiljo, de 72 anos, sacrifício não é obedecer à quarentena, mas não poder cumprir com as responsabilidades rotineiras. É ela a responsável pelas compras, limpeza e o sustento financeiro do apartamento no centro de São Paulo, onde mora com a mãe, Sarika, de 92 anos.

“Faz falta andar pelo quarteirão. Sou daquelas que precisa cumprir todos os itens da agenda diária”, explica. “Sustento a casa com meus arranjos artísticos de flores, mas todos os meus clientes cancelaram as encomendas por causa da quarentena. Minha cabeça podia fazer mais, mas meu corpo não permite”, conta Vesna que faz tratamento de imunoterapia para um melanoma que se espalhou por seus linfonodos.

Muito além do rompimento na rotina, como tem vivido Vesna, outra sensação que afeta os idosos com mais frequência é o isolamento. “Muitas pessoas têm evitado visitar os pais com medo de transmitir o vírus para os idosos. Aqueles que têm menos práticas nas redes sociais acabam ficando muito sozinhos, ansiosos, deprimidos”, explica o psiquiatra Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). “Uma das questões seria o contato por telefone, mandar uma foto, áudio. Tudo isso pode tornar a situação melhor.”

Já o geriatra Natan Chehter chama atenção para a proximidade da família fora do período de quarentena. “Brinco que este isolamento só tem chamado nossa atenção para práticas que deveriam ser comuns. Fazer uma ligação para os pais idosos não deveria ser um sacrifício.”

Afastada do restante da família, Vesna tem mantido contato com o filho, que mora na Nova Zelândia, através das redes sociais. Respeitando o isolamento, recebe visitas de sua outra filha, apenas, para cuidados essenciais, como remédios e compras da casa. Sua maior companhia, no momento, é a mãe, dona Sarika. “Estamos conversando mais. Temos que tirar proveito com coisas que não tirávamos.” Questionada se tem medo da pandemia, Vesna é categórica: “Não estou apavorada. Se tiver que ir, eu vou.”

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Fonte: R7 Minas

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